terça-feira, 30 de agosto de 2011

Torquemada, o Grande Inquisidor

O Inquisidor Geral Tomás de Torquemada (Valladolid, 1420 — Ávila, 16 de setembro de 1498) simboliza a face mais intolerante da história da Igreja Católica na Espanha. Com ele, as fogueiras estiveram sempre acesas, para desespero de judeus, mouros e hereges.

Na segunda metade do século XV, a Península Ibérica tinha mais judeus convertidos do que qualquer outra região do mundo. Ocupada durante séculos pelos muçulmanos, que concediam aos judeus liberdade de culto, a Península Ibérica tornou-se um refúgio ideal e palco de uma intensa troca civilizatória entre elementos das culturas cristã, muçulmana e judaica.

Com a progressiva unificação da Espanha (resultado da união dos reinos de Leão e Castela e, mais tarde, destes com Aragão) os muçulmanos e os judeus foram aos poucos empurrados para o sul, obrigados a migrar para o Marrocos ou a fazer uma conversão forçada ao cristianismo. Tal conversão era sempre vista com desconfiança, já que, motivada pela perseguição religiosa, era apenas aparente: na intimidade de seus lares, muitos judeus continuavam em segredo a praticar os velhos cultos.

Com o casamento de Fernando, rei de Aragão (a atual Catalunha, ou seja, a região de Barcelona) com Isabel de Castela (a região de Madri), os dois reinos se uniram e a Espanha moderna começou a tomar forma. Torquemada, na época (1478), era frade dominicano e confessor de Isabel, função que exercia desde 1474. Poucos anos depois ele se transformaria na figura mais importante da Inquisição Espanhola.

Torquemada explorava a desconfiança popular com relação aos judeus convertidos e difundia a suposta necessidade de que o país contasse apenas com "sangre limpia", ou seja, sangue puramente cristão. Na prática, era uma ficção, pois, como a Espanha tinha a maior comunidade judaica da Europa medieval e como eram comuns os casamentos inter-étnicos e as conversões religiosas, pouquíssima gente na Espanha tinha sangue realmente puro. O próprio Torquemada era neto de marranos (judeus convertidos), fato que ele escondia cuidadosamente. Mas Torquemada não se deixou abater por este detalhe: decidido a purificar o país, desenvolveu um trabalho metódico, frio e impiedoso de perseguição aos marranos que resultou na morte de - segundo algumas fontes - trinta mil vítimas.

O objetivo formal da Inquisição era a erradicação da heresia, o que, para Torquemada, era sinônimo de eliminação dos marranos. Para estimular as delações, a Inquisição chegou a publicar um conjunto de orientações que ensinava aos católicos como vigiar seus vizinhos e reconhecer possíveis traços de judaísmo. Eis alguns dos sintomas reveladores:

Durante o reino de terror de Torquemada, "el  Martillo de los Herejes", se estima que foram queimadas mais de 10 mil pessoas e outras 27 mil foram torturadas brutalmente
1- Se você observar que seus vizinhos estão vestindo roupas limpas e coloridas no sábado, eles são judeus; 2- Se eles limpam suas casas na sexta-feira e acendem velas bem mais cedo do que o normal naquela noite, eles são judeus; 3- Se eles comem pão ázimo e iniciam sua refeição com aipo e alface durante a Semana Santa, eles são judeus; 4- Se eles recitam suas preces diante de um muro, inclinando-se para frente e para trás, eles são judeus.

A pena mais leve imposta aos marranos era o confisco de seus bens, técnica que se mostrou muito eficiente como forma de arrecadar recursos para a guerra contra os mouros. Os reis católicos, Isabel e Fernando, precisavam de receitas, e a perseguição movida aos hereges por Torquemada era uma fonte de renda que interessava sobremaneira ao Estado. Apesar dos protestos do Papa Sixto IV, que jamais chancelou a limpeza étnica que tinha lugar na Espanha, Isabel e Fernando auto-intitulavam-se "protetores da Igreja" e defensores da fé, antecipando práticas que seriam depois amplamente utilizadas pelos regimes totalitários do século XX.

Os judeus que sofriam apenas o confisco podiam dar-se por satisfeitos. O mais comum era serem obrigados a desfilar pelas ruas vestidos apenas com um sambenito - traje humilhante, que definia sua condição de hereges - e flagelados na porta da igreja. A etapa seguinte era a morte na fogueira, durante os chamados autos-de-fé, após inomináveis torturas. Homossexuais estiveram entre as vítimas prediletas da Inquisição Espanhola.

Torquemada, no afã de obter dos reis católicos a expulsão definitiva de todos os judeus, promoveu em 1490 um julgamento-espetáculo, onde as vítimas foram oito judeus acusados de praticar rituais satânicos de crucificação de crianças cristãs.

Pressionados pelo clima de crescente intolerância, em 31 de março de 1492 Fernando e Isabel publicaram seu Edito de Expulsão: "Decidimos ordenar a todos os ditos judeus, homens e mulheres, que deixem nossos reinos e jamais retornem a eles." Foi concedido aos judeus que permanecessem até julho na Espanha. A partir daí, os que fossem encontrados seriam mortos. Muitos fugiram para Portugal ou Norte da África, onde enfrentaram mais perseguições; alguns, sem outra alternativa, aceitaram embarcar numa duvidosa viagem comandada por um certo aventureiro chamado Cristóvão Colombo; alguns permaneceram na Espanha como "judeus ocultos" (e seus descendentes são judeus ocultos até hoje).

Após completar a expulsão dos judeus, Torquemada retirou-se para o monastério de São Tomás, em Ávila, onde passou seus últimos anos convencido de que desejavam envenená-lo, o que o levava a manter um chifre de unicórnio, considerado um antídoto eficaz, sempre perto de si.

O Grande Inquisidor acabou sendo vítima de morte natural, em 1498.

Fontes: Constelar; Wikipedia.

Jack Nicholson

Dono de um diabólico sorriso sedutor, Jack Nicholson é uma das maiores lendas vivas da história do cinema. Mesmo famoso e consagrado, nunca deixou de aceitar trabalhos menores e desafiadores, sempre do modo irreverente e com muito carisma, tentando fugir dos tradicionais clichês e interpretações fáceis -  armadilha na qual a maioria dos atores de sua idade costumam cair.

Jack Nicholson (John Joseph Nicholson, 22 de abril de 1937), ator, nasceu no Hospital Bellevue em Nova Iorque e sua mãe era June Frances Nicholson (cujo o nome de solteira era June Nilson), descendente de ingleses e italianos.

June era artista (dançarina) e se envolvera com um homem casado que trabalhava no mesmo meio que ela, o ítalo-americano Donald Furcillo (cujo nome artístico era Donald Rose). Os dois chegaram a se casar em Elkton, Estado de Maryland, em 16 de Outubro de 1936, com Furcillo se tornando bígamo. Furcillo se ofereceu para tomar conta de Jack quando ele nasceu mas a mãe de June, Ethel, insistiu para que o entregasse, pois queria que sua filha continuasse com a carreira de dançarina.

Assim, Jack cresceu acreditando que seus avós John (um decorador de janelas de loja de departamentos em Asbury Park, Nova Jersey) e Ethel May Nicholson, uma cabeleireira e tratadora cosmética, e artista amadora em Neptune, Nova Jersey, eram seus pais.

Ele fez o curso médio em Manasquan High School, onde um prêmio dramático agora leva seu nome, em sua homenagem. Nicholson descobriu que seus pais eram na verdade seus avós, e sua irmã na verdade era sua mãe, apenas em 1974, após ser informado por um jornalista da Time que estava escrevendo sobre ele, enquanto filmava "The Fortune". Nesta época, tanto sua mãe quanto sua avó já tinham falecido (em 1963 e 1970).

Nicholson declarou que não sabe quem é seu pai, dizendo que "apenas Ethel e June sabiam, e nunca contaram a ninguém". Apesar de Donald Furcillo dizer ser pai de Nicholson e ter cometido bigamia ao se casar com June, a biografia de Patrick McGilligan, "A Vida de Jack", publicada em dezembro de 1995, afirma que Eddie King, empresário de June, poderia ser o pai, e outras fontes sugeriram que June Nicholson não estava certa sobre quem era o pai.

Jack Nicholson escolheu não fazer um teste de DNA ou procurar saber sobre isso. Apesar de, pessoalmente, Nicholson ser contra o aborto, ele é a favor da liberdade de escolha: "sou muito contrário à minha posição em termos do aborto porque sou realmente contra ele. Não tenho direito a nenhum outro ponto de vista. Minha única emoção é gratidão, literalmente, por minha vida".

Em sua vida pessoal adulta, Nicholson é notório por ser incapaz de "sossegar". Sabe-se que tem quatro filhos com três diferentes mães, apesar de ter se casado apenas uma vez. Seus filhos são Jennifer Nicholson (com sua agora ex-mulher Sandra Knight), Caleb Goddard (com Susan Anspach, co-estrela em "Five Easy Pieces"), e Lorraine e Raymond Nicholson (com Rebecca Broussard). Ele foi romanticamente ligado a várias atrizes e modelos por décadas. O relacionamento mais longo de Nicholson durou 17 anos, com a atriz Anjelica Huston, a filha do lendário diretor John Huston.

Nicholson começou sua carreira como ator, roteirista e produtor, trabalhando para e com Roger Corman. Isto incluiu sua estréia na tela, em "The Cry Baby Killer" (1958), onde ele fez o papel de um delinqüente juvenil que entra em pânico após atirar em outros dois adolescentes, e "Little Shop of Horrors" (A Pequena Loja de Horrores), onde fez um pequeno papel como um paciente masoquista em um dentista.

