sábado, 26 de janeiro de 2013

Agathodemon

O "bom espírito" ou um demônio benevolente, oriundo provavelmente do Antigo Egito. Segundo o "Dicionário Mágico" é um termo grego, designando um demônio benéfico que acompanha a pessoa durante toda a vida, manifestando-se quando isso se faz necessário para proteger o indivíduo de um perigo, ajudá-lo a resolver uma dúvida, etc.

Afirmava-se que o filósofo Sócrates possuía um demônio desse tipo, de extraordinário poder.

Na antiga religião grega, Agathos Daimon ou Agathodemon (do grego ἀγαθὸς δαίμων, significando "nobre espírito") era um demônio ou espírito que preside a vinhas e searas. Um espírito companheiro, semelhante ao romano gênio, garantindo a boa sorte, saúde e sabedoria.

Embora seja pouco notado na mitologia grega (Pausanias, suspeitando que o nome era um epíteto meramente Zeus), ele foi destaque na religião. Era costume beber ou derramar algumas gotas de vinho para homenageá-lo em cada simpósio ou em banquetes. Um templo dedicado a ele foi localizado na estrada de Megalópoles para Maenalus em Arcádia.

Agathos Daimon foi o cônjuge ou companheiro de Tyche Agathe (Τύχη Ἀγαθή: Boa Fortuna; latim: Agatha). Sua presença pode ser representada na arte como uma serpente ou mais concretamente como um jovem carregando uma cornucópia e uma tigela na mão, e uma papoula e uma espiga de grão em outra. O Agathodemon mais tarde foi adaptado como o demônio da fortuna, particularmente da abundância contínua dos bens de uma família, como alimentos e bebidas.

No sincretismo religioso da antiguidade, a figura de Agathodemon está ligada aos amuletos egípcios de segurança e boa sorte: uma jóia esculpida com símbolos mágicos tem as imagens de Serapis com o crocodilo, o sol-leão e Osíris cercado por uma cobra com cabeça de leão.

Fontes: Wikipédia; Dicionário Mágico.

Aeromancia

Aeromancia é a arte de predizer o futuro mediante a observação de formações gasosas no ar, ventos, nuvens e fenômenos do céu. Vem do grego "aero", que significa "ar" e "mancia" que significa "adivinhaçao".

Baseada, principalmente, nas direções do vento, uma das variações inclui atirar-se punhados de areia ou poeira ao vento, e estudar-se a forma resultante da nuvem de pó que se formava para responder-se à questão proposta.

Outra variante consistia em jogar ao vento um punhado de sementes, as quais, ao cair ao solo, formavam um desenho ou figura que era interpretado de forma análoga àadivinhação pelas folhas de chá.

Fontes: Dicionário Mágico; Elgrantarot.es.

O Êxodo: versão científica


Não há registro arqueológico ou histórico da existência de Moisés ou dos fatos descritos no Êxodo. A libertação dos hebreus, escravizados por um faraó egípcio, foi incluída na Torá provavelmente no século VII a.C., por obra dos escribas do Templo de Jerusalém, em uma reforma social e religiosa. Para combater o politeísmo e o culto de imagens, que cresciam entre os judeus, os rabinos inventaram um novo código de leis e histórias de patriarcas heróicos que recebiam ensinamentos diretamente de Jeová. Tais intenções acabaram batizadas de "ideologia deuteronômica", porque estão mais evidentes no livro Deuteronômio.

A prova de que esses textos são lendas estaria nas inúmeras incongruências culturais e geográficas entre o texto e a realidade. Muitos reinos e locais citados na jornada de Moisés pelo deserto não existiam no século XIII a.C., quando o Êxodo teria ocorrido. Esses locais só viriam a existir 500 anos depois, justamente no período dos escribas deuteronômicos. Também não havia um local chamado Monte Sinai, onde Moisés teria recebido os Dez Mandamentos. Sua localização atual, no Egito, foi escolhida entre os séculos IV e VI d.C., por monges cristãos bizantinos, porque ele oferecia uma bela vista. Já as Dez Pragas seriam o eco de um desastre ecológico ocorrido no Vale do Nilo quando tribos nômades de semitas estiveram por lá.

Vejamos agora o caso de Abraão, o patriarca dos judeus. Segundo a Bíblia, ele era um comerciante nômade que, por volta de 1850 a.C., emigrou de Ur, na Mesopotâmia, para Canaã (na Palestina). Na viagem, ele e seus filhos comerciavam em caravanas de camelos. Mas não há registros de migrações de Ur em direção a Canaã que justifiquem o relato bíblico e, naquela época, os camelos ainda não haviam sido domesticados. Aqui também há erros geográficos: lugares citados na viagem de Abraão, como Hebron e Bersheba, nem existiam então. Hoje, a análise filológica dos textos indica que Abraão foi introduzido na Torá entre os séculos VIII e VII a.C. (mais de 1 000 anos após a suposta viagem).

Então, como surgiu o povo hebreu? Na verdade, hebreus e canaanitas são o mesmo povo. Por volta de 2000 a.C., os canaanitas viviam em povoados nas terras férteis dos vales, enquanto os hebreus eram nômades das montanhas. Foi o declínio das cidades canaanitas, acossadas por invasores no final da Idade do Bronze (300 a.C. a 1000 a.C.), que permitiu aos hebreus ocupar os vales.

Segundo a Bíblia, os hebreus conquistaram Canaã com a ajuda dos céus: na entrada de Jericó, o exército hebreu toca suas trombetas e as muralhas da cidade desabam, por milagre. Mas a ciência diz que Jericó nem tinha muralhas nessa época. A chegada dos hebreus teria sido um longo e pacífico processo de infiltração.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

O Dilúvio: versão científica


No Gênesis, a história do dilúvio é uma das poucas que ainda alimenta o interesse dos cientistas, depois que os físicos substituíram a criação do mundo pelo Big Bang e Darwin substituiu Adão pelos macacos. O que intrigou os pesquisadores foi o fato de uma história parecida existir no texto épico babilônico de Gilgamesh - o que sugere que uma enchente de enormes proporções poderia ter acontecido no Oriente Médio e na Ásia Menor.

Parte do mistério foi solucionado quando os filólogos conseguiram demonstrar que a narrativa do Gênesis é uma apropriação do mito mesopotâmico.

"Não há dúvida de que os hebreus se inspiraram no mito de Gilgamesh para contar a história do dilúvio", afirma Rafael Rodrigues da Silva, professor do Departamento de Teologia da PUC de São Paulo, especialista na exegese do Antigo Testamento.

O povo hebreu entrou em contato com o mito de Gilgamesh no século VI a.C. Em 598 a.C., o rei babilônico Nabucodonosor, depois de conquistar a Assíria, invadiu e destruiu Jerusalém e seu templo sagrado. No ano seguinte, os judeus foram deportados para a Babilônia como escravos. O chamado exílio babilônico durou 40 anos.

Em 538 a.C., Ciro, o fundador do Império Persa, depois de submeter a Babilônia permitiu o retorno dos judeus à Palestina. Os rabinos ou "escribas" começaram a reconstruir o Templo e a reescrever o Gênesis para, de alguma forma, dar um sentido teológico à terrível experiência do exílio. Assim, a ameaça do dilúvio seria uma referência à planície inundável entre os rios Tigre e Eufrates, região natal de Nabucodonosor; os 40 dias de chuva seriam os 40 anos do exílio; e a aliança final de Deus com Noé, marcada pelo arco-íris, uma promessa divina de que os judeus jamais seriam exilados.

Solucionado o mistério do dilúvio na Bíblia, continua o da sua origem no texto de Gilgamesh. No final da década de 90, dois geólogos americanos da Universidade Columbia, Walter Pittman e Willian Ryan, criaram uma hipótese: por volta do ano 5600 a.C., ao final da última era glacial, o Mar Mediterrâneo havia atingido seu nível mais alto e ameaçava invadir o interior da Ásia na região hoje ocupada pela Turquia, mais precisamente a Anatólia. Num evento catastrófico, o Mediterrâneo irrompeu através do Estreito de Bósforo, dando origem ao Mar Negro como o conhecemos hoje. Um imenso vale de terras férteis e ocupado por um lago foi inundado em dois ou três dias.

Os povos que ocupavam os vales inundados tiveram que fugir às pressas e o mais provável é que a maioria tenha morrido. Os sobreviventes, porém, tinham uma história inesquecível, que ecoaria por milênios. Alguns deles, chamados ubaids, atravessaram as montanhas da Turquia e chegaram à Mesopotâmia, tornando-se os mais antigos ancestrais de sumérios, assírios e babilônios. Estaria aí a origem da narrativa de Gilgamesh. Essa teoria foi recebida por arqueólogos e antropólogos como fantástica demais para ser verdadeira.

No entanto, no verão de 2000, o caçador de tesouros submersos Robert Ballard, o mesmo que encontrou os restos do Titanic, levou suas poderosas sondas para analisar o fundo do Mar Negro nas proximidades do que deveriam ser vales de rios antes do cataclisma aquático. Ballard encontrou restos de construções primitivas e a análise da lama colhida em camadas profundas do oceano provaram que, há 7 600 anos, ali existia um lago de água doce. A hipótese do grande dilúvio do Mar Negro estava provada.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

A Bíblia passada a limpo

Descobertas recentes da arqueologia indicam que a maior parte das escrituras sagradas não passam de lenda. A disputa entre ciência e religião pela posse da verdade é antiga. No Ocidente, começou no século XVI, quando Galileu defendeu a tese de que a Terra não era o centro do Universo. Essa primeira batalha foi vencida pela Igreja, que obrigou Galileu a negar suas idéias para não ser queimado vivo. Mas o futuro dessa disputa seria diferente: pouco a pouco, a religião perdeu a autoridade para explicar o mundo. 

Quando, no século XIX, Darwin lançou sua teoria sobre a evolução das espécies, contra a idéia da criação divina, o fosso entre ciência e religião já era intransponível.

Nas últimas décadas, a Bíblia passou a ser alvo de ciências como a filologia (o estudo da língua e dos documentos escritos), a arqueologia e a história. E o que os cientistas estão provando é que o livro mais importante da história é, em sua maior parte, uma coleção de mitos, lendas e propaganda religiosa.

