sexta-feira, 26 de abril de 2013

O canibal de Miami

Rudy Eugene
Rudy Eugene (O "Canibal de Miami" ou "Zumbi de Miami" como ficou conhecido), foi um afro-americano de 31 anos morto pela polícia de Miami, quando cometia atos de canibalismo contra o mendigo Ronald Poppo, de 65 anos, num fim de semana do feriado do Memorial Day.

Durante todo o ataque, Ronald, ainda vivo, gritava como um louco numa passarela de pedestres no viaduto de McArthur, no centro de Miami. De acordo com fontes médicas, Eugene comeu as orelhas, nariz, um globo ocular e parte do rosto da vítima.

Por quase 18 minutos, Eugene bateu no homem e tirou a roupa dele antes de começar a mordê-lo no rosto. Segundo a polícia, Eugene agiu, sob os efeitos de uma nova droga conhecida como "Miau-miau", "Sais de banho" ou "Mefedrona", conhecida na Europa desde 2007.

Eugene tinha um histórico de tráfico e consumo de drogas, começou a ter problemas com a lei aos 16 anos quando foi detido, acusado de agredir outro jovem. Depois foi preso sete vezes por um período de cinco anos por vender maconha, perto das escola secundárias e até em zonas residenciais. Em dezembro de 2005, se casou com Janney Ductant, mas divorciaram-se dois anos depois. Desde então, as autoridades acreditam que ele viveu sem abrigo debaixo das pontes e nas ruas da cidade.

O policial foi chamado por uma testemunha que passava próximo ao local Ao chegar na cena do crime, esse policial deparou-se com uma cena terrível: viu que um homem, estava tirando pedaços do rosto do outro e ingerindo a sua carne e ambos estavam completamente pelados. Ele deu ordem para ele parar, no entanto foi ignorado. Ele atirou primeiro na perna de Eugene, que não sentiu efeito algum, continuou o sangrento ataque, então atirou seis vezes contra Eugene, provocando a sua morte.

O caso foi totalmente gravado por uma câmera de segurança do jornal The Miami Herald, já que o incidente ocorreu ao sul de sua sede.

Ronald Poppo, que viveu nas ruas por 30 anos, foi submetido em junho de 2012 a três cirurgias no Rayder Trauma Center do hospital Jackson Memorial de Miami para limpar os ferimentos que infeccionaram e para colocar pedaços de sua pele na área da testa e da cabeça para cobrir os olhos. Os médicos não sabem quantas cirurgias mais serão necessárias, pois será um processo longo de recuperação para reconstrução do rosto da vítima.

A polícia suspeitava que Eugene, tivesse atuado sob os efeitos de drogas sintéticas, mas os exames de toxicologia indicaram que o canibal só consumiu maconha. Será que a cannabis tem relação com canibalismo... ehehehehe

"Ele me rasgou em pedaços"

A cirurgiã Kassira, do Jackson Memorial Hospital, exibe imagens de Poppo, que teve rosto devorado
Em uma entrevista gravada com os investigadores, Ronald Poppo, 65, disse que o homem que se aproximou dele inicialmente parecia amigável. Então o homem, Rudy Eugene, pareceu tornar-se irritado com algo que havia acontecido em Miami Beach, onde milhares festejavam no fim de semana do feriado Memorial Day, que acontece na última segunda-feira de maio.

"Por um tempo ele agiu com calma. Então ele ficou perturbado. Ele provavelmente se lembrou de algo que aconteceu na praia e não estava feliz com isso", disse aos investigadores Poppo na entrevista, que foi gravada pela estação local WFOR-TV. Relatou que Eugene disse algo sobre não ter conseguido "conquistar" algo, acrescentando que o homem "devia ter sido envenenado com algo."

Eugene então "entrou em fúria" e atacou-o com as próprias mãos, gritando que ambos os homens morreriam, segundo Poppo.

"Ele simplesmente me rasgou em pedaços. Ele mastigou o meu rosto. Ele arrancou meus olhos. Basicamente, isso é tudo o que há a dizer sobre isso", disse Poppo.

No interrogatório policial, Poppo às vezes pareceu confuso sobre alguns detalhes do ataque. Ele disse que Eugene vestia uma camisa verde e que estava fora de um carro, mas vídeo gravado por de câmeras de segurança mostraram que Eugene andou nu até Poppo e que este estava deitado na calçada, perto da garagem onde ele morava.

Quando a polícia perguntou a Poppo se ele provocou Eugene, ele respondeu: - "Eu não xinguei o cara ou disse qualquer coisa má ou desagradável."

Fontes: G1 (09/08/2012); Wikipédia.

O canibal alemão

Armin Meiwes
Reportagem de TV deixa a Alemanha pasma: caso de canibalismo parece não ser fato isolado. Justiça investiga várias denúncias. Testemunhas relatam cenas chocantes. A realidade não estaria longe das atrocidades do filme "Silêncio dos Inocentes"

Durante dois anos, o jornalista Rainer Fromm pesquisou quase 20 casos de crimes com sinais de rituais macabros, em que as vítimas teriam sido violentadas, assassinadas e/ou devoradas. A descoberta pela Polícia, quase por acaso, do ato de canibalismo do especialista em computadores Armin Meiwes, 41 anos, em Rotenburg do Fulda, chocou a Alemanha. Para Fromm, indicou estar numa pista quente.