Seu trabalho no roteiro lisérgico de "The Trip", estrelada por Peter Fonda e Dennis Hopper, o levou a seu primeiro papel de sucesso em "Easy Rider" (Sem Destino), de 1969. No filme, Nicholson faz o advogado beberrão "George Hanson", pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Oscar.

Uma indicação / nomeação para Melhor Ator veio no ano seguinte, por seu papel em "Five Easy Pieces" (Cada Um Vive Como Quer), de 1970, que inclui seu famoso diálogo com uma garçonete sobre o pedido de uma torrada a acompanhar a bebida, que a mulher nega, dizendo que esse pão só viria se fosse pedido um sanduiche de salada de frango (em pão de torrada). Ele então raivosamente pede o sanduiche de salada de frango sem "maionese, mantega, alface e frango" a fim de obter o que quer, ou seja, apenas a torrada.

Nicholson numa fantástica e diabólica interpretação no clássico de terror "O Iluminado" de 1975.
Outros primeiros filmes pelos quais ele é famoso incluem "The Last Detail", de Hal Ashby (1973), "Chinatown" de Roman Polanski (1974), "One Flew Over the Cuckoo's Nest" (Um Estranho no Ninho, de Milos Forman (1975), pelo qual recebeu seu primeiro Oscar e "The Shining" (O Iluminado), de Stanley Kubrick. Nicholson ganhou um prêmio da Academia de melhor ator (coadjuvante/secundário) por seu papel em "Terms of Endearment" (1983).

O "Batman" de 1989, onde Nicholson fez o papel do supervilão Coringa, foi um êxito internacional, e um contrato de porcentagem nos lucros deu a Nicholson cerca de 50 milhões de dólares. Nicholson mais tarde sugeriu ao amigo Danny DeVito que fizesse o "Pinguim" na sequência "Batman Returns" como investimento potencial.

Por seu papel como o impetuoso Coronel Nathan R. Jessep, em "A Few Good Men" (Questão de Honra), de 1992, um filme sombrio sobre um assassinato em uma unidade dos fuzileiros navais dos EUA, ele recebeu outra nomeação pela Academia. Este filme contém a cena de Nicholson onde ele diz "você não pode lidar com a verdade!", que desde então se tornou amplamente conhecida e imitada. Nicholson iria ganhar seu Oscar seguinte por seu papel como o neurótico no romântico "As Good as It Gets" (Melhor É Impossível), de 1997.

Em "About Schmidt" (As Confissões de Schmidt), de 2002, Nicholson faz o papel de um vendedor de seguros aposentado de Omaha, Nebraska, que questiona a própria vida e a morte de sua mulher pouco depois. O filme lento e profundamente emocional, aparece contrastando com muitos de seus papéis anteriores. Na comédia "Anger Management" (Tratamento de Choque), ele faz o terapista agressivo que deve ajudar o pacifista Adam Sandler. Seu filme seguinte é "Something's Gotta Give" (Alguém Tem que Ceder), de 2003, como um "mauricinho" envelhecido, que se apaixona pela mãe de sua jovem namorada.

Nicholson retornou à sua forma vilanesca como o chefe durão da máfia irlandesa de Boston, controlando Matt Damon e Leonardo DiCaprio no filme de Martin Scorsese "The Departed" (Os Infiltrados), de 2006.

Em 2007, Nicholson, juntamente com Morgan Freeman, protagonizou o filme "The Bucket List" (Antes de Partir). Em 2008 quando soube que Heath Ledger, o novo interprete do coringa faleceu de overdose, em um tom bem sarcastico disse: "Eu avisei".

Filmografia

1958 - Cry baby killer, The - Jimmy Wallace
1960 - Selvagem e brutal (Wild Ride, The) - Johnny Varron
1960 - A pequena loja de horrores (The Little Shop of Horrors) - Wilbur Force
1960 - Too soon to love - Buddy
1962 - Terra partida (Broken land, The) - Will Brocious
1963 - Sombras do terror (Terror, The) - Lt. Andre Duvalier
1963 - O corvo (The Raven) - Rexford Bedlo
1964 - Guerrilheiros do pacífico (Back Door to Hell) - Burnett
1964 - Ensigh Pulver - Dolan
1965 - A vingança de um pistoleiro (Ride in the whirlwind) - Wes
1966 - Flight to fury - Jay Wickham
1967 - O tiro certo (Shooting, The) - Billy Spear
1967 - Os demônios sobre rodas (Hell angels on wheels) - Poeta
1967 - O massacre de Chicago (St.'s Valentine day massacre, The) (não-creditado)
1968 - Busca alucinada (Psych-out) - Stoney
1968 – Head (não creditado)
1969 - Sem destino (Easy Rider) - George Hanson
1970 - Rebeldia violenta (Rebel Rousers, The) - Bunny
1970 - Num dia claro de verão (On a clear day you can see forever) - Tad Pringle
1970 - Cada um vive como quer (Five easy pieces) - Robert Eroica Dupea
1971 - Refúgio seguro (A safe place) - Mitch
1971 - Ânsia de amar (Carnal Knowledge) - Jonathan Fuerst
1972 - O dia dos loucos (King of Marvin Gardens, The) - David Staebler
1973 - A última missão (Last detail, The) - Billy "Bad Ass" Buddusky
1974 - Chinatown - J.J. 'Jake' Gittes
1975 - Profissão: Repórter (Professione: Reporter) - David Locke
1975 - Tommy - O Especialista
1975 - O Golpe do Baú (Fortune, The) - Oscar Sullivan/Oscar Dix
1975 - Um estranho no ninho (One flew over the cuckoo's nest) - Randle Patrick McMurphy
1976 - O último magnata (The Last Tycoon) - Brimmer
1976 - Duelo de gigantes (The Missouri Breaks) - Tom Logan
1978 - Com a corda no pescoço (Goin' South) - Henry Lloyd Moon
1980 - O iluminado (The Shining) - Jack Torrance
1981 - Notre Dame de la croisette (não-creditado)
1981 - O destino bate à sua porta (The Postman Always Rings Twice) - Frank Chambers
1981 - Reds - Eugene O'Neill
1982 - Fronteira da violência (Border, The) - Charlie Smith
1983 - Laços de ternura (Terms of Endearment) - Garrett Breedlove
1985 - A honra do poderoso Prizzi (Prizzi's Honor) - Charley Partanna
1986 - A difícil arte de amar (Heartburn) - Mark Forman
1987 - As bruxas de Eastwick (The Witches of Eastwick) - Daryl Van Horne
1987 - Ironweed - Francis Phelan
1987 - Nos bastidores da notícia (Broadcast News) - Bill Rorich
1989 - Batman - Coringa/Jack Napier
1990 - A chave do enigma (The Two Jakes) - J.J. 'Jake' Gittes
1992 - Questão de honra (A Few Good Men) - Col. Nathan R. Jessep
1992 - O cão de guarda (Man trouble) - Eugene Earl Axline/Harry Bliss
1992 - Hoffa - Um homem, uma lenda (Hoffa) - James R. 'Jimmy' Hoffa
1994 - Lobo (Wolf) - Will Randall
1995 - Acerto final (Crossing guard, The) - Freddy Gale
1996 - O entardecer de uma estrela (Evening star, The) - Garrett Breedlove
1996 - Marte ataca! (Mars Atacks!) - Presidente James Dale/Art Land
1997 - Sangue e vinho (Blood and Wine) - Alex Gates
1997 - Melhor é impossível (As good as it gets) - Melvin Udall
2001 - A Promessa (The Pledge) - Jerry Black
2002 - As confissões de Schmidt (About Schmidt) - Warren Schmidt
2003 - Tratamento de Choque (Anger Management) - Dr. Buddy Rydell
2003 - Cher: The Farewell Tour - Daryl Van Horne
2003 - Alguém tem que Ceder (Something's Gotta Give) - Harry Sanborn
2006 - Os Infiltrados (The Departed) - Frank Costello
2007 - Antes de Partir (The Bucket List) - Edward Cole
2010 - Como Você Sabe (How Do You Know) - (Charles)

Prêmios

Ganhou dois Oscar de Melhor Ator (principal), por "Um Estranho no Ninho" (1975) e "Melhor é Impossível" (1997). Ganhou um Oscar de Melhor Ator (coadjuvante/secundário), por "Laços de Ternura" (1983).

Fontes: Wikipedia; Jack Nicholson - Perfil - Cineplayers.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

As Bruxas de Salem

"É uma certeza que o demônio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas." (Rev. John Richards, século XV)

Faz três séculos que o vilarejo de Salem, na colônia americana da Nova Inglaterra, foi tomado de assalto por uma onda de intolerância e de fanatismo religioso, vitimando quase vinte pessoas. Esse infeliz incidente, e a caça às feiticeiras que então se desencadeou, serviu como um alerta para que os princípios de liberdade religiosa fossem assegurados na história dos Estados Unidos.

Mister Parris, o pobre reverendo de Salem, estava exasperado. Betty, a sua única filha de apenas nove anos, acometida por uma série de estranhos espasmos, jogou-se petrificada sobre o leito, negando-se a comer. Naquela perdida cidadezinha, ao norte de Boston, não existiam muitos recursos além de um velho médico que por lá se perdera. Chamado para diagnosticar a doença, atestou para o aterrado pai que a menina estava era enfeitiçada e que nada lhes restava a fazer além de uma boa e sincera reza. A conclusão do doutor correu de boca em boca e em pouco tempo os pacatos habitantes do pequeno porto tomaram conhecimento de que Satanás resolvera coabitar com eles.