Primeiro livro impresso por Guttemberg, no século XV, e o mais vendido da história, a Bíblia reúne escritos fundamentais para as três grandes religiões monoteístas - Judaísmo, Cristianismo e Islamismo. Na verdade, a Bíblia é uma biblioteca de 73 livros escritos em momentos históricos diferentes. O Velho Testamento, aceito como sagrado por judeus, cristãos e muçulmanos, é composto de 46 livros que pretendem resumir a história do povo hebreu desde o suposto chamamento de Abraão por Deus, que teria ocorrido por volta de 1850 a.C., até a conquista da Palestina pelos exércitos de Alexandre Magno e as revoltas do povo judeu contra o domínio grego, por volta de 300 a.C. Os 27 livros do Novo Testamento abarcam um período bem menor: cerca de 70 anos que vão do nascimento de Jesus à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C.

O coração do Velho Testamento são os primeiros cinco livros, que compõem a Torá do Judaísmo (a palavra significa "lei", em hebraico). Em grego, o conjunto desses livros recebeu o nome de Pentateuco ("cinco livros"). São considerados os textos "históricos" da Bíblia, porque pretendem contar o que ocorreu desde o início dos tempos, inclusive a criação do homem - que, segundo alguns teólogos, teria ocorrido em 5000 a.C. O Pentateuco inclui o Gênesis (o "livro das origens", que narra a criação do mundo e do homem até o dilúvio universal), o Êxodo (que narra a saída dos judeus do Egito sob a liderança de Moisés) e os Números (que contam a longa travessia dos judeus pelo deserto até a chegada a Canaã, a terra prometida).

Das três ciências que estudam a Bíblia, a arqueologia tem se mostrado a mais promissora. "Ela é a única que fornece dados novos", diz o arqueólogo israelense Israel Finkelstein, diretor do Instituto de Arqueologia da Universidade de Tel Aviv e autor do livro The Bible Unearthed (A Bíblia desenterrada, inédito no Brasil), publicado no ano passado. A obra causou um choque em estudiosos de arqueologia bíblica, porque reduz os relatos do Antigo Testamento a uma coleção de lendas inventadas a partir do século VII a.C.
O Gênesis, por exemplo, é visto como uma epopéia literária. O mesmo vale para as conquistas de David e as descrições do império de Salomão.

A ciência também analisa os textos do Novo Testamento, embora o campo de batalha aqui esteja muito mais na filologia. A arqueologia, nesse caso, serve mais para compor um cenário para os fatos do que para resolver contendas entre as várias teorias. O núcleo central do Novo Testamento são os quatro evangelhos. A palavra evangelho significa "boa nova" e a intenção desses textos é clara: propagandear o Cristianismo. Três deles (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados sinóticos, o que pode ser traduzido como "com o mesmo ponto de vista". Eles contam a mesma história, o que seria uma prova de que os fatos realmente aconteceram. Não é tão simples. O problema central do Novo Testamento é que seus textos não foram escritos pelos evangelistas em pessoa, como muita gente supõe, mas por seus seguidores, entre os anos 60 e 70, décadas depois da morte de Jesus, quando as versões estavam contaminadas pela fé e por disputas religiosas.

Nessa época, os cristãos estavam sendo perseguidos e mortos pelos romanos, e alguns dos primeiros apóstolos, depois de se separarem para levar a "boa nova" ao resto do mundo, estavam velhos e doentes. Havia, portanto, o perigo de que a mensagem cristã caísse no esquecimento se não fosse colocada no papel. Marcos foi o primeiro a fazer isso, e seus textos serviram de base para os relatos de Mateus e Lucas, que aproveitaram para tirar do texto anterior algumas situações que lhes pareceram heresias. "Em Marcos, Jesus é uma figura estranha que precisa fazer rituais de magia para conseguir um milagre", afirma o historiador e arqueólogo André Chevitarese.

Para tentar enxergar o personagem histórico de Jesus através das camadas de traduções e das inúmeras deturpações aplicadas ao Novo Testamento, os pesquisadores voltaram-se para os textos que a Igreja repudiou nos primeiros séculos do Cristianismo. Ignorados, alguns desapareceram. Mas os fragmentos que nos chegaram tiveram menos intervenções da Igreja ao longo desses 2 000 anos. Parte desses evangelhos, chamados "apócrifos" (não se sabe ao certo quem os escreveu), fazem parte de uma biblioteca cristã do século IV descoberta em 1945 em cavernas do Egito. Os evangelhos estavam escritos em língua copta (povo do Egito).

O fato de esses textos terem sido comprovadamente escritos nos primeiros séculos da era cristã não quer dizer que eles sejam mais autênticos ou contenham mais verdades que os relatos que chegaram até nós como oficiais. Pelo contrário, até. Os coptas, que fundariam a Igreja cristã etíope, foram considerados hereges, porque não aceitavam a dupla natureza de Jesus (humana e divina). Para eles, Jesus era apenas divino e os textos apócrifos coptas defendem essa versão. Mesmo assim, eles trazem pistas para elucidar os fatos históricos.

A tentativa de entender o Jesus histórico buscando relacioná-lo a uma ou outra corrente religiosa judaica também foi infrutífera, como ficou demonstrado no final da tradução dos pergaminhos do Mar Morto, anunciada recentemente. Esses papéis, achados por acaso em cavernas próximas do Mar Morto, em 1947, criaram a expectativa de que pudesse haver uma ligação entre Jesus e os essênios, uma corrente religiosa asceta, cujos adeptos viviam isolados em comunidades purificando-se à espera do messias. O fim das traduções indica que não há qualquer ligação direta entre Jesus e os essênios, a não ser a revolta comum contra a dominação romana.

O resultado é que, depois de dois milênios, parece impossível separar o verdadeiro do falso no Novo Testamento. O pesquisador Paul Johnson, autor de A História do Cristianismo, afirma que, se extrairmos, de tudo o que já se escreveu sobre Jesus, só o que tem coerência histórica e é consenso, restará um acontecimento quase desprovido de significado. "Esse 'Jesus residual' contava histórias, emitiu uma série de ditos sábios, foi executado em circunstâncias pouco claras e passou a ser, depois, celebrado em cerimônia por seus seguidores."

O que sabemos com certeza é que Jesus foi um judeu sectário, um agitador político que ameaçava levantar os dois milhões de judeus da Palestina contra o exército de ocupação romano. Tudo o mais que se diz dele precisa da fé para ser tomado como verdade. Assim como aconteceu com Moisés, David e Salomão do Velho Testamento, a figura de Jesus sumiu na névoa religiosa.

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por Vinícius Romanini
Para a Revista SuperInteressante

Adramelech

Adramelech é um dos dez sephiroths negativos (sephiroth, em hebreu, significa "contagem","números", "estatísticas"; as dez emanações de Ain Soph na cabala), comandados por Samael, o Anjo do Envenenamento. Seu culto teve origem provável na Síria, mais tarde sendo introduzido na Samária.

Nos cultos a Adramelech, crianças eram sacrificadas.

Na demonologia, Adramelech é considerado o grande embaixador do inferno, superintendente do guarda-roupa do demônio e presidente do supremo concílio do inferno. Ele freqüentemente aparece sob a forma de uma mula ou um pavão.

Na religião suméria de Adramelech (Adrammelech), ele era considerado o Deus-Sol sendo assim o centro da religião ,em sua descrição ele é tido como homem e faz uma espécie de contaraste com Anammelech, deusa-lua.

Adremelech faz aparições em diversos RPG's, como Final Fantasy Tactics Advance e Castlevania: Circle of the Moon.

Fontes: Dicionário Mágico; Wikipédia.

Alquimia: ciência ou seita?

O Alquimista - Pintura de Sir William Fettes Douglas (1822 - 1891)
Alquimia vem do árabe AL-Khemy, e quer dizer "a química". Esta ciência começou a se desenvolver por volta do século III a. C. em Alexandria, Egito, o centro de convergência da época e de recriação das tradições gregas, pitagóricas, platônicas, estóica, egípcias e orientais. Deve sua existência à mistura de três correntes: a filosofia grega, o misticismo oriental e a tecnologia egípcia. Obteve grande êxito na metalurgia, na produção de papiros e na aparelhagem de laboratório, mas não conseguiu seu principal objetivo: a Pedra Filosofal.

Os preceitos e axiomas alquímicos encontram-se condenados na misteriosa “Tábua Esmeraldina” (a esmeralda era considerada como a pedra preciosa mais formosa e mais cheia de simbolismo: a flor do céu), um dos quarenta e dois livros da doutrina hermética atribuídos a Hermes Trimegisto.

Hermes "Trismegisto" (isto é, três vezes grande) é identificado como sendo o deus egípcio Toth, que é uma representação do poder intelectual. Referências a ele já existiam nos tempos do filósofo Platão, por volta do ano 400 a. C.. Diz a lenda que os preceitos de Hermes foram gravados em uma esmeralda, o que deu origem ao nome "Tábua de Esmeralda". Os preceitos e ensinamentos de Hermes pautaram o trabalho dos alquimistas, que em suas obras faziam referências à Tábua de Esmeralda pelo seu nome latinizado, Tábula Smaragdia.

São preceitos metafísicos bastante avançados e complexos, de forma que só eram compreendidos pelos iniciados. Do nome de Hermes derivou o termo "hermético" e o "hermetismo", que significam "aquilo que é fechado, restrito". Algo que é hermeticamente fechado significa inacessível. Ensinamentos herméticos são restritos aos iniciados e pessoas comprometidas com determinada área do ocultismo.

Os sábios que dedicaram sua vida inteira à pesquisa alquímica pretendiam transformar os materiais opacos em metais brilhantes e nobres. Em suas recolhas de laboratórios realizavam valiosas pesquisas e idealizaram uma linguagem cheia de símbolos indecifráveis para, deste modo, burlar a vigilância a que estavam submetidos por parte daqueles regulamentos sociais, que em todos os tempos tem considerado como tarefa prioritária a perseguição, ou desqualificação daqueles que se atrevem a discordar e não compartilhar dos convencionalismos. Os grandes personagens do pensamento hermético e esotérico anotavam sua investigações em códigos e as chaves decifradoras só eram conhecidas pelos iniciados. Com isso muitos alquimistas se separavam da sociedade, formando seitas secretas e seu engajamento era feito através de juramentos:

“Eu te faço jurar pelos céus, pela terra, pela luz e pela trevas; Eu te faço jurar pelo fogo, pelo ar, pela terra e pela água; Eu te faço jurar pelo mais alto dos céus, pelas profundezas da terra e pelo abismo do tártaro; Eu te faço jurar por Mercúrio e por Anubis, pelo rugido do dragão Kerkorubos e pelo latido do cão de três tetas, Cérbero, guardião do inferno; Eu te conjuro pelas três Parcas, pelas três fúrias e pela espada a não revelar a pessoa alguma nossas teorias e técnicas”.