Após a exibição de sua reportagem na emissora pública ZDF, não se pode mais ignorar o "fenômeno" e acreditar que Armin é um caso isolado. "Notícias assim têm de ser levadas a sério", reagiu a ministra da Justiça, Brigitte Zypries, que vê a internet como meio relativamente fértil para crimes do tipo. Para o procurador Horst Roos, do Ministério Público de Trier, desde o episódio de Rotenburg, não pode mais haver tabu nesta questão.

Fromm levou às telinhas os depoimentos de três testemunhas. Duas mulheres e uma menina relatam assassinatos cruéis em rituais de magia negra. A menina conta, numa sessão de psicoterapia, ter visto matarem uma criança e comerem pedaços dela "até os ossos". Uma vítima narra ter presenciado pessoas ainda vivas, sob gritos insuportáveis, terem seus dedos cortados e depois seus corpos trinchados.

Outras revelações partiram de uma mulher de 34 anos, que teria participado de um grupo satanista. Seus depoimentos são base de uma investigação promovida desde maio passado pelo Ministério Público de Trier. Vários suspeitos "de práticas sexuais com fundo ocultista" estão sendo investigados. Os casos apresentados na tevê ocorreram nos últimos 15 anos na Alemanha e na Bélgica.

Chefe da Procuradoria de Trier, Georg Jüngling ficou chocado com a reportagem. "São coisas ruins, quase inimagináveis, que foram apresentadas", declarou o procurador. Segundo ele, o trabalho de Fromm trouxe "alguns poucos novos conhecimentos" para o inquérito, sobre cujo andamento e abrangência Jüngling se recusa a dar informações. O repórter da ZDF prometeu repassar para o Ministério Público tudo o que apurou.

O professor Rudolg Egg, da Central de Criminalística de Wiesbaden, não só reconhece a existência de canibais na Alemanha, como estima em várias centenas o número de pessoas que participam, ao menos passivamente, de práticas ocultistas bizarras no país.

Nosso "amiguinho" diz ter se decepcionado com vítima

Armin Meiwes, um técnico de computação de 42 anos, se declarou "decepcionado" com sua vítima, um engenheiro que ele conheceu pela Internet. "Ele exigiu que eu o esquartejasse imediatamente. E eu queria conhecê-lo melhor primeiro", disse.

O acusado admitiu ter matado o berlinense Bernd Jürgen B. com diversas facadas no pescoço, depois de "anestesiá-lo" com bebidas alcóolicas e remédio para dormir. "Bernd mentiu sobre sua idade. Ele disse que tinha 36 anos, mas na verdade tinha 42", reclamou Meiwes.

Meiwes declarou que voltou a entrar em contato pela Internet com uma pessoa que queria ser comida por ele, depois do crime. Ao justificar o segundo contato com uma vítima em potencial, Meiwes afirmou que a carne da primeira vítima "acabou rapidamente".

O acusado disse que comeu cerca de 20 quilos de carne do cadáver de Bernd Jürgen B. durante suas refeições regulares. "O ato de comer os restos mortais deu sentido à morte, já que o corpo não foi jogado fora", disse o alemão.

A Justiça alemã deve apresentar hoje trechos do vídeo em que Armin Meiwes filmou a morte e o esquartejamento da vítima. O juiz decidiu proibir o acesso do público a essa parte do processo.

A promotoria do tribunal de Kassel, na região central da Alemanha, acusa Armin Meiwes de ter cometido assassinato por razões sexuais, já que ele declarou que o esquartejamento o "excitou". Ele não está sendo julgado por canibalismo, que oficialmente não é um delito na Alemanha.

"Se eu tivesse ido a um psiquiatra há alguns anos, provavelmente não teria feito o que fiz", declarou Meiwes.

Fontes: DW.DE; Notícias Terra (08/12/2003)

A mãe canibal de Kurim

Klara com os filhos
Antropofagia é a prática de comer carne humana. Na feitiçaria medieval, segundo as lendas, costumava-se praticar isso. Realmente, em alguns processos levados a efeito pela Inquisição, os acusados acabaram confessando ter comido carne humana. A feiticeira francesa Marie de Sains, por exemplo,confessou ter assassinado várias crianças para comer seus corações (Dicionário Mágico).

Klara Mauerová nasceu em Kuřim (Tchecoslováquia), em 1975. Foi uma criança desajustada, com uma obsessão pelo universo místico, que sempre afirmava estar destinada a cumprir uma missão designada por Deus. Sua irmã mais nova, Katerina, apresentava uma personalidade semelhante. As duas fantasiavam constantemente acerca grandes feitos que iriam executar quando chegasse o momento.

Com o passar dos anos, Klara chegou a estudar em uma universidade, mas nunca conseguiu libertar-se de suas fixações pseudoreligiosas. Não passou muito tempo até que conseguiu independer-se de sua família, indo viver junto com um homem com o qual viveu, segundo suas próprias declarações, uma tórrida vida sexual. Engravidou e teve dois filhos: Ondrej e Jakub.