Simultaneamente outras garotas, as amiguinhas de Betty, começaram a apresentar sintomas semelhantes aos da filha do clérigo. Rolavam pelo chão, imprecavam, salivavam, grunhiam e latiam. Foi um pandemônio. Pressionado a tomar medidas, Parris resolveu chamar um exorcista, um caçador de feiticeiras, que prontamente começou sua investigação.

No século XVII, poucos punham em dúvida a existência de bruxas ou de feiticeiras porque uma das máximas daqueles tempos é de que "é uma política do Diabo persuadir-nos que não há nenhum Diabo".

Inquiridas por Cotton Mather, que iria se revelar uma espécie de Torquemada americano, as garotas contaram que o que havia desencadeado aquela desordem toda fora uns rituais de vodu que elas viram Tituba fazer. Essa era uma escrava negra que viera das Índias Ocidentais, e que iniciara algumas delas no conhecimento da magia negra. Durante o último longo inverno da Nova Inglaterra, ela apresentara várias vezes os feitiços para uma platéia de garotas impressionáveis.

Educadas no estreito moralismo calvinista e no ódio ao sexo que o puritanismo devota, aquele cerimonial animista deve ter despertado as fantasias eróticas nelas. Provavelmente culpadas por terem cedido à libido ou apavoradas por sonhos eróticos, as garotas entraram em choque histérico. Seja como for o caso, merecia ser ouvido num tribunal. Toda a Salem se fez então presente no salão comunitário.

Quando colocadas num tribunal especial, presidido pelo juiz S. Sewall, e inquiridas pelos juízes Corwin e Hathorne, as meninas começaram a apontar indistintamente para várias pessoas que estavam na sala apenas como curiosas. O depoimento mais sensacional foi o da escrava Tituba, que não só confessou suas estranhas práticas como afirmou que várias outras pessoas da comunidade também o faziam.

A partir daquele momento, a cidadezinha que já estava sob forte tensão se transformou. Um comportamento obsessivo tomou conta dos moradores. Uma onda de acusações devastou o lugarejo. Vizinhos se denunciavam, maridos suspeitavam das suas mulheres e vice-versa, amigos de longa data viravam inimigos.

Praticamente ninguém escapou de passar por suspeito, de ser um possível agente do demônio. Não demorou para que mais de 300 pessoas fossem acusadas de práticas infames. O tribunal que entrou em função em junho de 1692 somente parou em outubro. Resultou que dezenove pessoas foram enforcadas.

Fontes: História - Mundo - As Feiticeiras de Salem; Wikipedia.

O Martelo das Bruxas - Parte 4

Instrumentos de Mutilação

Desde o Antigo Egito, e antes, a mutilação serviu como método eficaz de castigo para crimes menores, considerados não tão graves que merecessem a pena de morte, tais como furtos, danos à propriedade alheia, e às vezes - por incrível que possa parecer - estupros. 

A mutilação, além de ter um efeito arrasador sobre os culpados, tanto física quanto moralmente, também era considerada um esplêndido método de prevenir a reincidência, visto que o criminoso ficava marcado como tal para o resto da vida, bastando às pessoas de bem lançar-lhe um olhar para estarem prevenidas acerca de seus atos ilícitos no passado. 

Geralmente, os condenados a ser mutilados recebiam a pena em público, a fim de servir de exemplo a quem quer que, por desespero ou inclinação, estivesse tentado a desobedecer a lei.

1 - Pinças e Tenazes 

Pinças, tenazes e tesouras, usadas também frias, mas normalmente aquecidas ao rubro, adequadas para arrancar pedaços de carne do corpo das vítimas, constituíam utensílios básicos de qualquer verdugo. As tenazes destinavam-se geralmente - e de preferência em brasa - aos narizes, dedos das mão e dos pés e mamilos. As pinças, maiores, serviam para destroçar e queimar o pênis. 

No decorrer da história da tortura, os órgãos genitais masculinos (ao contrário dos femininos) sempre gozaram de certa imunidade. Contudo, raramente, aconteciam casos de castração (arrancamento dos testículos) e de amputação do pênis. Estes castigos não se aplicavam, como seria de esperar, por violência contra a mulher, mas geralmente por conspiração ou tentativa de conspiração contra o príncipe ou governante local. A violação extra-conjugal, na Idade Média como hoje era raramente castigada; a violação conjugal sempre foi considerada exercício de direito por parte do marido, permanecendo sempre impune.

2 - Ferros de Marcar a Quente 

Usavam-se para marcar alguns condenados, normalmente no ombro, mas outras vezes na face ou na testa. O delito cometido era expressado na marca, através de um código de letras facilmente reconhecível.

3 - Destroçador de Seios

Tratava-se de tenazes com quatro garras convergentes, capazes de transformar em massas disformes os seios de mulheres condenadas por heresias, blasfêmias, adultério, magia branca erótica, homossexualismo, aborto provocado, entre outros delitos. Para tal efeito, às vezes era utilizado apenas um gancho, aquecido ao rubro. 

Fonte: Retirado da internet (.txt) através de compartilhamento de arquivos. Lay-out e pdf: A.H.S. – Brasil (outono de 2007).

domingo, 14 de agosto de 2011

Uma ilusão referente a um Urso e um Asno

Um cavalheiro sóbrio e grave, cujo nome não darei nesta história, porque ela é antes produto de uma enfermidade do espírito do que de uma real deficiência do cérebro, tinha, por um longo desuso da parte viva de seu sentido, parte que não lhe faltava em outros tempos, se deixado afundar numa condição muito baixa de espírito, e permitido que a hipocondria se espraiasse, em vapor e fumaças, em sua cabeça.

Era uma enfermidade que tinha suas crises e seus intervalos. Algumas vezes, ele via clara e justamente as coisas, mas, outras vezes, enxergava estrelas ao meio-dia e demônios de noite. Numa palavra, o mundo era uma aparição para a sua faculdade imaginativa quando a doença prevalecia e o aborrecimento dele tomava conta. Tudo isso ele não sabia explicar, nem podia ajudar a operação de seu físico por qualquer dos poderes de que dispunha para curar-se.

Aconteceu que ficou fora de casa, na residência de um amigo, mais tarde do que de costume, uma noite, mas, como havia lua cheia e ele tinha a companhia de um empregado, sentia-se bem, e mostrou-se animado e mesmo alegre, com uma forte soma de bom humor - mais do que se observara nele por muito tempo.

Conhecia perfeitamente o caminho de volta, porque não se encontrava a mais de três milhas da cidade em que vivia, e estava muito bem montado. Mas, embora a lua brilhasse no céu, perturbou-o o acidente de que havia nuvens, e, mais do que tudo, de que uma nuvem muito escura apareceu subitamente (quer dizer, sem que ele a notasse, e assim subitamente para ele) e pairou sobre sua cabeça, o que tornou tudo muito escuro. E, para mais perturbá-lo, ainda, começou a chover violentamente.

Nessas condições, estando muito bem montado, como eu já disse, resolveu galopar, pois não estava a mais de duas milhas da cidade. Assim, esporeando o cavalo, fê-lo correr. O empregado, cujo nome era Gervásio, não estando tão bem provido de montaria, ficou para trás. A escuridão e a chuva juntas irritaram um tanto o nosso cavalheiro, mas como eram coisas inesperadas fizeram-no galopar com mais velocidade, em vez de diminuir o ritmo do cavalo.

Um Acusador Fantasmagórico

Ouvi contar a história que me parece verídica de um homem trazido à barra da justiça por suspeita de assassinato, mas de um assassinato que ele não imaginava ser possível ao conhecimento humano desvendar.

Quando teve de fazer juramento no tribunal declarou-se inocente, e a corte começou a carecer de provas, só aparecendo suspeitas e circunstâncias. No entanto, todas as testemunhas possíveis foram examinadas, colocando-se estas, como é de costume, num pequeno estrado, para serem visíveis de todo o tribunal.

Quando a corte pensou que não tinha mais testemunhas para inquirir e já estava o homem prestes a ser absolvido, ele deu um salto no lugar onde se achava, como se alguma coisa o amedrontasse. Recobrando, no entanto, a coragem, apontou com o braço para um sítio onde se situavam usualmente testemunhas para depor em julgamento, e fazendo sinais com a mão disse:

- Meritíssimo. Isso não é justo. Isso não é legal. Ele não é uma testemunha legal!

A corte ficou surpresa e não podia entender o que queria dizer o homem. Mas o juiz, um homem de mais penetração, compreendeu o que se passava e, fazendo calar alguns da corte, que desejavam falar e que talvez tivessem ajudado o homem a recuperar a razão, disse:

-Quietos! - disse ele. - O homem vê alguma coisa mais do que nós vemos. Começo a entendê-lo.

E, virando-se para o prisioneiro:

-Como? - disse ele. - Ele não é uma testemunha legal? Creio que a corte aceitará o que disser quando vier a falar.

O Diabo brinca com um Mordomo

Um cavalheiro na Irlanda, que vivia perto da casa do conde de Orrery, enviou seu mordomo uma tarde para uma aldeia próxima, a comprar cartas de baralho.

Quando este passou por um campo, divisou um grupo no meio, sentado em torno de uma mesa, onde havia várias iguarias. Quando se aproximou do grupo, todos os seus componentes se levantaram e o saudaram, expressando o desejo de que se sentasse e com eles partilhasse da comida. 

Um deles, no entanto, sussurrou as seguintes palavras no seu ouvido: - Nada faça do que eles o convidam a fazer. - Então, como ele recusou a aceitar-lhes o convite, a mesa e todas as iguarias que a eles guarneciam desapareceram, mas o grupo entrou a dançar ao som de vários instrumentos.