Devido às suas origens, a alquimia apresentou um caráter místico, pois absorveu as ciências ocultas da Mesopotâmia, Pérsia, Caldéia, Egito e Síria. A arte hermética da alquimia já nasceu em lenda e mistério. Os alquimistas usavam fórmulas e recitações mágicas destinadas a invocar deuses e demônios favoráveis as operações químicas. Por isso muitos eram acusados de pacto com o demônio, presos, excomungados e queimados vivos pela Inquisição da Igreja Católica.

Por questão de sobrevivência, os manuscritos alquímicos foram elaborados em formas de poemas alegóricos, incompreensíveis aos não iniciados. Mais de dois mil anos antes do início da nossa era, os babilônios e os egípcios, procuravam obter ouro artificialmente, e já se interessavam pela transformação dos metais em ouro. Nessa época, a prática da alquimia era realizada sob o mais absoluto dos segredos, pois era considerada uma ciência oculta. Sob a influência das ciências advindas do Oriente Médio, os alquimistas passaram a atribuir propriedades sobrenaturais às plantas, letras, pedras, figuras geométricas e os números eram usados como amuletos, como o 3, o 4 e o 7.

Em função das condenações proclamadas pela Igreja Católica aos alquimistas, durante a Idade Média, o cheiro de enxofre passou a ser associado ao diabo. Os alquimistas faziam suas experiências com enxofre comum, sendo denunciados pelos fortes cheiros emanados de suas casas ou laboratórios, o que permitia que fossem facilmente detectados e acusados de bruxaria e pacto com o demônio, pondo fim aos seus  trabalhos.

É também digno de registro a criação de Drácula, o vampiro, acusado de obter longevidade às custas do sangue humano. Seu surgimento não passou de uma bem sucedida tentativa para desmoralizar uma ordem mística alquimista, surgida na Idade Média, que trabalhava na obtenção do elixir da longevidade.

Importante também, é enumerar as muitas descobertas feitas por alquimistas em seus laboratórios, nas suas tentativas para atingir a Pedra Filosofal: Água-régia (mistura de ácido nítrico e clorídrico), arsênico, nitrato de prata (que produz ulcerações no tecido animal), acetato de chumbo, bicarbonato de potássio, ácidos sulfúrico, clorídrico, canfórico, benzóico e nítrico, sulfato de sódio e de amônia, fósforo, a potassa cáustica (hidróxido de potássio, que permitia a fabricação de sabões), entre muitas outras coisas que possibilitaram a evolução da humanidade.

O sucesso da alquimia na Europa se deve aos árabes, que introduziram idéias místicas acompanhadas por avanços práticos no procedimento químico como a destilação e a descoberta de novos metais e componentes.

Fonte: http://www.cdcc.usp.br/ciencia/artigos/art_25/alquimia.htmla

Adivinhação

Quiromancia
Adivinhação é o nome genérico para um enorme conjunto de técnicas mágicas destinadas a prever ou descobrir o futuro ou outros fatos desconhecidos. A adivinhação é praticada desde os tempos mais remotos até o presente imediato. Existe em todas as culturas, e em todos os níveis intelectuais. Assumiu uma grande variedade de formas.

No século XI antes de Cristo (I Samuel 2,8,3), Saul proibiu a adivinhação pela necromancia. Todos os tipos de adivinhos, inclusive os intérpretes de sonhos, feiticeiros, necromantes, foram condenados pelos maiores profetas.

Da mesma forma que a grande doutrina mágica do “acima, como abaixo” é o fundamento da astrologia, a sua conversão, "abaixo, como acima”, é a base de muitas formas de adivinhação.

Estudando os acontecimentos da terra, o feiticeiro ou adivinho pode descobrir as condições do céu. Ele pode, por exemplo, examinar o fígado de um carneiro para determinar se as condições celestes são favoráveis a um particular evento terrestre.

Este e outros altamente ecléticos métodos de predição do futuro estão baseados na assunção de que acontecimentos aparentemente sem importância constituem, na realidade, parte de um grande desenho do universo, e indicam a direção na qual o universo, como um todo, está movendo-se.

Entre os ramos da adivinhação estão:

Amniomancia — Observação do crânio de uma criança ao nascer.

Antropomancia — Consulta dos intestinos e órgãos internos de crianças sacrificadas (o imperador Juliano, o Apóstata, parece ter praticado este método de adivinhação).

Apantomancia — Observação de objetos que aparecem repentinamente.

Armomancia — Observação dos ombros e costas de um animal que foi sacrificado com esse propósito.

Aspidomancia — Adivinhação colocando-se no interior de um círculo mágico e caindo-se num estado de transe provocado pela recitação de fórmulas mágicas.

Belomancia — Adivinhação pela observação da trajetória de flechas.

Bibliomancia — Consulta de uma passagem ou linha de um livro, escolhida ao acaso.

Botanomancia — Adivinhação que queima os pequenos ramos de verbena ou outro vegetal, colocando-se no fogo, inscritas em papel, as perguntas que deverão ser respondidas 

Catoptromancia — Adivinhação por meio de lentes ou de espelhos mágicos. Esta prática esteve em voga na Roma antiga, e é mencionada por Apuleo, o filósofo e novelista romano, bem como por Pausanias, o viajor grego, e por Santo Agostinho.

Causimomancia. — Adivinhação pelo fogo (quando o objeto jogado ao fogo não queimava, o prognóstico era muito propício).

Dafomancia — Observação da maneira pela qual um ramo de louro, jogado ao fogo, queimava.

Empiromancia — Observação de objetos jogados ao fogo sacrificial.

Gastromancia — Adivinhação por meio de ventriloqüismo.

Geloscopia — Adivinhação pela interpretação do riso de uma pessoa.

Hepatoscopia — Observação do fígado de um animal morto.

Hipomancia — Observação do caminhar de um cavalo.

Ictiomancia — Observação das entranhas de um peixe.

Lampadomancia — Adivinhação por meio da chama de uma lâmpada ou vela.

Libanomancia — Observação das volutas da fumaça do incenso.

Mararitomancia — Adivinhação por meio de pérolas.

Oeniática — Observação do vôo dos pássaros.

Ovomancia — Adivinhação por meio de jogar-se ovos ao fogo e observar-se de que forma rebentavam.

Quiromancia — Observação das linhas da mão.

Xilomancia — Observação da posição dos gravetos no chão.

Fonte: Dicionário Mágico.

Adeptos

Adeptos são homens que, através da negação de si mesmos e do crescimento interior, dominam as ciências ocultas e preparam a si mesmos para assumirem funções no controle e manipulação do mundo. Os Adeptos possuem, segundo a crença, conhecimentos e poderes superiores.

A respeito diz Lewis Spencer: “Eles podem controlar as forças tanto do reino físico como do espiritual, e supostamente são capazes de prolongar suas vidas por muitos séculos."

São também conhecidos como Grande Fraternidade Branca, Rishis, Rahats ou Mahatmas. Aqueles que desejam honestamente trabalhar pela melhoria do mundo podem tornar-se aprendizes ou chelas de Adeptos, e nesse caso os últimos são chamados de "mestres”.

Mas o aprendiz necessita, em primeiro lugar, cumprir um aprendizado de negação do próprio ego e decrescimento interior, para que se possa servir aos instrutores. O mestre ensina um conhecimento e uma sabedoria que não podem ser encontrados de outra forma, e ajuda o aprendiz através da comunhão e da inspiração.

Madame Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, alegava ser discípula de alguns desses mestres, afirmava que eles residiam nas montanhas tibetanas do Himalaia.

Fonte: Dicionário Mágico

O Livro da Penitência de Adão

Título de um manuscrito que mostra que a divindade Seth, do Egito, foi na verdade um grande iniciado da ciência oculta. Esse documento, segundo consta na página 49 da "História da Magia", foi encontrado pelo ocultista e escritor francês Eliphas Levi (08/02/1810 - 31/05/1875) na Biblioteca do Arsenal em Paris:

"Adão teve dois filhos, Caim que representa a força brutal, Abel que representa a doçura inteligente. Eles não puderam entrar em acordo e morreram um pelo outro, por isso sua sucessão foi dada a um terceiro filho chamado Set.

Ora, Set, que era justo, pode chegar até a entrada do jardim terrestre sem que o querubim o afugentasse com sua espada flamejante. Set viu então que a Árvore da Ciência e a Árvore da Vida se achavam reunidas, formando uma só. E o anjo lhe deu três grãos que continham toda a força vital desta Árvore.

Quando Adão morreu, Set, seguindo as instruções do anjo, colocou os três grãos na boca de seu pai morto, como um penhor de vida eterna. Os ramos que saíram destes três grãos formaram a moita ardente, no meio da qual Deus revelou a Moisés seu nome eterno: 'O ser que é que foi e que será'.

Moisés colheu um triplo ramo da moita sagrada e foi para ele a vara dos milagres. Esta vara, se bem que separada de sua raiz, não deixou de viver e de florir e foi assim conservada na Arca.

O rei Davi plantou  esse ramo vivo na montanha de Sião, e Salomão mais tarde tomou a madeira desta árvore no triplo tronco para fazer dela as duas colunas Jakin e Boaz, que estavam na entrada do templo; ele as revestiu de bronze e pôs o terceiro pedaço de madeira mística no frontal da porta principal.

Era um talismã que impedia tudo o que era impuro de penetrar o templo, mas os levitas corrompidos arrancaram durante a noite esta barreira de suas iniqüidades e a arremessaram no fundo da piscina probática, enchendo-a de pedras.

A partir desse momento o anjo de Deus agitou todos os anos as águas da piscina e lhes comunicou uma virtude milagrosa para evitar que homens procurassem lá a árvore de Salomão.

No tempo de Jesus Cristo, limparam a piscina e os judeus achando este poste, inútil no pensar deles, levaram-no da cidade e fizeram uma ponte sobre o regato de Cedron.

Foi sobre esta ponte que Jesus passou depois de sua prisão noturna no Jardim das Oliveiras e foi do alto desta prancha que seus algozes o precipitaram para arrastá-lo na torrente e em sua precipitação em preparar de antemão o instrumento de suplício, eles levaram consigo a ponte que era uma tábua de três peças composta de três madeiras diferentes e com elas fizeram uma cruz."

Fontes: História da Magia - Editora Pensamento; Dicionário Mágico.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Marquês de Sade

Retrato de Sade em 1761
Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, (Paris, Île-de-France, Reino da França, 02/07/1740 — Saint-Maurice, Île-de-France, Reino da França, 02/12/1814), aristocrata francês e escritor libertino, teve muitas de suas obras escritas enquanto estava na Prisão da Bastilha, encarcerado diversas vezes, inclusive por Napoleão Bonaparte. De seu nome surge o termo médico sadismo, que define a perversão sexual de ter prazer na dor física ou moral do parceiro ou parceiros. Foi perseguido tanto pela monarquia (Antigo Regime) como pelos revolucionários vitoriosos de 1789 e depois por Napoleão.