Foi outra vez o mordomo solicitado a participar dos divertimentos, mas nada o convencia a neles ingressar. Por esse motivo, os membros do grupo abandonaram o seu divertimento e começaram a trabalhar, solicitando ainda ao mordomo que a eles se juntasse. Este, no entanto, recusou. Assim, diante de sua terceira recusa, eles todos desapareceram e deixaram o mordomo sozinho, o qual, muito consternado, regressou à casa sem os baralhos, desmaiou quando passou pela porta, mas recuperou os sentidos e contou a seu patrão tudo o que se passara.

Na noite seguinte, um dos fantasmas veio para o pé de sua cama e disse-lhe que, se ousasse dela sair no dia seguinte, seria carregado. Aceito esse conselho, manteve-se quieto até a tardinha, mas, tendo necessidade de urinar, aventurou-se a colocar um pé para fora da porta, coisa que ele tinha acabado de fazer quando uma corda lhe foi passada pela cintura, à vista de várias testemunhas, e o pobre homem foi arrastado para fora da casa com uma rapidez inexplicável, seguido por muitas pessoas.

O Espectro e o Salteador

Uma história nos conta que Hind, o famoso assaltante, o mais famoso desde Robin Hood, encontrou um espectro na estrada num sítio chamado Stangate-hole, no condado de Huntingdon, lugar onde usualmente cometia seus roubos, e famoso por muito assalto de estrada, desde então.

O espectro apareceu na forma de um simples vendedor rural de gado. E como o diabo conhecia muito bem os lugares em que Hind se escondia e que freqüentava, chegou a uma hospedaria, pôs o cavalo na cocheira e fez com que o hospedeiro carregasse a mala que trazia, que era muito pesada, até o quarto que alugara.

Quando se viu no quarto, abriu a mala, retirou o dinheiro, que parecia estar contido em vários pequenos embrulhos, e o colocou em não mais do que dois sacos, distribuídos de maneira a pesar igualmente dos dois lados do cavalo e a chamar tanta atenção quanto possível.

E raro que as hospedarias que abrigam ladrões não sejam freqüentadas por espias, para que proporcionem aos primeiros as necessárias informações. Hind soube do dinheiro, olhou o homem, olhou o cavalo, para que os pudesse reconhecer. Apurou a direção para onde se dirigia o comerciante. Esperou-o e encontrou-o em Stangate-hole, bem no fundo da garganta entre as duas colinas, e o fez parar, dizendo-lhe que devia entregar o dinheiro.

Quando Hind mencionou o dinheiro, o vendedor simulou surpresa, fingiu cair em pânico, tremeu, demonstrou bem o medo, e num tom digno de compaixão disse:

sábado, 13 de agosto de 2011

A Aparição da Senhora Veal

Este relato é verdadeiro e cercado por muitas circunstâncias que podem induzir qualquer homem sensato a acreditar nele. Foi enviado por um cavalheiro, um juiz da paz em Maidstone, no Kent, e pessoa de muita inteligência, a um amigo seu em Londres, tal como está aqui redigido.

O texto é certificado por uma dama parente do citado juiz da paz e que é pessoa de mente sóbria e de grande compreensão, a qual vive em Canterbury, a umas poucas portas da casa em que mora a senhora Bargrave, nomeada no relato. O juiz da paz acredita que sua parente é de espírito tão atilado que nunca se deixaria enganar por qualquer fraude. Ela própria garantiu-lhe positivamente que a questão toda tal como aqui relatada e redigida constitui a verdade, e a mesma coisa que ela ouviu aproximadamente nas mesmas palavras da boca da mesma senhora Bargrave, a qual, ela sabe, não tinha razão para inventar e divulgar tal história, nem desejo de forjar e contar uma mentira, sendo uma mulher muito honesta e virtuosa, e toda a sua vida um exemplo de piedade.

O proveito que podemos tirar desse documento é ter em mente que há uma vida por vir depois desta e um Deus justo que retribuirá à cada um segundo os atos feitos com este corpo atual; devemos, portanto, refletir no que tem sido a nossa vida; não esquecer de que o tempo de que dispomos é curto e incerto e que, se quisermos escapar à punição reservada aos ímpios e alcançar a recompensa dos que procedem bem, que é a vida eterna, temos de, no tempo que nos resta, voltar a Deus por um rápido arrependimento, deixando de co¬meter o mal e aprendendo a fazer o bem. partindo em busca de Deus, se com felicidade Ele possa ser de nós encontrado, e de levar tais vidas no futuro que Lhe possam ser agradáveis.

Isto que vou contar é tão raro em todas as suas circunstâncias, e fundado em tão boa autoridade, que toda a minha leitura e as minhas conversas nada me forneceram de semelhante. E coisa apta a satisfazer o investigador mais destro e exigente.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Estrada de Bimini

Todo mundo já ouviu a história da cidade perdida de Atlântida, mas o que dizer da Estrada de Bimini? Em 1968 uma formação rochosa submersa foi encontrada perto da área norte da ilha de Bimini, nas Bahamas. É considerada por muitos como sendo natural, mas por causa do arranjo singular das pedras, muitos acreditam que seja parte da cidade perdida de Atlântida (citada pela primeira vez por Platão). 

Outro elemento curioso deste mistério é uma profecia feita em 1938, por Edgar Cayce: “Uma porção dos templos será ainda descoberta embaixo do limo das eras e água do mar próximo a Bimini… Espere para ser em 68 ou 69 – não muito longe disso.”

No seu livro do ano de 2002 – 1421: Ano em que a China descobriu o mundo - o autor Gavin Menzies propôs que a estrada é parte de um cais usado pela frota chinesa que explorava o Caribe entre 1421 e 1423.

Nas belas águas azuis da ilha de Bimini, um pouco mais de 50 milhas a leste de Miami, Florida,
encontra-se uma estrutura submersa apelidada de "Estrada de Bimini".

Em uma expedição mais recente, o arqueólogo amador Dr. Greg Little descobriu outra linha de rochas com a mesma formação, diretamente abaixo da primeira, levando ele a crer que a estrada está na verdade no topo de um muro ou doca. 

Uma possível explicação natural é que a “estrada” é um exemplo de pavimentação em mosaico, um fenômeno natural. Concreções de conchas e areia formam rochas sedimentares duras que com o tempo se fraturam em linhas retas e então em ângulos de 90 graus. Elas são um tanto comuns e uma atração turística popular na ilha da Tasmânia.

Fontes: Wanderley X; Portugal paranormal.

Oera Linda

O manuscrito do Oera Linda apareceu em 1867, quando foi oferecido para publicação (e rejeitado) à biblioteca da Frísia. Em 1872, um erudito frísio dispôs-se a traduzi-lo para o holandês e em 1876 surgiu uma tradução inglesa. A cópia é datada de 1256 e o texto afirma ser uma cópia de manuscritos ainda mais antigos, que datariam de 2194 a.C. a 803 d.C. Entretanto, o papel em que foi escrita parece ser do século XIX. 

Segundo o texto, a Europa e outras terras foram, pela maior parte de sua história, governadas por uma sucessão de "Reverendas Mães" que presidiam uma ordem hierárquica de sacerdotisas celibatárias dedicadas à deusa Frya (Freyja) e seu pai, o deus supremo Wr-alda. 

Refere-se a uma terra chamada "Atland", uma ilha semicircular localizada no que é hoje o mar do Norte, que teria sido destruída por um desastre natural em 2194 a.C. Data todos os eventos a partir desse marco. 

O livro faz várias referências à origem de raças e civilizações a partir das migrações dessa terra e provavelmente inspirou Helena Blavatsky, que faz referências a "Atland". Entre suas afirmações está a de que um frísio chamado Tunis fundou o porto fenício de Tiro em 2000 a.C. e que um outro frísio chamado Inka criou um reino no extremo Ocidente, depois de procurar pela Atland perdida. Também diz que o alfabeto grego é derivado de um antigo alfabeto frísio. 

Fonte: Fantastipedia.

As pedras dropa

Em 1938 o arqueólogo Dr. Chi Pu Tei, escavando nas montanhas entre a fronteira do Tibete e da China, descobriu umas pedras em forma de disco, que mediam mais ou menos 24 centímetros e possuíam um furo no centro.
        
A princípio não havia nada de tão especial nesse achado, porém depois de um certo tempo algumas coisas descobertas através das pedras acabaram surpreendendo a todos.
              
Esses discos possuíam um tipo de escrita muito semelhante a hieróglifos, que saiam do centro e iam em espiral até as bordas. Depois de algum tempo de estudos, os pesquisadores conseguiram descobrir o significado dessas escrituras e elas contavam a história de um povo que viera do espaço.

Esses seres de outro mundo teriam vivido nas montanhas onde foram encontrados os discos de pedras, além disso, nesse local foram encontrados alguns corpos de seres baixinhos com cabeças grandes, porém humanos.


Segundo a “lenda”, foram descobertos mais de 700 discos de pedra (com cerca 25 cm e um buraco no meio) com aproximadamente 12 mil anos e com uma dupla espiral de minúsculos hieróglifos gravados … contando a historia de uma raça extraterrestre de  nome Dropa.


Fonte:  Nibrutsit.


           

Crânio de 10 mil anos perfurado por bala

Em 1921, o Museu Britânico recebeu um crânio humano achado por trabalhadores que exploravam uma mina de zinco, situada na colina de Broken Hill, no Zâmbia (antiga Rodésia do Norte). Os paleontólogos chamaram-no de "Homem de Broken Hill" ou "Homem da Rhodesia". Trata-se de um homem moderno: da raça Cro-Magnon, que viveu há seis ou sete mil anos.

Ele pertence a um indivíduo alto e de idade avançada para a época: uns cinquenta anos de idade. Porém, estudando o crânio perceberam duas coisas: Uma delas aparentemente inexplicável, aquele homem, que havia vivido a milhares de anos atrás, tinha sofrido de una enfermidade dental.


E a segunda, mais inexplicável ainda, no lado esquerdo da caveira havia um buraco redondo de bordo plano. A limpeza da ferida sugere que foi causada por um projétil em alta velocidade, como uma bala.

No outro lado a caveira está destruída como por ação do projétil ao sair do crânio.
Segundo o professor Mair, de Berlim, pareciam buracos de entrada e saída exatamente iguais aos que deixaria uma bala moderna.

Porém, este objeto enigmático não é único. Existe a caveira de um uro (tipo de bisonte extinto) que foi encontrado próximo do Rio Liena, na URSS. Ela apresenta um buraco perfeitamente redondo e polido, parecido uma ferida de bala. O uro viveu ainda muitos anos depois de ser ferido.

Estas caveiras sugerem a surpreendente possibilidade de que há muitos milênios a agressividade humana já teva à sua disposição instrumentos mais sofisticados do que simples flechas de sílex...

Fonte: terroraparte.blogspot.com

Combustão espontânea

Restos da cadeira onde a sra. Mary Reeser estava sentada.


A senhora Mary Reeser, uma viúva de 67 anos, de St. Petersburg na Flórida, transformou-se numa coluna de fogo na noite de 1 de Julho de 1951. Os estragos ao seu redor foram mínimos. A poltrona ficou queimada até as molas, havia uma marca de chamas no teto, e um pequeno círculo do tapete em volta da cadeira ficou queimado.Contudo uma pilha de papéis ao seu lado permaneceu imune.

O dr. Wilton Krogman, especialista em mortes por fogo, juntou-se à investigação. Ele disse: 

" - Não posso imaginar uma cremação tão completa sem que o resto do apartamento tenha sido queimado; tudo deveria ter sido consumido pelo fogo. Nunca tinha visto um crânio humano encolhido pela acção do calor intenso. O oposto geralmente acontece - os crânios ficam ou muito dilatados ou virtualmente explodem em centenas de pedaços... Essa é a coisa mais surpreendente que já vi. Quando me lembro disso os pêlos da minha cabeça eriçam de pavor. Se eu vivesse na Idade Média, pensaria em magia".

A conclusão do FBI foi : Ela adormeceu fumando e queimou as suas roupas. Um ano depois, a policia confessou que ainda considerava o caso em aberto.

Fonte: http://montegordo.tripod.com/entrada.htm

Ramsés II provocando pânico

Ramsés II - Museu do Cairo, Egito.

A múmia do faraó Ramsés II, que reinou no Egito durante o cativeiro dos judeus, está guardada desde 1886 no Museu Nacional do Cairo.

Numa tarde, particularmente abafada e úmida, o público presente na sala de Ramsés II ouviu um forte grito, seguido do ruído de vidros partidos e, voltando-se para o túmulo do soberano, assistiu a um espetáculo verdadeiramente impressionante: a múmia do faraó, estendida no sarcófago, de repente se senta, abre a boca como que para gritar, vira, de um só golpe, a cabeça para Norte, abre os braços cruzados sobre o peito e rebenta com a mão direita a vitrine.

Alguns visitantes desmaiaram; outros fugiram rolando pelas escadas; outros, para serem mais rápidos, saltaram pelas janelas. Houve dezenas de feridos, o guarda da sala demitiu-se sem que fosse possível encontrar substituto.

O governo egípcio teve que pagar elevadas indenizações aos visitantes e ao museu. Durante um longo período de tempo, o museu esteve às moscas, pois o público estava com medo de ver o prédio ruir sobre as suas cabeças.

Os cientistas afirmaram que o fenômeno deveu-se a um choque térmico. Mas mesmo assim, ainda hoje a múmia descansa com a cabeça voltada para norte, exatamente como previa a oração sepulcral!

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Você sabia que em 1976, a múmia do faraó Ramsés II (aprox. 1315-1223 a.C.) foi atacada por fungos e teve que sair do Museu do Cairo para ser analisada por especialistas na França. Ao descer do avião, a múmia recebeu as honras destinadas aos chefes de Estado e, inclusive viajou portando um passaporte especial emitido pelo governo egípcio?


Fontes: PortugalParanormal; http://cpantiguidade.com/2009/07/13/voce-sabia/

Mary Celeste, o navio-fantasma


Havia algo de estranho no veleiro de dois mastros que avançava na ondulação do Atlântico. Faltava qualquer coisa, mas não era fácil de se perceber, à primeira vista, o que era.

A tripulação do bergantim Dei Gratia observara, do convés, o errático avanço do misterioso navio desde que ele emergira como um simples ponto no horizonte. O Dei Gratia ganhara-lhe terreno regularmente até que, ao principio da tarde, o capitão David Morehouse tomou um rumo paralelo ao dele e começou a estudar a estranha configuração do navio, através da sua luneta.

Era um bergantim armando pano redondo, tal como o seu, mas tinha apenas duas velas içadas. As outras ou estavam ferradas ou pendiam em farrapos. O navio oscilava para a direita e para a esquerda com as rajadas de vento fresco, como se o seu timoneiro estivasse bêbado, e o capitão Morehouse percebeu rapidamente por que motivo a embarcação não navegava a direito e suavemente, pois quando o Dei Gratia se aproximou pôde concluir que não se encontrava ninguém na roda do leme... que se viam marinheiros no convés... e que, de facto, não havia qualquer sinal de vida...

Morehouse mandou içar um sinal, mas não houve resposta por parte do fantasmagórico navio, pelo que faz arriar um escaler e três homens remaram até ao barco. Enquanto se aproximavam, gritavam "Bring ahoy, brig ahoy!", mas também inutilmente. Fizeram o escaler dar a volta à popa do veleiro e espreitaram para o nome que lá estava pintado: Mary Celeste, Nova Iorque.

A última vez que alguém tinha visto o Mary Celeste fora um mês antes, quando, em 4 de Novembro de 1872, ele partira de Nova Iorque com destino a Génova, com um carregamento de mil e setecentos barris de álcool em bruto. A bordo seguiam o comandante, capitão Benjamin Spooner Briggs, e o seu imediato, Albert Richardson, dirigindo uma tripulação de sete homens. Viajavam também no navio a mulher do capitão, Sarah e a sua filha de dois anos, Sophia. Briggs, um homem honesto, temente a Deus e barbudo, fazia a sua primeira viagem no Mary Celeste. Comandara anteriormente uma escuna e aceitara de bom grado a proposta de comandar o Mary Celeste quando o consórcio seu proprietário lhe ofereceu um terço do navio.

O veleiro denominara-se anteriormente The Amazon, mas os proprietários deram-lhe um novo nome e fizeram-lhe uma profunda reparação, de que muito necessitava, antes de o mandarem atravessar o Atlântico, perigoso no inverno.

O Mary Celeste partiu do East River de Nova Iorque e apontou a proa para os Açores, que foram avistados, de acordo com o livro de bordo, em 24 de Novembro.

O tempo mantivera-se bom até aí e Mrs. Briggs passava muitos dias no convés. À noite trabalhava na sua máquina de costura ou tocava no harmónio que o marido lhe permitira levasse na viagem.

Contudo, uma vez passados os Açores, o tempo modificou-se para a pior e começou a mostrar-se tempestuoso, embora relativamente moderado, o que não era suficiente para preocupar um capitão experiente, e Briggs ordenou que fossem ferradas algumas velas.

Não houve pânico e no diário de bordo foram registados apenas os factos normais do dia-a-dia, incluindo a posição do navio a 25 de Novembro, a última anotação feita.

Dez dias mais tarde o escaler do Dei Gratia acostava ao Mary Celeste e o primeiro-oficial Oliver Deveau e o segundo-oficial Jonh Wright treparam a bordo, deixando o terceiro homem em baixo, para segurar o escaler. Deveau e Wright revistaram o navio e aquilo que viram adensou ainda mais o mistério.

As velas batiam, soltas ao vento, a roda do leme girava para um lado e para o outro silenciosamente, a água chapinhava para dentro e para fora da cozinha do navio, cuja porta estava aberta, uma bússola esmagara-se no convés e faltava um dos escalares do veleiro.

Contudo, lá em baixo, por debaixo do convés, as coisas eram muito diferentes: tudo parecia em ordem, excepto que não se via ninguém.

Na cabine do capitão encontrava-se o harmónio de Mrs Briggs, ainda com uma pauta de música, a máquina de costura estava sobre uma mesa e os brinquedos da pequena Sophia mantinham-se muito bem arrumados. Nos beliches da tripulação, tudo se encontrava igualmente bem arrumado e havia roupa lavada pendurada numa corda. Na cozinha, parecia que tinham sido feitos preparos para um pequeno-almoço, apesar de, aparentemente, só metade dele ter sido servido.

Deveau e Wright regressaram ao escaler, informaram Morehouse das suas descobertas e este sugeriu que o Mary Celeste devia ter sido abandonado durante uma tempestade. Mas então, perguntou Deveau, como era possível que na cabine do capitão se encontrasse um frasco de xarope aberto, não entornado, ao lado de pratos e ornamentos intactos? Um motim, sugeriu Morehouse... Mas não havia sinais de luta, e por que motivo iriam os amotinados abandonar o navio, juntamente com as vítimas? Talvez o navio estivesse a meter água... Deveau confirmou que havia noventa centímetros de água no porão e que fora encontrada uma vara de sondagem no convés, mas isso era normal, e a água poderia ter sido bombeada com facilidade.

Morehouse decidiu pôr de lado as perguntas sem resposta e concentra-se, de momento, em assuntos mais importantes... o dinheiro do salvamento, por exemplo. Enviou alguns dos seus tripulantes de volta ao Mary Celeste e dentro de algumas horas a água fora bombeada e o porão estava seco. No dia seguinte, o veleiro foi reparado.