Além de escritor e dramaturgo, foi também filósofo de idéias originais, baseadas no materialismo do século das luzes e dos enciclopedistas. Lido enquanto teoria filosófica, "o romance de Sade oferece um sistema de pensamento que desafia a concepção de mundo proposta pelos dois principais campos filosóficos no contexto da França pré-republicana: o religioso e o racionalista".

Sade era adepto do ateísmo e era caracterizado por fazer apologia ao crime (já que enfrentar a religião na época era um crime) e a afrontas à religião dominante, sendo, por isso, um dos principais autores libertinos - na concepção moderna do termo. Em suas obras, Sade, como livre pensador, usava-se do grotesco para tecer suas críticas morais à sociedade urbana.

Evidenciava, ao contrário de várias obras acerca da moralidade - como por exemplo o "Princípios da Moral e Legislação" de Jeremy Bentham- uma moralidade baseada em princípios contrários ao que os "bons costumes" da época aceitavam; moralidade essa que mostrava homens que sentiam prazer na dor dos demais e outras cenas, por vezes bizarras, que não estavam distantes da realidade. Em seu romance "120 Dias de Sodoma", por exemplo, nobres devassos abusam de crianças raptadas encerrados num castelo de luxo, num clima de crescente violência, com coprofagia, mutilações e assassinatos - verdadeiro mergulho nos infernos.

Duas personagens criadas por Sade foram suas idéias fixas durante décadas: Justine (que se materializou em várias versões de romance, ocupando muitos volumes), a ingênua defensora do bem, que sempre acaba sendo envolvida em crimes e depravações, terminando seus dias fulminada por um raio que a rompe da boca ao ânus quando ia à missa, e Juliette, sua irmã, que encarna o triunfo do mal, fazendo uma sucessão de coisas abjetas, como matar uma de suas melhores amigas lançando-a na cratera de um vulcão ou obrigar o próprio papa a fazer um discurso em defesa do crime para poder tê-la em sua cama.

As orgias com o papa Pio VI em plena Igreja de São Pedro, no Vaticano, fazem parte da trama sacrílega e ultrajante do romance Juliette, com a fala do pontífice transformada em agressivo panfleto político: "A Dissertação do Papa sobre o Crime". Sade tinha o costume de inserir panfletos político-filosóficos em suas obras. O panfleto "Franceses, mais um Esforço se Quiserdes Ser Republicanos", que prega a total ruptura com o cristianismo, foi por ele encampado ao romance "A Filosofia na Alcova" (Preceptores Morais), no qual um casal de irmãos e um amigo libertino "educam" a jovem Euginè para uma vida de libertinagem, mostrando-lhe aversão aos dogmas religiosos e costumes da época

Tanto o surrealismo como a psicanálise encamparam a visão da crueldade egoísta que a obra de Sade expõe despudoradamente. Um exemplo de influência do Marquês de Sade na arte do século 20 é o cineasta espanhol Luis Buñuel, que em vários filmes faz referências explícitas a Sade: em "A Idade do Ouro, por exemplo, retrata a saída de Cristo e dos libertinos do castelo das orgias de Os 120 dias de Sodoma". A influência de Sade pode ser notada também em autores como o dramaturgo francês Jean Genet, homossexual, ladrão e presidiário, que retoma muitos dos temas do marquês, também desenvolvidos em ambientes carcerários franceses.

A questão da suposta homossexualidade de Sade ("Terá sido Sade um pederasta?") foi formulada pela escritora francesa Simone de Beauvoir no clássico ensaio 'É preciso Queimar Sade? - Privilégios'. A autora conclui pela heterossexualidade de Sade, que sempre amou mulheres tolerantes a suas aventuras, embora tivesse um comportamento sexual atípico, defendendo o coito anal e chegando a pagar criados para sodomizá-lo publicamente em suas orgias, das quais a primeira mulher, Renné de Sade, teria participado.


Atualmente, estudiosos da cultura e da literatura, como o sociólogo Ottaviano de Fiore, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), compartilham a opinião de Simone de Beauvoir, creditando o comportamento e a imaginação literária do autor de  “120 Dias de Sodoma” a neuroses relacionadas a parafilias, como o gosto pelo lixo e pela sujeira, que na ficção sadeana desembocam na apologia do crime e na erotização da fealdade e das mais atrozes torpezas.

Na velhice, já separado de Renné, sua primeira mulher, mas, como sempre, preso por causa de suas idéias e de seu comportamento libertino, foi amparado pela atriz Marie-Quesnet, que se mudou com ele para o Hospício de Charenton. Nessa época, sob o olhar tolerante de Marie-Quesnet, enamorou-se da filha de uma carcereira que tinha 14 anos quando o conheceu. Todos esses fatos estão rigorosamente documentados por Gilbert Lely, o mais importante biógrafo de Sade, compilador de suas cartas e autor do clássico 'Vida do Marquês de Sade'.

Sade morreu aos 74 anos, amado por duas mulheres, com quem planejava produzir peças teatrais pornográficas quando um dia saísse do hospício.

Algumas obras

Justine
Juliette de Sade
Zoloe e suas Amantes
O Estratagema do Amor
Os Crimes do Amor
A Filosofia na Alcova
Contos Libertinos
Diálogo entre um Padre e um Moribundo
Os 120 Dias de Sodoma
A Crueldade Fraternal
Os Infortúnios da Virtude


Cronologia

1740 - Nasce em Paris em 2 de junho. Vive dos quatro aos dez anos de idade no Comtat-Venaissim.

1750 - Estuda no Collège Louis-le-Grand e também com preceptor particular.

1754 - É admitido na Escola da Cavalaria Ligeira.

1755 - Torna-se subtenente do regimento de infantaria do rei.

1757 - É promovido a oficial. Tem início a Guerra dos Sete Anos.

1759 - Torna-se capitão do regimento de cavalaria de Bourgogne.

1763 - É desmobilizado e casa-se com Reneé-Pélagie de Montreuil. Passa quinze dias na prisão de Vincennes por "extrema libertinagem".

1764 - É recebido pelo parlamento de Bourgogne no cargo de lugar-tenente geral das províncias de Bresse, Bugey, Valromey e Gex.

1765/1766 - Mantém relacionamentos públicos com atrizes e dançarinas.

1767 - Falece o conde de Sade, seu pai, e nasce o seu primeiro filho, Louis Marie de Sade.

1768 - Primeiro grande escândalo: a mendiga Rose Keller processa o Marquês por maus tratos, em Arcueil. Sade é detido em Saumur por quinze dias, e depois em Pierre-Encise, perto de Lyon, por sete meses. Festas e bailes sucedem-se em seu castelo de La Coste, na Provence.

1769 - Nasce seu segundo filho, Donatien Claude Armand de Sade.

1771 - Nasce sua filha, Madeleine Laure de Sade.

1772 - Segundo grande escândalo: em Marselha, quatro prostitutas processam Sade e seu criado Latour por flagelações, sodomia e ingestão forçada de uma grande quantidade de cantárida (pó de asas de besouros africanos, capaz de provocar estado de excitação sexual no homem e na mulher) afrodisíaco. É condenado à morte por sodomia. Foge para a Itália. Na cidade de Aix-en Provence, a 12 de setembro, é executado junto com Latour em efígie (isto é, bonecos simbolizando Sade e seu criado foram publicamente executados, na ausência dos verdadeiros réus). Detido em Chambéry, é encarcerado em Miolans, na Savoie.

1773 - Foge em Miolans. Sua sogra, madame de Montreul, obtém licença do rei para prendê-lo e confiscar seus documentos, mas sem resultado.

1774 - Isola-se em seu castelo em La Coste.

1775 - Organiza diversas orgias em seu castelo. Risco de novo escândalo. Foge novamente para a Itália.

1776 - Volta à França.

1777 - Falece sua mãe, madame de Sade. É capturado em Paris e encarcerado em Vincennes.

1782 - Finaliza o "Dialogue entre un prêtte et un moribond".

1784 - É transferido para a Bastilha.

1785 - Conclui "Les Cent vingt journées de Sodome".

1787 - Redige contos e pequenas histórias.

1788 - Escreve "Eugénie de Franval" e "Justine, Les infortunes de la ventu". Organiza um catálogo de suas obras.

1789 - Provavelmente neste ano, conclui "Aline Et Valcour". É transferido precipitadamente para Charenton, na noite de 3 de julho para 4 de julho. Com a tomada da Bastilha, são pilhados seus documentos e bens pessoais.

1790 - É libertado de Charenton. Inicia sua ligação com Marie-Contance Quesnet, que não mais o abandonará.

1791 - Publica clandestinamente "Justine" ou "Les malheurs de la vertu". Escreve seu primeiro texto político. É também o ano da primeira montagem de "Oxtiern".

1792 - O castelo de La Coste é pilhado. 'Le Suborneur' é levado à cena, sem sucesso.

1793 - Redige novos textos políticos. É mais uma vez acusado e detido.

1794 - Prisioneiro em Carmes, Saint-Lazane, na casa de saúde de Picpus. É condenado à pena de morte e posteriormente liberado.

1795 - Publica clandestinamente "La philosophie dans le boudoir" e, oficialmente, "Aline et Valcour".

1796 - "Oxtiern" é levado novamente à cena, agora em Versalhes, onde seu autor vive de forma muito modesta. A ele cabe o papel de Fabrice.

1800 - Publica oficialmente "Oxtiern" e "Crimes de l'amour", e, clandestinamente, "La nouvelle Justine".

1801 - É detido na editora Massé, que publica suas obras, onde também ocorre a apreensão da edição ilustrada em dez volumes de "La nouvelle Justine" e também de "Juliette". Permanece preso em Saint-Pálagie e depois em Bicêtre.

1803 - A família obtém suas transferência para Charenton, onde ele passa a organizar espetáculos com os "loucos", que se tornam atração para visitas da aristocracia parisiense.

1807 - Escreve "Journées de Florbelle". Os manuscritos desse livro, apreendidos em seu quarto, seriam queimados em praça pública por seu próprio filho, depois de sua morte.

1813 - Publica oficialmente "La Marquise de Gange".

1814 - Morre em 2 de dezembro, em Charenton.

Fonte: Wikipédia.

Chuva de rãs

Chuva de rãs na Hungria, em junho de 2010
Em maio de 1981, residentes da cidade grega de Naphlion acordaram com uma chuva de rãs verdes. Milhares das pequenas criaturas anfíbias, pesando apenas poucos gramas, caíam do céu e estatelavam-se nas ruas. Cientistas do Instituto Meteorológico de Atenas apressaram-se a dar as explicações usuais. 

Descobriu-se que um redemoinho no norte da África sugara as rãs de um pântano e as transportara por uns 960 quilômetros através do Mediterrâneo, despejando-as nas ruas de Naphlion.

Por incrível que possa parecer, poucas das rãs morreram como resultado da violenta viagem. Na verdade, elas se adaptaram muito bem ao novo ambiente. Alguns dos cidadãos locais, no entanto, disseram que não conseguiram dormir à noite, pois ao coaxar os imigrantes anfíbios faziam muito barulho.

 Chuva de rãs surpreende cidade húngara

Uma chuva de rãs pegou de surpresa nesta segunda-feira os moradores da cidade de Rákóczifalva, a 100 km a leste de Budapeste, informou a imprensa local.

"Quando vi que meu guarda-chuva estava cheio de rãs me assustei muito", disse um morador da aldeia, citado pelo site index.hu, enquanto outros relataram que tinham visto "muitíssimos" destes animais.

"Não gosto destas criaturas e corri em busca de proteção em uma estação de ônibus. Nunca vi algo semelhante", assegurou outra testemunha do fenômeno.

Segundo especialistas, quando são formadas nuvens cumulonimbus, que provocam tempestades, e os ares quentes sobem, pequenas plantas ou animais, como rãs, aranhas ou peixes, podem ser levados para as nuvens, que posteriormente são "descarregados" em forma de chuva.
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Fontes: Notícias Terra - 21 de junho de 2010; O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

Abracadabra

Palavra mágica de origem desconhecida. Segundo a crença, seu poder consiste em afastar malefícios, doenças e a morte.

O cronista latino Wuintus Serenus Sammonicus, que acompanhou o imperador Severo à Bretanha, no ano de 20, menciona essa palavra num poema como uma cura para febres infecciosas.

Eliphas Levi, em seus tratamentos de magia, discute longamente o triângulo mágico formado pelas letras da palavra abracadabra, e a conecta com outros conceitos mágicos inclusive com o simbolismo do tarô. Para melhores resultados, a palavra deve ser escrita na forma de um triângulo e usada ao redor do pescoço.

Alguns estudiosos afirmam que abracadabra é uma corruptela do termo sagrado gnóstico abraxas, uma fórmula mágica significando, entre outras coisas, “proteja-me” ou “não me deixe cair em desgraça”.

Outros insistem que ela deriva do aramaico abhadda kedabrah, "doença, desapareça desse mundo”.

Essa fórmula mágica foi usada intensamente pelos primeiros gnósticos, que procuravam aproteção dos espíritos benevolentes ou combater a aflição.

Fonte: Dicionário Mágico.

Jeannette Abadie


O folclore descreve  Jeannette Abadie como uma feiticeira francesa que viveu no povoado de Sibourne, na Gasconha francesa. Enquanto ela dormia, um demônio a carregou para um sabbath (reunião de feiticeiras), e quando ela se acordou achou-se cercada por numerosa companhia. 

Ela notou que o chefe dos demônios, como o deus romano Janus, possuía duas faces. Jeanette salvou-se da fogueira após confessar tudo que lhe havia acontecido e renunciar a feitiçaria.

Conta a história que a jovem menina foi supostamente atraída para a bruxaria e foi uma das principais testemunhas sobre a suposta práticas dos Sabbath. Essa historia está na narrativa da Pierre de Lancre, um conselheiro real do Bordeaux, que fez um estudo exaustivo sobre bruxaria, depois de sua história, tornou-se nomeado em 1609 para uma comissão para julgar pessoas acusadas de bruxaria.

Jeanette alegou ter sido abordado por uma mulher chamada Gratianne e levada para Sabbath das bruxas, presidida pelo próprio Diabo. Em contrapartida, Gratianne tinha recebido um punhado de ouro. Jeanette disse que o diabo assumiu a forma de um medonho homem de pele negra com seis ou oito chifres na cabeça, uma cauda grande, e duas caras, uma na frente e um atrás, semelhante à representação do deus romano Janus.

 Em seu primeiro sábado, ela era obrigada a renunciar a Deus, a Virgem Maria, seu batismo, a família, o céu, a terra, e todas as coisas mundanas, e também foi obrigada a beijar o diabo nas nádega. A todo o momento que fora atraida para o Sabbath, ela teve que repetir as renúncias, isso muitas vezes.

- "Também tive que beijar as nádegas do Diabo, e freqüentemente também o rosto, o umbigo e o pênis" - disse ela.

Jeanette afirmava que também havia crianças (filhos de bruxas) fazendo parte dessas cerimônias.

Fontes: Dicionário Mágico; Scientia Magus.

Abaris

Abaris foi um feiticeiro cita, alto sacerdote de Apolo. Este o presenteou com um flecha de ouro com a qual Abaris podia viajar pelos ares como pássaro. Por isso, os gregos o chamavam de Aeróbata.

Segundo uma lenda, Pitágoras foi seu aluno e roubou-lhe a seta de ouro.

Abaris era capaz de controlar o tempo, predizendo o futuro, afastar as doenças e viver sem comer nem beber. Ele vendeu para os troianos seu famoso talismã, o paládio (um atributo da deusa Palas Atena), que protegeria a cidade onde ele fosse colocado.

Ocultistas modernos consideram Abaris um dos grandes iniciados da humanidade.

Fonte: Dicionário Mágico.

Abigor

Illustração de Collin de Plancy de Abigor, do Dictionnaire Infernal.

Demônio que comandava sessenta legiões infernais. Aparece como um famoso cavaleiro cavalgando um cavalo alado. Abigor conhece o futuro e todos os segredos da guerra.

Abigor (também Eligos ou Eligor) foi um mítico feiticeiro ou necromante, considerado pelos antigos como gênio infernal, uma espécie de “Demônio da Guerra”, e um comandante dos exércitos de Satanás.

Também é considerado um deus da honra e da glória, diz que na batalha do Juízo Final ele irá derrubar muitos anjos antes de cair diante do arcanjo Miguel.

É tido como detentor do todo o conhecimento da arte da guerra e de todas as guerras do passado, do presente e do futuro.

A história diz que Abigor voltará para a terra na forma de um jovem de beleza encantadora e única, não como ser possuído, mas fazendo parte do corpo e da alma, será temido e odiado, amado e desprezado, terá o dom da escrita e da fala, um corpo e um poder de sedução, seus olhos na lua cheia serão como tochas acesas ao luar, saberá convencer melhor que qualquer um e será conhecido como "Lex", o senhor da justiça.

Fontes: Wikipédia; Dicionário Mágico.

A lenda do Caleuche

Uma das lendas mais conhecidas da mitologia Chilota do sul do Chile descreve o Caleuche, um navio fantasma que aparece todas as noites perto da ilha de Chiloé. Segundo a lenda local, o navio é uma espécie de ser consciente que navega nas águas ao redor da área, levando consigo os espíritos de todas as pessoas que se afogaram no mar. Também é descrito na aparência de um grande veleiro cuja cobertura principal é cheia de luzes brilhantes, e que navega ao som de músicas e orquestras.

Diz a lenda que quando deseja passar despercebido, este navio mal assombrado esconde-se sob as águas ou é cercado por uma neblina sobre natural que faz com que fique invisível aos olhos humanos.

De acordo com diferentes versões que cercam as míticas aparições do estranho veleiro, acredita-se sobre sua tripulação ser constituída pelo sombrio Chiloé Waeloxks e seus fiéis servidores que morreram no mar, pela fantasmagórica tripulação de escravos, por duas bruxas míticas e por todos aqueles que decidirem ir com o navio voluntariamente sendo assim retribuídos pela promessa de riqueza.

Além disso, diz-se que quando se navega pelos mares do arquipélago de Chiloé, pode-se ver o Caleuche e suas almas em festa a vagarem eternamente recolhendo as almas para aumentar sua macabra tripulação.

A lenda do Caleuche, relaciona-se de formas diferentes, com inúmeros aspectos da história e das crenças do arquipélago de Chiloé.

Entre as inúmeras hipóteses propostas, sugere-se que o mito pode ser uma variação lenda do europeu  Holandês Voador, que foi baseada em fatos reais, como por exemplo sobre o desaparecimento do navio holandês "A Calanche", ou que originou-se nos misteriosos desaparecimentos nas expedições espanholas ou na chegada de navios piratas holandeses como o liderado por Baltazar de Cordes, que em 1600 capturou toda a ilha por um período curto.

Alguns também dizem sobre as aparições serem provenientes ao fenômeno da "OSNIS" (objetos não identificados submersíveis).

Fontes: Histórias Assombradas.

A Procissão dos Ossos

Em Portugal, em 1498, determinou o rei dom Manuel que à Irmandade da Misericórdia fosse permitido todos os anos, no dia de Todos os Santos, retirar dos patíbulos os restos ainda pendentes dos justiçados para lhes dar sepultura. 

Foi esta a origem da procissão dos ossos. Investida a Misericórdia do Rio de Janeiro nos privilégios e atribuições da sua congênere de Lisboa, que lhe servira de modelo, assumiu também aqui o mesmo encargo.

À tarde do dia primeiro de novembro começavam a dobrar funebremente os sinos de todas as igrejas, tocando a defuntos. No início da noite, concluídas as vésperas, saíam os irmãos da Misericórdia, em solene cortejo, com os farricocos carregando duas “tumbas” para recolher as ossadas ao pé da forca.

Era o mais funéreo espetáculo que se possa imaginar. Quem quiser conhecer a organização desse préstito encontrará a descrição pormenorizada no velho “compromisso” da Irmandade, no capítulo que diz: “Do modo com que se hão de ir buscar as ossadas dos que padeceram por justiça…”


Cumprida a sua macabra missão, regressava a procissão à igreja da Misericórdia onde eram depositadas as tumbas. Havia então sermão e ofício dos mortos. Revezando-se, os irmãos velavam os restos mortais recolhidos que, na manhã seguinte, eram inumados no cemitério atrás do hospital.

Com o abrandamento dos costumes e o aperfeiçoamento da civilização, deixou de ser proferida a sentença de morte natural para sempre e a procissão dos ossos pouco a pouco foi perdendo a razão de ser, até que se extingüiu.