O capitão só podia dispensar três dos seus sete marinheiros, para tripularem o Mary Celeste.

Escolheu Deveau e os marinheiros Anderson e Charles Lund e, num espantoso feito de marinharia, os três homens conduziram o Mary Celeste durante seiscentas milhas, para o que teria sido o seu primeiro porto de escala, Gibraltar, onde o Dei Gratia já os aguardava.

As autoridades britânicas de Gibraltar apresaram o Mary Celeste e ordenaram um inquérito público, tendo Deveau e os seus homens sido apertadamente interrogados. Afirmou-se que fora encontrada, debaixo do beliche do capitão Briggs, uma espada suja de sangue... não seri essa a prova do crime? A espada foi examinada e provou-se que as manchas não eram de sangue.

Descobriu-se também que nove dos barris de álcool estavam secos e que outro barril fora rebentado... não teria a tripulação provocado uma desordem por causa do álcool?

Pacientemente, Deveau explicou, no entanto, que sob o convés tudo estava em perfeita arrumação. Poderia Briggs ter entrado em pânico durante uma tempestade e ordenado que os escaleres do veleiro fossem lançados à água? Havia poucos indícios capazes de provar tal coisa... na cabine do capitão tudo se encontrava tão arrumado como seria de esperar que estivesse na mesa de pequene-almoço de um cavalheiro. O capitão tinha até cortado, com toda a precisão, o seu ovo escalfado, que ficara por comer, em cima da mesa, no prato.

Contudo, a questão que os investigadores consideraram mais intrigante foi a seguinte: como conseguiria o Mary Celeste manter o seu rumo, sem tripulação e durante dez dias, percorrendo quinhentas milhas? Quando o Dei Gratia alcança o navio misterioso, Morehouse tinha as velas viradas para bombordo, mas o outro barco tinha-as para estibordo. Era inconcebível, foi dito no inquérito, que o Mary Celeste pudesse ter feito aquele percurso com as velas colocadas desse modo. Alguém devia ter permanecido no barco durante vários dias, depois do último registro no livro de bordo...

As autoridades de Gibraltar estavam seguras de que o escaler que faltava no Mary Celeste em breve aparecia, e com ele a tripulação que explicaria então todas aquelas perguntas sem resposta. Isso, porém, nunca sucedeu e, em 10 de Março de 1873, a comissão de inquérito concedeu uma pouca generosa recompensa pelo salvamento do navio, mil e setecentas libras, a Morehouse e aos seus homens, apenas cerca de quinze por cento do valor do navio de duzentas toneladas e da sua carga.

O inquérito foi encerrado, mas as discussões continuaram, acaloradas. Os ocupantes do Mary Celeste tinham sido capturados por piratas, apanhados por uma lula gigante, morrido de febre amarela, ou o capitão enlouquecera? Porém, a mais extraordinária das explicações surgiu quarenta anos mais tarde, em 1913.

Howard Linford, reitor de uma escola de Hampstead, Londres, afirmou ter descoberto um manuscrito revelador entre as coisas que lhe haviam sido legadas por um velho servente da escola, quando este jazia no seu leito de morte. O servente, um homem muito viajado chamado Abel Fosdyk, escrevera um relato pormenorizado afirmando que era um passageiro clandestino do Mary Celeste e o único sobrevivente da tragédia que o atingira.

Fosdyk escreveu que, durante a viagem, o capitão Briggs, ao descobrir que a sua filha a brincar numa posição muito precária no mastro do gurupés, aquele mastro comprido que se projecta para a frente, na proa de um veleiro, ordenara ao carpinteiro do navio que utilizasse uma mesa invertida para fabricar uma plataforma para que ela podesse brincar ali.

Ao faze-lo, o carpinteiro abriu profundos entalhes na madeira, de cada lado da proa, misteriosos cortes que foram na verdade encontrados no Mary Celeste. Num dia calmo, Briggs discutira com o seu primeiro-oficial a respeito da possibilidade de um homem poder nadar vestido, tendo acabado por saltar borda fora, para provar o seu ponto de vista. Os outros ocupantes do navio correram para a improvisada plataforma, par poderem ver melhor, e a estrutura de madeira abatera, caindo todos ao mar. Os tubarões apareceram então e rapidamente devoraram os náufragos até ir parar às costas de África.

Esta história fascinou a imaginação dos leitores em todo mundo, mas foi rejeitada com o argumento de ser demasiado imaginativa e improvável.

Assim, o mistério do que aconteceu à tripulação do Mary Celeste mantém-se até aos nossos dias. Mas que sucedeu depois ao próprio navio?

Quando o Mary Celeste ficou livre da ordem de apresamento decretada pela comissão de inquérito de Gibraltar, os marinheiros recusaram-se a embarcar no navio, pois acreditavam que ele estava amaldiçoado. O veleiro mudou dezassete vezes de mão nos onze anos seguintes, até ser comprado por um grupo de homens de negócios de Boston, em 1884, que fizeram um seguro muito superior ao valor do navio e o enviaram para o Haiti. Aí, num dia claro e com mar calmo, o barco embateu num recife de coral, mas a tentativa de fraude foi detectada e tanto o capitão como os proprietários levados a tribunal. Entretanto, o velho casco de madeira do Mary Celeste apodreceu num remoto recife das Caraíbas.

Fonte: http://montegordo.tripod.com/fantasma.htm

Reatores nucleares naturais

A vala escavada na mina de Oklo, revelou uma
 dúzia de áreas onde a fissão nuclear ocorreu.
Há 2 bilhões de anos, partes de um depósito de urânio na África sofreram fissão nuclear espontânea. Os detalhes desse fenômeno notável só agora são esclarecidos.

Em maio de 1972, o funcionário de uma usina de processamento de combustível nuclear da França percebeu algo suspeito. Ele fazia uma análise rotineira do urânio proveniente de uma fonte aparentemente normal de minério. Como é o caso com qualquer urânio natural, o material em estudo continha três isótopos, ou seja, três formas do mesmo elemento com diferentes massas atômicas: urânio-238, a variedade mais abundante; urânio-234, a mais rara; e urânio-235, a mais cobiçada, pois pode sustentar uma reação nuclear em cadeia. 

Em todos os outros lugares da crosta terrestre, na Lua e mesmo em meteoritos, os átomos de urânio-235 perfazem 0,72% do total. Mas nessas amostras, que vinham do depósito de Oklo, no Gabão (ex-colônia francesa na África equatorial), o urânio-235 constituía 0,717%. Essa pequena discrepância, porém, foi o bastante para intrigar os cientistas franceses. Outras análises mostraram que o minério de pelo menos uma parte da mina tinha bem pouco urânio-235: pareciam estar faltando cerca de 200 quilos do material, suficientes para produzir meia dúzia de bombas nucleares.

Durante semanas, os especialistas da Comissão de Energia Atômica (CEA) da França permaneceram perplexos. A resposta veio apenas quando alguém se lembrou de uma previsão publicada 19 anos antes. Em 1953, George W. Wetherill, da Universidade da Califórnia em Los Angeles, e Mark G. Inghram, da Universidade de Chicago, alertaram que alguns depósitos naturais de urânio poderiam ter operado como versões naturais dos reatores de fissão nuclear que estavam então se tornando populares.

A bateria de Bagdá

Em 1936, durante uma escavação de uma aldeia em ruínas próxima de Bagdá, foi descoberto um vaso bastante curioso e peculiar. Um pote de barro com um cilindro de cobre em seu interior. Este cilindro estava soldado ao vaso com uma liga de estanho-chumbo. O fundo do cilindro estava tampado com um disco também de cobre, selado com um material tipo betume ou asfalto. No interior deste cilindro de cobre havia uma haste de ferro que permanecia suspensa no interior, no centro do cilindro.

Este objeto somente se tornou conhecido e popular quando o arqueólogo alemão, Wilhelm König, examinou-o e chegou a uma conclusão surpreendente de que o vaso de barro foi nada menos do que uma bateria elétrica antiga.

Ao combinar cobre com ferro forma-se um par eletroquímico que na presença de uma solução ácida (como suco de frutas cítricas, limão, uva, ou vinagre) um potencial elétrico será produzido. Cria-se uma solução ácida eletrolítica para gerar uma corrente elétrica a partir da diferença entre os potenciais eletroquímicos dos eletrodos de cobre e ferro.

Alguns estudos reproduziram o modelo do vaso e foi constatado a geração de uma tensão entre 2 a 4 volts. Outra especulação possível sobre a utilização destes vasos é que dispostos em série poderiam ser utilizados em um processo de galvanoplastia, onde determinados metais são revestidos por outros. König tinha observado objetos de prata do Iraque antigo que foram banhados com uma camada muito fina de ouro, e especula que eles foram galvanizados utilizando estas baterias de vaso.

Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Govardhana/392

O pilar de ferro de Delhi

"No átrio de um templo em Délhi, Índia, encontra-se um pilar construído com pedaços de ferro soldado, que há mais de 4.000 anos está exposto às intempéries, sem que mostre o menor vestígio de ferrugem: pois está livre de enxofre e fósforo. Temos aí uma liga de ferro desconhecida, proveniente da Antigüidade". – Erich von Däniken – Eram os Deuses Astronautas?
Ao ler atentamente o trecho acima uma pessoa pode ficar confusa: se a coluna é de ferro "livre de enxofre e fósforo" e está no átrio de um templo em Nova Délhi, como pode ser uma "liga de ferro desconhecida da Antigüidade"? Felizmente, nós não precisamos (e em verdade não devemos) nos limitar ao traficante de mistérios suíço.