Fonte: Coaracy, Vivaldo. Memórias da cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1965. Coleção Rio Quatro Séculos, 3

Acônito

O acônito (Aconitum napellus) é uma planta venenosa, pertencente à família Ranunculaceae muito utilizada em fármacos homeopáticos. Possui raízes tuberosas e caule ereto, com flores azuis na forma de um elmo. O fruto é uma vesícula. Os sintomas do envenenamento por sua causa são salivação excessiva, falta de ar, tremores e aceleração dos batimentos cardíacos. Apenas 10 gramas de raíz constituem uma dose letal para o ser humano.

É uma planta vivaz que pode atingir até 1,5 metros de altura, tem folhas verde-escuras, palmeadas e recortadas, flores azuis, raramente brancas, e raiz fusiforme. 

Era muito usada em ungüentos preparados por feiticeiras medievais. Considerada a mais mortal de todas as plantas que são associadas à "bruxaria", também é conhecida como “veneno de lobo”, uma vez que era usada nas flechas para caçar tais animais na região do Egeu e do Mediterrâneo.

Originalmente é do oeste europeu, mas passou a ser cultivado na Grécia antiga e difundido na Itália. Hoje em dia é uma erva que pode ser encontrada até mesmo na Inglaterra e País de Gales. Entre os efeitos do acônito estão profundas alterações nos estados de consciência, o que o leva a ser uma erva bastante utilizada em rituais de deslocamento.

A intoxicação num primeiro momento traz excitação geral, com parestesia nos lábios, língua e garganta por bloqueio do trigênio. Depois alterações gastrointestinais: diarréia, vômitos e sialorréia. Em uma segunda fase se produz hipotermia e paralisia dos músculos respiratórios e bloqueio dos centros nervosos cardiorrespiratórios, que pode conduzir a la morte por asfixia em poucas horas. 

Na medicina, é uma planta bastante utilizada em remédios homeopáticos. Indicações: asma, bronquite, congestão pulmonar, corisa, doença inflamatória, febre com delírios, feridas na pele, gota, gripe, hipertrofia do coração, laringite aguda, nevralgia facial, nevralgia lombociática e do trigênio, palpitação nervosa, pneumonia, reumatismo, tosse espasmódica, úlceras.

O uso interno somente deve ser feito com receita médica, em doses homeopáticas e com preparações farmacêutica com determinação do conteúdo de alcalóides. É muito venenosa, não tocá-la quando efetuar a colheita. Aconselha-se, a utilização dos preparados farmacêuticos. Jamais usar na gravidez, lactação, em crianças, em combinações com álcool, sedantes, anti-histamínicos, hipnóticos, antidepressivos, espasmolíticos, pessoas com constipação, febre alta ou hipertensão. A dose letal é de 1 a 3 mg de aconitina (equivalente a 2 a 4 g de tubérculo fresco).

Desenterra-se os tubérculos com as raízes jovens (verão ao princípio do outono). Depois de muito bem limpos cortá-los no sentido do comprimento secá-los o mais rapidamente possível à sombra à temperatura de 40º C a 50º C.

Outros nomes populares: capacete-de-júpiter, capuz-de-frade, casco-de-júpiter, napelo, ito, anapelo, matalobos, nabillo del diablo, napelo (castellano), aconite, blue rocket, true monkshood, wolfsbane (inglês), bachnag, mithazahar (hindú), ts’ao-wu, wu-t’ou (chinês), aconito (italiano).

Fontes: Dicionário Mágico; Jardim da Magia; Wikipédia.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Idiomas reencarnados

Dr. Joel Whitton
O que aconteceria se você hipnotizasse alguém e essa pessoa começasse a falar um idioma antigo? Foi o que aconteceu com o dr. Joel Whitton, conhecido psiquiatra canadense e cético explorador da questão da reencarnação.

Desde o famoso caso de Bridey Murphy nos anos 50, os psicólogos contemporâneos têm tentado fazer com que seus pacientes regridam a suas vidas anteriores. Poucos deles conseguiram descobrir alguma coisa de interesse, mas isso não impediu que Whitton também tentasse.

O principal cliente do psiquiatra era um psicólogo profissional, que, durante o trabalho hipnótico em conjunto, começava a lembrar e a ouvir idiomas estrangeiros que ele, aparentemente, falara durante duas vidas anteriores.

O que gradativamente emergiu foram lembranças de uma existência viking, aproximadamente do ano 1000, e uma encarnação ainda mais antiga na Mesopotâmia.

Ao relatar o caso perante a Toronto Society for Psychical Research, uma sociedade canadense de pesquisas de fenômenos psíquicos e mediúnicos, Whitton afirmou que o paciente recordara perfeitamente 2 palavras de norsk, idioma precursor do moderno islandês e língua usada pelos antigos vikings. Muitas dessas palavras, inclusive algumas relativas a temas do mar, foram identificadas e traduzidas por dois especialistas versados em norsk.

O homem pesquisado por Whitton, cuja identidade não foi revelada, nunca falou nada no idioma mesopotâmico do século 7, porém chegou a escrever algumas palavras isoladas que se parecem com sassanid pahlavi, uma língua morta falada na Pérsia, entre os séculos 3 e 7.

Whitton não afirma com certeza absoluta que esse caso possa provar a existência da reencarnação. Concorda ser possível, mas não provável, que seu paciente tenha aprendido as palavras de alguma fonte normal.
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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

O gato que voltou pra casa


A ciência está longe de entender o motivo pelo qual os animais voltam para casa. Orientação pela posição do Sol ou pelo campo magnético da Terra representa uma possibilidade. Contudo, que podemos dizer de animais perdidos que encontram o caminho de casa através de territórios desconhecidos? O caso de Sugar, o gato que voltou para casa, representa um mistério ainda não desvendado.

Um adendo: Queria chegar mesmo nestes artigos (ou contos?) do "Livro Dos Fenômenos Estranhos", de Charles Berlitz. O "ser humano" realmente esquece até da família, o ser "bicho" não ... ele, inclusive, tenta mostrar, mesmo por instinto, que nossa pretensa superioridade só destrói tudo ... (deixe pra lá e leia o artigo)

Sugar, um gato persa de cor amarela, era o orgulho e a alegria do casal Stacy Woods, de Anderson, Califórnia. Os dois decidiram mudar de casa em 1951, porém, como Sugar tinha medo de carros, eles, relutantemente, decidiram deixá-lo para trás com vizinhos. 

Dirigir o carro até a nova residência em uma fazenda de Oklahoma já seria suficientemente difícil, sem a necessidade de ter um gato medroso para cuidar. Os Woods rumaram para a cidade de Gage e, provavelmente, não voltaram a pensar no gato enquanto arrumavam a nova casa.

Um dia, catorze meses depois, a sra. Woods estava junto ao celeiro quando um gato pulou pela janela, caindo bem em seu ombro. Ela naturalmente ficou assustada e afastou o bichano. Mas, olhando mais atentamente, a sra. Woods viu que ele, sem dúvida, parecia-se com Sugar. Ela e o marido logo adotaram o felino e sempre comentavam a semelhança.

A despeito da coincidência, nem o marido nem a mulher acreditavam realmente que aquele gato fosse Sugar, até alguns dias mais tarde. O sr. Woods estava acariciando o pequeno animal, quando lhe notou o osso ilíaco deformado. Era exatamente este o defeito de Sugar. Quando, finalmente, entraram em contato com os antigos vizinhos na Califórnia, os Woods ficaram sabendo que o bichano desaparecera algumas semanas após a partida. Os vizinhos não quiseram contar nada ao casal sobre o sumiço do felino, temendo que eles pudessem ficar tristes com a notícia.
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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

Uma cura milagrosa

Padre Ralph Di Orio
Leo Perras pode andar hoje em dia, muito embora tenha sido aleijado, sem esperanças de cura, durante anos. A história desse verdadeiro milagre começa com um moderno milagreiro chamado padre Ralph Di Orio, que ainda continua em plena atividade.

Padre Di Orio nasceu em Providence, Rhode Island, em 1930, e foi ordenado pela Igreja Católica Apostólica Romana em 1957. Estudioso de idiomas e educador, Di Orio mostrava-se bastante convencional na prática de seus pontos de vista teológicos, até 1972. Foi neste ano que sua congregação, de língua predominantemente espanhola, decidiu tornar-se carismática, forma de adoração que enfatiza expressões religiosas pessoais e experiências espontâneas.

Padre Di Orio resistiu às mudanças e somente com a aprovação do bispo de sua diocese é que modificou os serviços. Finalmente, envolvendo-se com a nova ordem de coisas, o padre de meia-idade começou a prática da imposição das mãos durante os serviços sacerdotais, e, em breve, descobriu que possuía o poder de curar. Realizava trabalhos de cura na Igreja de St. John em Worcester, Massachusetts, quando conheceu Leo Perras.

O aleijado, originário da comunidade de Easthampton, sofrera acidente de trabalho algum tempo antes, quando contava apenas 18 anos, que o deixara paraplégico. As cirurgias não deram certo, e ele ficou paralisado da cintura para baixo, precisando deslocar-se em uma cadeira de rodas. Naturalmente, houve o definhamento das pernas, causando-lhe fortes dores. Já estava tomando diariamente medicamentos contra essas dores insuportáveis, quando foi procurar o padre da Nova Inglaterra.

Ao conhecer padre Di Orio, Perras já estava confinado na cadeira de rodas fazia mais de vinte anos. O padre fez orações para o visitante durante os serviços religiosos, e os resultados foram praticamente imediatos. O paralítico levantou-se e caminhou para fora da igreja. Os músculos das pernas aparentemente ficaram fortes, e as dores que ele sentia havia muito desapareceram.

A história parece boa demais para ser verdadeira, porém está particularmente bem documentada. O próprio médico de Perras, Mitchell Tenerowicz, diretor do Cooley Dickinson Hospital, em Northampton, examinou o paciente logo após a cura milagrosa e notou que suas pernas ainda estavam atrofiadas, o que significava ser fisicamente impossível àquele homem andar. Mas ele andou. As pernas de Perras foram ficando mais fortes durante as semanas que se seguiram e, no dia 29 de setembro de 1980, o programa Isso É Incrível, da rede NBC de televisão, entrevistou-o e transmitiu sua história de norte a sul dos Estados Unidos.

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Fonte: O Livro Dos Fenômenos Estranhos - Charles Berlitz

domingo, 20 de janeiro de 2013

A maldição do Diamante Hope

Encontra-se em Washington-DC, no Smithsonian Institute, o diamante Hope, uma jóia de valor incalculável. Os seus reflexos azuis cintilam em um núcleo frio como gelo. Parece inofensivo, no entanto, a essa beleza impassível desta gema fria e brilhante, com inúmeros antecedentes de sangue e paixão, já foram atribuídas mais de 20 mortes.

Durante três séculos, reis e pobres, ladrões e cortesãos, contemplaram a sua opulência - e enlouqueceram. Segundo a lenda, a primeira das suas vítimas foi um sacerdote hindu que sucumbiu ao seu sortilégio há 500 anos, pouco depois de essa gema ter sido extraída de uma mina no rio Kistna, no sudoeste da Índia. O sacerdote roubou-a da testa de um ídolo num templo indiano, mas foi apanhado e torturado até a morte.

O diamante apareceu na Europa em 1642, nas mãos de um contrabandista francês de nome Jean Baptiste Tafernier, que com a sua venda obteve dinheiro suficiente para adquirir um título e uma propriedade. O seu filho, entretanto, endividou-se tanto no jogo que o negociante foi obrigado a vender tudo o que conseguira. Arruinado, Tafernier regressou a Índia para refazer a fortuna, onde encontrou uma morte trágica - foi despedaçado por uma matilha de cães selvagens.

A gema reapareceu na posse do rei francês Luís XIV, que a mandou lapidar, o que transformou os seus 112,5 quilates originais em 67,5 quilates. Nicolas Fouquet, um membro do governo que a pediu emprestada para um baile da corte, foi condenado à prisão perpétua em 1665 por desvio de fundos do Estado.

O próprio Luís XIV, o Rei-Sol, morreu arruinado e  detestado, enquanto uma série de catástrofes militares destroçava o seu brilhante império. Ignorando a maldição que pesava sobre a jóia, mais três membros da família real que a usaram ou possuíram viriam a morrer em condições trágicas.

A princesa de Lamballe, que a usava regularmente, foi espancadas até a morte pela multidão. O rei Luís XVI e sua mulher, a rainha Maria Antonieta, que a herdaram, morreram na guilhotina. Depois, em 1792, em pleno tumulto da Revolução Francesa, o diamante desapareceu de novo, durante quase 40 anos - intervalo que permitiu a proliferação das lendas sobre a jóia.

Conta-se que um joalheiro francês, Jaques Celot, obcecado pela sua beleza, enlouqueceu e suicidou-se. Um príncipe russo, Ivan Kanitovski, ofereceu-o a sua amante parisiense - que depois a matou a tiros, sendo ele próprio mais tarde assassinado. Há mesmo quem assegure que a imperatriz Catarina, a Grande, da Rússia, usou a pedra antes de ser atingida por uma apoplexia que a vitimou.

O diamante foi redescoberto depois de um lapidador de diamantes holandês o ter reduzido ao seu peso atual de 44,5 quilates. O filho do lapidador, porém, roubou-lhe a jóia, e este se suicidou.

A jóia percorreu a Europa, deixando atrás de si um rastro de sangue, até chegar às mãos de Henry Thomas Hope, banqueiro irlandês possuidor de uma grande fortuna, que a comprou por 30.000 libras apenas e lhe deu o seu nome atual. O seu neto acabou, mais tarde, por morrer na miséria.

Em 1908 o sultão turco Abdul Hamid comprou o diamante por 400.000 dólares e ofereceu-o a sua mulher, Subaya, e depois a apunhalou. No ano seguinte perdeu o trono.

Mulher do Sultão Abdul Hami. Foto Divulgação

Em 1911 a jóia fatídica, já na America, foi adquirida pelo magnata do mundo dos negócios Ned McLean pela quantia de 154.000 dólares. Nos 40 anos seguintes, o seu filho Vincent foi atropelado por um automóvel; McLean ficou financeiramente arruinado e morreu num manicômio onde fora internado; a sua filha faleceu em 1946, intoxicada por barbitúricos; e sua mulher, Evelyn, tornou-se viciada em morfina e faleceu.

Somente o joalheiro americano Harry Winston, que adquiriu a pedra azul dos herdeiros da família McLean, escapou de um destino fatídico e trágico. Ofereceu a gema ao Smithsonian Institute.

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Fonte: http://quemcontaoque.blogspot.pt/2011/03/o-diamante-hope-e-sua-maldicao.html

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A visão do Viegas

Arnaldo Viegas cursava o terceiro ano do curso jurídico de São Paulo. Havia seis, porém, que se achava matriculado na Academia. Indolente e de pouca atilação para as ciências, distinguia-se somente entre os companheiros pela sua supina ignorância da ciência jurídica, e pelo atrevimento das suas graçolas para com os lentes, mesmo os mais sisudos e ríspidos.

Se em direito, porém, Arnaldo Viegas, era profano, sabia no entanto de cor quase todos os poemas de Byron e Musset, cujos livros tinha por sua Bíblia ou Alcorão, mas sem que fraternizasse espiritualmente com as grandezas e sublimidades daquelas almas alucinadas pelo Belo e pelo Amor.

Viegas apreciava-os unicamente por ver que esses grandes poetas, na extravagância de seus gênios, se compraziam de exaltar o Vício e deprimir a Virtude. Nisso achava ele desculpa às desordens da sua vida, desordens baixas, sem intermitências de horas de labor honesto, nem manifestações fulgurantes de talento.

Viegas era bêbedo como um marinheiro em terra; jogava toda a sorte de jogos; fazia ostentações em entrar nas mais sórdidas espeluncas; e. finalmente, era um consumado devasso, mais por perversidade e amor próprio do que por impulsão do temperamento.

A sua conversa, quando não discorria sobre os paradoxos brilhantes de Byron e Musset, versava unicamente nas boas peças que pregava aos burgueses; nos calotes que passava ao alfaiate e ao sapateiro; nas mulheres casadas que seduzia; nas donzelas que lhe ofereciam a virgindade.

Embora muito dissoluto, é escusado dizer que a maior parte dessas façanhas eram puras invenções suas. A pretensão que tinha porém de fazê-las passar por verídicas, demonstra perfeitamente o depravado fundo do seu caráter.

Todavia o Viegas figurava como torpe protagonista de algumas aventuras amorosas, e é de uma delas que vamos tratar.

* * *

No tempo de que nos ocupamos, existia na rua de São Bento, em São Paulo, um velho armarinheiro italiano, Pascoal Landini, que, às suas funções comerciais de mercador de alfinetes, grampos e agulhas, reunia as de armador de igrejas, por ocasião de festividades religiosas, e fabricante de caixões e mortalhas para defuntos.

Pascoal Landini era um velhinho magro, baixo, de barba muito alva e pontiaguda, e sempre o viam na sua pequena loja toucado com um barrete de veludo azul com borla preta, e óculos de aro de tartaruga, perfeitamente redondos e grandes. Contudo, o que mais chamava a atenção, na lojinha da rua de São Bento, não era o seu proprietário, nem os acessórios do seu vestuário, e sim uma criatura de beleza incomparável e suavíssima, Maria Annunzziata, a filha do velho Pascoal, sempre a costurar, e sentada ao fundo da loja.

Toda a estudantada desse tempo – calouros e veteranos – conhecia a loja do Pascoal por causa da bela costureira; e, pelo interesse de lhe lançar uma olhadela amorosa, aliás nunca correspondida, iam freqüentemente ao negócio de Pascoal abastecer-se de penas, lápis, papel e tinta. Pelas “repúblicas” falava-se muito a miúdo na formosura de Annunzziata, e muito estudante fechava às vezes aborrecido o Digesto ou o Corpus Juri, para abrir a Arte de metrificação de Castilho, e fabricar versos em sua honra.

Todavia até aquela data nenhum se havia lambido com um seu sorriso. Annunzziata parecia insensível aos olhares de fogo que a trêfega mocidade acadêmica lhe lançava, ao dirigir-se à Escola, e até aos sonetos que os mais brejeiros lhe atiravam em papel dobrado em laçarote, aproveitando descuidos do velho Landini.

Ora, aconteceu um dia morrer um estudante do segundo ano de direito, e tendo os rapazes resolvido fazer-lhe o enterro, por ser o colega paupérrimo, comissionaram Arnaldo Viegas para tratar da encomenda do ataúde e da mortalha.

Arnaldo dirigiu-se à casa do velho Pascoal para se desempenhar do seu fúnebre encargo, e depois de lançar uma olhadela de fogo para Maria Annunzziata, que parecia uma daquelas suavíssimas madonas dos pintores da Renascença, ensarrilhada no fundo da loja do armarinheiro, dirigiu-se ao velho nestes termos:

– Bons dias, sr. Pascoal: venho fazer-lhe a encomenda de um caixão e de uma mortalha para um colega que morreu.

Molto bene, – respondeu o italiano, na sua língua, pois não falava uma palavra de português.

E tomando uma fita métrica, perguntou a Viegas:

La medida del suo amico?

Que medida?! – exclamou Viegas.

La medida per fare il cajone.

– Ora bolas! – tornou Viegas, – nem disso me lembrei.

Dunque! – exclamou mestre Pascoal, – como fare io, senza la medida? Andate a portar-me lá, signor.

– Não é preciso sr. Pascoal; meu colega era exatamente da minha altura. Tome a medida do caixão por mim.

O italiano, que, como quase todos os seus patrícios, era profundamente supersticioso, fez um gesto de espanto, ao ser-lhe proposto tal alvitre, e exclamou:

Per Dio Santo! Ecco um cattivo pensamento. Prendere la medida di un morto sopra di voi! Questa non si fa, signor, sarebbe funestissimo per voi.

A bela Annunzziata, ao ouvir as palavras do estudante, fez igualmente um gesto de horror, e, pela primeira vez nesta cena, levantou os olhos da costura. Aproveitou-se logo disto Viegas para envolvê-la em um longo olhar sensual, ao mesmo tempo que repetia a mestre Pascoal:

– Tome a medida, mestre Pascoal. Eu não acredito em agouros.

Annunzziata, ao ver essa insistência, não pôde conter-se. Como que parecia interessar-se pelo estudante:

Oh! non lo permettete, signor! Questo porta disgrazia!

Arnaldo Viegas ficou radiante e cheio de si; quis ostentar-se aos olhos da moça homem superior, despido de superstições. Assim, exclamou, confiando o bigode negro:

– Não vos incomodeis, bela signorita. Deixe que mestre Pascoal tome a medida. O que aos demais acarreta desgraça, para mim talvez seja a chave da felicidade.

E tornou a dardejar uma chispa do seu olhar atrevido sobre a formosa italiana, que, enrubescendo, se inclinou sobre a costura, apenas pronunciando um simples oh! 

Mestre Pascoal, porém, encolhendo os ombros fleumaticamente, assim como quem queria significar que não era responsável pelo que acontecesse, disse, endireitando os seus óculos redondos de aros de tartaruga:

Sia fatta la sua voluntá!