O pilar de ferro de Delhi tem em realidade pouco mais de 1.500 anos de idade. Com inscrições indicando que louvava o rei Chandragupta II (373-413), acredita-se que havia originalmente em seu topo uma imagem do deus hindu Garuda (deus-pássaro). O pilar revela o notável estado de desenvolvimento da metalurgia indiana da época dos Guptas (300-500), porém como diversos estudos demonstraram, não há nada de sobrenatural nele — ele não é de "ferro 100% puro" nem é uma "liga de ferro desconhecida da Antigüidade".

As explicações para o pilar de ferro estar de pé por mais de 1.500 anos dividem-se em duas categorias: as condições ambientais e o material do pilar.

Fonte: Ceticismo Aberto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Figueira Assombrada

Minha avó paterna casou-se duas vezes. Seu primeiro marido chamava-se Giacomo. Os dois, naturais da Itália, conheceram-se na Argentina, casaram e vieram para o sul do Brasil, buscando uma vida melhor. Foram morar na região de colonização italiana. 

Giacomo ganhava a vida vendendo gado e os produtos que produzia (vinho, queijo, salame, etc.). Ficava vários dias longe de casa, pois viajava por várias cidades do interior do Rio Grande do Sul. Em uma estrada, próxima a Bento Gonçalves, havia uma figueira frondosa. Os moradores do local diziam que, à meia-noite, não era possível passar pela árvore, pois o lugar era "assombrado". 

Voltando de uma viagem, cansado e ansioso por chegar em casa, Giacomo chegou na figueira poucos minutos antes da "hora fatídica". Não acreditava em almas do outro mundo, por isso seguiu tranqüilo. Ao aproximar-se da árvore, o cavalo empacou, empinou as orelhas e relinchou, assustado. O cavaleiro, impaciente, fincou as esporas e mandou que o animal avançasse. Não obteve resultado. Exasperado, bateu no cavalo com o relho. Ele não se moveu.


Nesse momento, Giacomo sentiu alguma coisa agarrar sua coxa. A sensação foi como se tivessem encostado um ferro em brasa. Foi erguido do cavalo e arremessado para o outro lado da estrada. Tonto, levantou-se, deixou os animais e correu para casa. Lá chegando, aos gritos, chamou minha avó, que, assustada, abriu a porta. Giacomo não falava coisa com coisa. 

Após algum tempo e um chá de cidreira, ele conseguiu contar o que havia acontecido. Minha avó pediu que ele tirasse a bombacha, para verificar o local. Qual não foi seu espanto, ao ver que a calça estava queimada, e, na pele de seu esposo, havia a marca de cinco dedos! 

Meu pai nos contou que vovó Maria dizia que, após esse dia, Giacomo não saiu mais sozinho à noite e quando precisava ir até a latrina, que ficava um pouco afastada da casa, pedia que ela o acompanhasse. A marca permaneceu na pele até sua morte.Meu pai não mentia e muito menos minha avó, por isso só posso dizer, parafraseando Shakespeare, que "entre o céu e a terra existem coisas que a nossa vã filosofia não consegue explicar".

Fonte: http://www.juraemprosaeverso.com.br/ContosMisteriosos/FigueiraAssombrada.htm

Brincando com os mortos

Em uma noite iluminada por uma lua minguante num céu sem estrelas, quatro jovens resolvem fazer o famoso "jogo do copo". 
Reúnem-se na casa do mais velho, o líder da turma. Depois de uma oração em tom de brincadeira, começa a sessão de perguntas para o pseudo-espírito na mesa. 

- Qual o seu nome? Pergunta uma das meninas da turma. 

O copo se move para as letras formando a palavra P-A-L-H-A-Ç-O. Todos ficam assustados com o movimento, mas acham estranho que tenha se formado essa combinação. Exceto o líder da turma, que solta uma gargalhada quando a palavra é formada. 

- O que você quer? Pergunta o segundo jovem: 

P - U - M. É a palavra que aparece no tabuleiro. 

O jovem líder cai na gargalhada, solta o copo e sai de perto do tabuleiro:

- Essa brincadeira é cretina, estúpida. Fui eu quem fez o copo se mexer. Viram como isso não funciona? 

- Cuidado. Não fique brincando com essas coisas. Você pode ser castigado - Retruca a pequena jovem. 

Todos vão embora da casa do rapaz, indignados coma brincadeira sem graça do amigo. Como já era tarde, ele se prepara para dormir. Entra em seu quarto, deita em sua cama e começa uma oração. No meio de sua prece, ele sente uma dor muito forte no peito. Seu pijama azul tem uma mancha escura e que vai aumentando. O jovem coloca a mão na boca para conter um grito, mas percebe que sua boca também está sangrando. Seu nariz pinga mais sangue ainda, marcando o chão com poças avermelhadas.


Desesperado, ele vai ao quarto de seus pais e os encontram enforcados, pendurados no lustre sobre a cama, movimentando seus braços em busca do corpo do rapaz. 

Os gritos e palavras mórbidas ecoam por toda a casa: 

- Maldito. Porquê você fez isso? 

O jovem corre para fora de casa e bate na porta da casa de seus amigos. Ninguém atende. Seus gritos misturados com suas lágrimas pintam seu rosto de vermelho. Cansado de gritar, ele fica em silêncio, mas ouve algumas gargalhadas. 

Tentando descobrir de onde vem as vozes, ele corre em direção ao som, e percebe que saem da garagem de sua própria casa. Ao abrir a porta, ele se depara com uma cena macabra: Seus três amigos, sentados no chão, fazendo o jogo do copo. 

As gargalhadas eram assustadores, como crianças que se divertem com um brinquedo novo. Chegando mais perto, o jovem percebe que o copo se movia sozinho, sem nenhum dedo no tabuleiro. O copo fazia movimentos repetitivos para as palavras P-A-L-H-A-Ç-O. Movimentos cada vez mais rápidos formavam a palavra P-A-L-H-A-Ç-O, P-A-L-H-A-Ç-O, P-A-L-H-A-Ç-O, até que o copo explode.

 Assustado, suado e com muito medo, o jovem acorda. Sim, foi um sonho. Ele olha a sua volta e não há sangue. O silêncio reina pela casa. 

Mais calmo, ele vai até o banheiro, onde tem uma surpresa ao se olhar no espelho: Seus olhos e sua boca, vermelhos de sangue, formam uma pintura de palhaço. Mesmo jogando água em sua face, a mancha não sai. Em um ato de desespero, o rapaz corre para o quarto dos pais. 

Quando ele abre a porta, encontra seu pai de pé, em frente à porta com uma arma na mão. Antes que ele pudesse pronunciar qualquer palavra, um único som toma conta de toda a casa: P-U-M. 

No dia seguinte, todos os seus amigos vão ao velório de seu colega: O jovem palhaço que morreu com um tiro na cabeça.
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Conto de Reinaldo Ferraz

terça-feira, 9 de agosto de 2011

A mulher da meia-noite

A Mulher da Meia Noite, também Dama de Vermelho, Dama de Branco, é um mito universal. Ocorre nas Américas e em toda Europa. É uma aparição na forma de uma bela mulher, normalmente vestida de vermelho, mas pode ser também de branco. 

Alguns dizem, que é uma alma penada que não sabe que já morreu, outros afirmam que é o fantasma de uma jovem assassinada que desde então vaga sem rumo. Na verdade ela não aparece à meia-noite, e sim, desaparece nessa hora. Linda como é, parece uma jovem normal.

Gosta de se aproximar de homens solitários nas mesas de bar. Senta com ele, e logo o convida para que a leve para casa. Encantado com tamanha beleza, todos topam na hora. Eles caminham, e conversando logo chegam ao destino. Parando ao lado de um muro alto, ela então diz ao acompanhante: "É aqui que eu moro...". É nesse momento que a pessoa se dá conta que está ao lado de um cemitério, e antes que possa dizer alguma coisa, ela desaparece, e nessa hora, o sino da igreja anuncia que é meia noite. 

Outras vezes, ela surge nas estradas desertas, pedindo carona. Então pede ao motorista que a acompanhe até sua casa. E, mais uma vez a pessoa só percebe que está diante do cemitério, quando ela com sua voz suave e encantadora diz: "É aqui que eu moro, não quer entrar comigo...?". Gelado da cabeça aos pés, a única coisa que a pessoa vê, é que ela acabou de sumir diante dos seus olhos, à meia-noite em ponto. 

Fonte: http://www.sousampaio.com/Default.aspx?tabid=44

Cuca

Vai-te, coca, sai daqui / Para cima do telhado / Deixa o menino / Dormir sossegado  / Nana, neném / Que a cuca vem pegar / Papai tá na roça / Mamãe foi cozinhar...

A cuca é um papão, um ente fantástico que mete medo às crianças causando pavor. Sua aparência varia de lugar para lugar, mas a maioria das pessoas diz que ela tem a forma de uma velha, bem velha e enrugada, corcunda, cabeleira branca, toda desgrenhada, com aspecto assustador. 

Ela só aparece à noite, sempre procurando por aquelas crianças que fazem pirraça e não querem ir dormir cedo. Então, a cuca as coloca num saco, levando-as embora para não se sabe onde e faz com elas não se sabe bem o que, mas, com toda certeza, trata-se de algo muito terrível.

Ela também é chamada de "coca" ou "coco" e assombra crianças de Portugal, Espanha, alguns países africanos e tribos indígenas brasileiras. Em alguns lugares ela é um velho, em outros, se parece com um jacaré ou uma coruja. 