Ao mesmo tempo que desenrolava a fita métrica, fazia com que o rapaz comprimisse a fivela da mesma na fronte e corria-a até os pés.

Em seguida levantou-se com os dedos fixos na marca, e lendo a numeração da fita exclamou:

Due metri e dieci centimetri. Per la Madona“, – acrescentou ele tirando o barretinho e saudando Viegas em ar de troça, –voi siete un signor difunto!

Apesar de muito encouraçado contra agouros, Viegas estremeceu com a frase de mestre Pascoal. Mas, ao ouvir Annunzziata abafar um gritinho, também impressionada com o gracejo fúnebre do pai, logo as suas idéias tomaram outro rumo. Compreendeu que a sedutora virgem da rua de São Bento estava se interessando muito por ele, e isto encheu-o de prazer.

Efetivamente, atraída por estranho ímã, Annunzziata, logo no primeiro momento em que os seus olhos pousaram sobre Viegas, sentiu-se simpatizada por ele.

Arnaldo pagou a conta e despediu-se. Da porta lançou um último olhar a Annunzziata e esta o mimoseou com um gracioso sorriso.

Viegas não cabia em si de contente. “Que conquista de mão cheia não ia ele fazer? Como toda a estudantada não se encheria de inveja e despeito ao vê-lo na posse inteira da rafaelesca virgem da rua de São Bento?! Aquele sorriso era a porta aberta a todas as suas ousadias, e não seria ele Viegas que deixaria de entrar por ela”.

* * *

Assim, animado por esse sorriso que lhe prometia tanta fartura de gozos e volúpias, Arnaldo Viegas começou a freqüentar a loja de Pascoal Landini, cuja confiança e amizade soube captar em pouco tempo, pois o velho italiano era homem muito simples e de extrema boa fé.

Duas semanas depois que teve lugar a cena acima descrita, já Viegas tomava parte no macarrão e no vinho de Chianti do modesto lar do armarinheiro, e daí a duas outras semanas era ele completamente senhor do coração e da vontade de Annunzziata, que havia subjugado desde o dia da encomenda do caixão.

Sem o sentir, a bela jovem Annunzziata achou-se perdidamente enamorada do devasso estudante, e logo Viegas cogitou nos meios de poluir aquela cândida criança, que com tanto abandono e simpleza lhe ofertava o seu primeiro e virginal amor.

Aproveitando-se de uma ausência de Pascoal que foi obrigado a dirigir-se ao Rio de Janeiro a fim de fazer sortimento para a sua loja, intrometeu-se na lar do honrado lojista onde Annunzziata ficara, apenas com uma criada já velha.

Annunzziata amava-o muito já, para poder resistir-lhe. Viegas atirou-se-Ihe com toda a lubricidade dos seus desejos, e profanou-a.

Pouco depois alugou um quartinho na rua que dava fundo para a casa do italiano e todas as noites metia-se no quarto da rapariga que cada vez o adorava mais.

Durante dois meses Viegas foi assíduo junto da amante, porém decorrido esse tempo começou a enfastiar-se dela, principalmente por ter percebido que ela se achava grávida. Aquele infame era incapaz de qualquer sentimento nobre. Resolveu abandoná-la.

Mudou-se de residência e nunca mais a procurou.

Não tinha ele conseguido os seus intentos? Não alcançara transformar em impura Madalena a bela e recatada virgem que toda a Academia adorava? Agora convinha-lhe demonstrar a sua superioridade, para que não parecesse qualquer burguês. Partiria a taça pela qual sorvera o mais suave dos filtros.

* * *

Annunzziata cobriu-se de mágoas com o súbito abandono do pérfido amante.

Escreveu-lhe por diversas vezes e não obteve resposta. Ralavam-na os desgostos, começou a compreender que tinha sido traída, até que afinal, amiudando mais as cartas ao celerado, este, com o maior cinismo, mandou dizer-lhe verbalmente por um moleque que o não apoquentasse mais com cartas e choradeiras, que andava muito preocupado com os seus estudos e exames para perder tempo em responder a lamúrias de mulheres histéricas; e, finalmente, que não fosse tola em insistir com ele para pedi-la em casamento, pois ela bem devia compreender que um rapaz da sua posição e futuro não era para casar com a filha de um armarinheiro, um reles burguês fazedor de caixões de defunto.

Tanto cinismo e brutalidade partiram uma por uma todas as cordas da alma da bela italiana. O seu débil corpo não pôde resistir a tão duro golpe; intensa febre levou-a ao leito de onde só saiu alguns dias depois para ser levada ao cemitério. O seu pobre coração estalara de dor, e ao partir-se levara-lhe a existência.

* * *

O velho Pascoal Landini sentiu-se ferido profundamente nas suas vivas e únicas afeições com a morte de sua dileta Maria Annunzziata, retrato vivo da esposa que perdera havia anos.

Desde o dia em que a gentil criatura cerrou os olhos à luz do mundo, nunca mais abriu o armarinho.

Tornou-se taciturno em extremo, evitava falar com as pessoas de seu conhecimento, e passava a maior parte do dia encerrado no pequeno quarto em que dormia e onde lhe morrera a filha adorada, e cujos móveis e roupas conservava na mesma desordem e desalinho em que haviam ficado naquele dia tão angustioso para o seu pobre e velho coração.

À rua apenas saía para dirigir a construção de um artístico mausoléu que mandara erigir no túmulo da filha, e no dia seguinte àquele em que se ultimara a obra, encontraram-no morto no quarto de Annunzziata.

Feita a autópsia, verificaram os médicos que o infeliz ingerira uma forte dose de arsênico.

Esses dolorosos acontecimentos que tanto emocionaram os lojistas e fabricantes da rua de São Bento, pois Landini e sua filha eram geralmente estimados, não impressionaram no entanto o cínico que havia cavado aquelas duas sepulturas precoces.

Arnaldo Viegas continuava na sua vida de dissipação, como outrora, e no seu íntimo alegrava-se até que a morte o tirasse de certos embaraços sociais para com a infeliz, cuja virgindade ele havia profanado.

Pouco depois entrava em exame e por casualidade era aprovado com a nota simples.

Rejubilou-se o pretensioso ignorantão com esse mesquinho triunfo escolar, e tendo naquele dia recebido a gorda mesada que a prodigalidade paterna lhe dispensava, resolveu festejá-la com uma lauta ceia oferecida aos amigos, no Corvo, a célebre taverna paulista da rapaziada acadêmica de outrora.

Eram onze horas da noite. Reinava a mais expansiva alegria em todos os convivas, pois já algumas dúzias de garrafas haviam sido despejadas, quando Arnaldo Viegas que se achava na cabeceira da mesa ergueu-se um tanto ébrio, e, empunhando uma taça a transbordar de vinho Madeira, exclamou:

– Meus senhores, vou levantar o brinde de honra do nosso banquete. Sobre ele todas as taças se quebrarão!

– Muito bem! muito bem! – responderam todos enchendo os copos.

– É um toast de respeito, meus senhores! Eu bebo à memória da rapariga mais formosa que meus lábios têm beijado nos espasmos do prazer! Eu bebo, senhores, ao perfeito apodrecimento da que foi outrora a mais perfumada e deliciosa das carnes! Eu bebo à memória de Maria An… An… An…

Não pôde terminar o nome angélico daquela cujas cinzas queria profanar em uma orgia.

Os seus olhos fixaram-se de repente em um dos ângulos da enfumaçada sala da taverna acadêmica. e o seu corpo principiou a tremer, caindo-lhe o copo das mãos.

Os companheiros voltaram-se imediatamente para o canto onde se dirigira o olhar aterrado de Viegas, mas nada viram.

Arnaldo, no entanto, ia ficando pálido, os seus lábios abriam-se denotando a maior estupefação, e os seus dedos crispavam-se, como se ele fosse presa de horrível pesadelo.

Efetivamente surgia para Arnaldo uma visão medonha, pavorosa. Naquele momento de final de orgia, viu sair do canto da sala um fantasma, o finado Pascoal Landini, de barrete azul, óculos redondos de aros de tartaruga e fita métrica em punho. A terrível visão aproximou-se do libertino, que quis gritar, sem poder, não encontrando som algum na garganta.

Os companheiros observavam espantados e silenciosos. Viegas viu, então, o fantasma de Pascoal desenrolar a fita, obrigá-lo a comprimir a fivela à fronte onde um suor frio deslizava, corrê-la até os pés, e depois erguer-se, endireitar os óculos para ler a numeração, e exclamar:

Due metri e diecci centimetri! – E, exatamente como outrora, no dia em que fora tratar do enterro do colega, tirar o barretinho e à guisa de cumprimento trocista, acrescentar:

Per lá Madona, voi siete un signor difunto!

Viegas não pôde suportar por mais tempo aquele martírio. Reunindo todas as forças que tinha, articulou um grande grito e rolou inanimado no soalho da taverna.

* * *

Tornando a si do delíquio, a sua primeira pergunta foi saber dos companheiros se tinham visto a alma do velho Pascoal tomar-lhe a medida para o caixão.

Ninguém vira coisa alguma.

– Foi o vinho Madeira que te subiu aos miolos, – disse um colega.

– Proferiste um conto digno de Hoffman ou do nosso Álvares de Azevedo, – disse outro.

– Ora, graças que temos um Macbeth na Academia! Acho, porém, o teu Banquo um tanto burguês, – acrescentou ainda outro.

– Senhores, – exclamou Viegas todo trêmulo ainda e de uma palidez mortal, – eu vi nesse momento o velho Lalldini chegar-se a mim e tirar-me a medida para o caixão, exatamente como no dia em que com ele tratei do enterro do Deotato. Vi, senhores, não foi efeito do vinho, nem é conto que vos quero impingir, eu vi o velho Landini!

* * *

Dessa noite por diante a razão foi desaparecendo aos poucos do atribulado cérebro de Arnaldo Viegas.

Cessou os estudos, afundou-se cegamente na bebida e dentro de algum tempo estava completamente idiota.

Com intervalos lhe surgia na mente confusa a temerosa visão, o eterno mestre Landini a. tirar-lhe a medida para o caixão; em seus ouvidos zumbia constantemente o terrível gracejo do armarinheiro:

– Due metri e dieci centimetri! Per la Madona voi siete un signor difunto!

Em estado de completo idiotismo vagou durante algumas semanas pelas ruas de São Bento, roto, esfrangalhado, sórdido, até que afinal sua família mandou recolhê-lo e meteu-o no Hospício do Rio de Janeiro.

No fim de alguns meses o seu corpo era dado à sepultura.

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Padilha, Viriato. O livro dos fantasmas. Rio de Janeiro, Spiker, 1956, p.59-70
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