Existem muitas canções e versos sobre a cuca.Luís da Câmara Cascudo, em Geografia dos mitos do Brasil, indica a seguinte cantiga, comum no Nordeste brasileira:

Dorme, neném 
Se não a cuca vem
Papai foi pra roça 
Mamãe logo vem

Fonte: Catavcento - Jangada Brasil

Porca-dos-sete-leitões

"A porca-dos-sete-leitões... Essa gosta mais de vivê rodeano igreja na vila e as cruis da estrada, c'oa leitoada chorando de atrais.  — É má?... — Cumo quê... — Intê que não... — interrompeu a Cristina... — Essa sombração é muito bão: só persegue os home casado que vem fora de hora pra casa..."  (Cornélio Pires. Conversas ao pé do fogo)

Aparece sempre à noite, atrás das igrejas, nas encruzilhadas, nos becos escuros, perto dos cruzeiros ou nas ruas desertas. A porca, roncando surdamente, é acompanhada de seus sete filhotinhos, que berram ao seu redor. Não faz mal a ninguém. Dizem que ela prefere assombrar os homens casados que voltam para casa fora de hora. Se o homem volta-se para encará-la, porca e leitões somem depois de alguns segundos, reaparecendo e sumindo novamente. 

É mito de origem portuguesa e ocorre principalmente nas regiões centrais e meridionais do Brasil. 

Na versão recolhida por Karl von den Steinen, em Cuiabá, é a alma de uma mulher pecadora que interrompeu a gravidez. Tantos quantos forem os abortos, serão os leitões. Em algumas versões paulistas, é uma rainha que teve sete filhos e foram amaldiçoados por vingança de um feiticeiro. No imaginário português é o próprio diabo, ou coisa mandada por ele e, por vezes, também toma a forma de outros animais.

Segundo Luís da Câmara Cascudo (Dicionário do folclore brasileiro) : "A porca, símbolo clássico dos baixos apetites carnais, sexualidade, gula, imundície, surge inopinadamente diante dos freqüentadores dos bailes noturnos e locais de prazer".

Fonte: Catavento - Jangada Brasil.

Mboi-tatá

"Mas de verão, depois da quentura dos mormaços, começa o seu fadário. A boitatá, toda enroscada, como uma bola – tatá, de fogo! – empeça a correr o campo, coxilha abaixo, lomba acima, até que horas da noite!..." (João Simões de Lopes Neto. Lendas do Sul

Também chamada de batatão, boitatá, bitatá, batatá, baitatá, biatatá, Jean de la foice ou Jean Delafosse.

É grande a sinonímia da mboi-tatá no Brasil. Mboi, cobra, ou então, o agente, a coisa; tatá, fogo. A cobra de fogo, a coisa de fogo. 

Segundo Luís da Câmara Cascudo é o primeiro mito a ser registrado no Brasil. 

Foi o padre José de Anchieta quem o referiu pela primeira vez, na Carta de São Vicente, datada de 31 de maio de 1560, como "um facho cintilante correndo para ali; acomete rapidamente os índios e mata-os..." 

Uma serpente de fogo, saltitante. Para muitos é uma alma penada. É mito que ocorre em todas as regiões do Brasil e o correspondente ao fogo-fátuo europeu. Alguns acreditam-na uma espécie de defensora das matas, outros, o resultado de uma união sacrílega. Dizem que o viajante, ao encontrá-la, deve fechar os olhos e permanecer parado, imóvel, então ela desaparecerá. Caso contrário, a mboitatá o perseguirá, infernizando-o até matá-lo.

Fonte: Catavento - Jangada Brasil.

A loira do banheiro

Ela vive nos banheiros das escolas. Possui farta cabeleira loira, é muito pálida, tem os olhos fundos e as narinas tapadas por algodão, a fim de que o sangue não escorra. Causa pânico entre os estudantes.

Dizem que era uma aluna que gostava de cabular as aulas, escondendo-se no banheiro. Um dia, caiu, bateu com a cabeça e morreu. Agora, seu fantasma vaga à espera de companhia, assombrando todos aqueles que fazem o mesmo que ela costumava fazer. Em outras versões, é uma professora que se apaixonou por um aluno. Terminou assassinada, a facadas, pelo marido traído. Tem o rosto e o corpo ensangüentados, as roupas em frangalhos.

Loura ou loira do banheiro, menina do algodão, big loura. Lenda urbana contemporânea que ocorre, com modificações, em todas as regiões do Brasil. Algumas vezes é uma mulher feita, outras vezes, uma menina. Os locais de sua aparição podem variar: escolas, centros comerciais, hospitais. Entre os caminhoneiros, surge nos banheiros de estrada, de costas, linda, corpo perfeito, belas pernas. Porém, ao se voltar para sua vítima, com o rosto sangrento, causa o horror. 

Acredita-se, também, que seja possível invocá-la. Para isto, basta apertar a descarga por três vezes seguidas ou chutar, com força, o vaso sanitário. Então, ela aparecerá, pronta para atacar a primeira pessoa que entrar no banheiro. 

Fonte: Catavento - Jangada Brasil.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Zaoris

Zahorí - ilustração na obra de Pierre Le
Brun, Historia crítica de las prácticas
supersticiosas, 1732
"Depois, desceu, sempre com ela; em sete noites de sexta-feira ensinou-lhe a vaquenagem de todas as furnas recamadas de tesouros escondidos... escondidos pelos cauílas, perdidos para os medrosos e achadios de valentes... E a mais desses, muitos outros tesouros que a terra esconde e que só os olhos dos zaoris podem vispar..." (João Simões Lopes Neto, A salamanca do jarau)

Todos aqueles que nascem em uma sexta-feira da Paixão são zaoris. Têm o aspecto de homens comuns. Seus olhos, porém, são muito brilhantes, de um brilho mágico, misterioso. Possuem o poder de ver através de corpos opacos, terras ou montanhas, conseguindo assim localizar tesouros escondidos. Barras de ouro ou prata, jóias, pedras preciosas, armas raras, nada escapa ao olhar mágico do zaori, mesmo que esteja enterrado sob vinte metros de terra.

É mito de origem árabe, que denuncia o velho hábito de enterrar dinheiro para fugir dos impostos, sendo muito popular também na Espanha. No Brasil, ocorre principalmente no Rio Grande do Sul. Também estão presentes no fabulário da região do Rio da Prata, Chile e Paraguai, localizando as riquezas e tesouros enterrados pelos jesuítas ou por príncipes incas, na tentativa de salvaguardar seu ouro dos espanhóis. 

Uma vez que os proprietários originais de tais riquezas não podem mais usufruí-las, os zaoris as localizam para aquelas pessoas que ganham a sua simpatia. Contudo, não podem utilizar seu dom em uso próprio. Toda a riqueza que encontram sempre deverá reverter para benefício de outrem.

Fonte: Jangada Brasil.

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Para saber mais sobre os zaoris: Cascudo, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1954 | 9ª edição: Rio de Janeiro, Ediouro, sd | Geografia dos mitos brasileiros. 2ª ed. São Paulo, Global Editora, 2002, p.350-352; Teschauer, Carlos, padre. "A lenda do ouro". Revista do Instituto Histórico do Ceará, v.25, p.3-49, Fortaleza, 1911 | "A lenda do ouro", resumo. Almanaque do Globo, Porto Alegre, 1927, p.113; Lopes Neto, João Simões de. Contos gauchescos. 9ª ed. Porto Alegre, Editora Globo, 1976 (Coleção Província).

Vaqueiro misterioso

...era um vaqueiro ambulante, misteriosamente aparecendo por fazendas em ocasiões de difíceis vaquejadas em que pintava proezas admiráveis. Nos sertões do norte mineiro dele se fala ainda com essa crença supersticiosa cheia de infância e desalinho, marcando datas, lugares, perigos inimagináveis, quase impossíveis, salvando gerações, vivendo de todos e por toda a parte, sempre o mesmo, inextinguível. Franzino, mulato de mediana estatura, pouco idoso, falando pouco e muito descansado, sempre vestido de perneira e gibão, cavalgando eternamente uma égua muito feia e magra ocultando a larga fronte, olhar expressivo e barba espessa e comprida sob um grande e desabado chapéu de couro — tal a figura simpática do Borges. Quase nunca era procurado porque, boêmio dos campos, sua residência certa ignorava-se.” (Manuel Ambrósio. Brasil interior)

Ele aparece de repente nas fazendas ou em regiões pastoris. Não se sabe ao certo de onde veio ou onde nasceu . Tem vários nomes e, algumas vezes, nome nenhum. Sua montaria é um cavalo velho ou uma égua de aparência cansada, imprestáveis. Está sempre vestido humildemente, com um gibão de couro surrado e chapéu de vaqueiro, encobrindo o seu olhar misterioso.

Aparece nas ocasiões onde há vaquejadas ou apanha de gado novo, ferra ou batida para campear. Devido à sua aparência, torna-se alvo de zombaria dos demais vaqueiros e campeadores. Contudo, vence a todos os outros. É o mais ágil, mais destro, mais afoito deles. O sabedor de segredos infalíveis, o melhor, o herói. É aclamado pela multidão, desejado pelas mulheres, o convidado de honra do fazendeiro. Ele, porém, recusa todas as honrarias e desaparece da mesma forma que surgiu. Ninguém sabe como e nem para onde foi.

É mito de origem lusitana, com variações locais, que ocorre em todas as regiões de pastorício no Brasil: Nordeste, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e Bahia. Para Luís da Câmara Cascudo, "moralmente, é um símbolo da velha profissão heróica, sem registros e sem prêmios, contando-se as vitórias anônimas superiores às derrotas assistidas pelas serras, grotões e várzeas, testemunhas que nunca prestarão depoimento para esclarecer o fim terrível daqueles que vivem correndo atrás da morte."

Fonte: Jangada Brasil.
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