Devido ao caráter violento e doentio de Klara, o casamento não durou muito tempo. Após a separação, ela ficou sozinha com os filhos. Apesar de suas excentricidades, era uma boa mãe; passava bastante tempo com seus filhos, os amava e zelava por eles. Entretanto, a solidão estava tomando conta dela. Klara procurou sua irmã Katerina, que foi morar com eles.

Klara e Katerina conheceram Barbora Skrlová, de 33 anos, que estudava na mesma universidade que Katerina. Esta mulher tinha uma rara doença glandular: sua aparência era de uma menina de doze anos e constantemente ela se aproveitava disso para se passar por menor de idade, assim escapava de sanções e de ações legais. Barbora inclusive havia sido adotada por um casal, que a confundiu com uma menina. Com caráter violento e personalidade duvidosa, Barbora passou muito tempo de sua vida fazendo tratamento psiquiátrico, esteve também internada, mas conseguiu fugir com facilidade.

A presença de Barbora Skrlová nas vidas de Klara e Katerina, mudou muitas coisas. As personalidades delas foram completamente afloradas pela nova amiga. Segundo declarações do psiquiatra Zdenek Basný, que a atendeu, as mudanças de identidade da mulher com aspecto de criança se deviam a um distúrbio mental: “Toda a história de Barbora Skrlova está rodeada por um enigma em que ela participa de maneira estranha. Não existe uma explicação clara, mas minha hipótese é que se trata de uma distorção psíquica grave com perturbação de identidade.”

Por influência de Barbora, as irmãs se entregaram a um culto chamado “Movimento Graal”, que afirmava ter centenas de seguidores na Inglaterra, assim como dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. Este movimento se baseava nas escrituras criadas entre 1923 e 1938 pelo alemão Oskar Ernst Bernhardt, recolhidos na mensagem do santo graal, nos quais era afirmado que o homem pode chegar ao paraíso fazendo coisas boas na terra.

Mas a realidade era outra. Um dos preceitos do grupo era que seus integrantes estavam livres de tabus sociais, como o incesto, a antropofagia e o homicídio. Todos recebiam ordens de um líder desconhecido a quem se chamava de “O Doutor”. Ele se comunicava com seus seguidores apenas através de mensagens de texto enviados a seus celulares. “O Doutor” apoiava a escravidão, o maltrato infantil e a promiscuidade sexual, em razão de um suposto sentido libertário.

Graças à influência de Barbora, Klara raspou o cabelo e as sobrancelhas. Se vestia com farrapos e parou de tomar banho. Sua irmã Katerina apoiava todas as atitudes de Klara e Barbora. Além disso, Barbora se comportava de maneira dupla: em parte era uma mulher adulta e por outra parte era uma menina. Tinha ciúme da atenção que Klara dava aos seus filhos. Pouco a pouco, começou uma sutil campanha contra eles. Os acusava de cometer travessuras, quebrar objetos e comportar-se mal.

Klara passou a castiga-los. Entretanto, a frequência de acusações aumentou tanto, que Klara, desesperada pelo suposto mau comportamento dos filhos, pediu conselhos à autora de tudo. Barbora, feliz ao tornar-se dona da situação, lhe sugeriu que construísse uma jaula de ferro para prender as crianças.

A jaula foi encomendada a um ferreiro da localidade. A colocaram no sótão da casa. O que parecia muito natural para Klara e Katerine, era que através das barras, os meninos poderiam receber alimentos e ficariam sem possibilidades de se comportarem mal. Era 2007. Os meninos foram despidos e presos na jaula. Não sabiam, mas permaneceriam ali por mais de um ano.

Barbora deu novas instruções, que as irmãs seguiram ao pé da letra. Começaram a torturar as crianças. Lhes queimavam com cigarros nos braços e pernas. Lhes amarravam e amordaçavam quando recebiam visitas. Lhes espancavam e davam choques elétricos através das barras de ferro da jaula. Lhes açoitavam com chicotes e os afogavam. Lhes mantinham nus o tempo inteiro e jogavam água fria neles para lavá-los uma vez por semana. As crianças tinham que dormir no chão, sem cobertas, junto com sua urina e excrementos. As vezes lhes davam o que comer. Se choravam, eram golpeados através das barras.

Um dia, Barbora teve uma ideia. Começaram a alimentar os meninos abundantemente. Eles aumentaram de peso e então, Klara pegou uma faca afiada, foi à jaula e pediu para Ondrej lhe estender a perna. Após isso, Katerina e Barbora seguraram o membro do menino enquanto Klara, com a faca, arrancava pedaços de carne do filho. O menino gritava de dor e terror, seu irmão fazia o mesmo. Após cortar vários pedaços de pele, as três comeram na frente deles, não se importando com os gritos dos pequenos.

Seu outro filho, Jakub, permaneceu com medo por um mês. Sabia que cedo ou tarde, aconteceria o mesmo que a seu irmão. Assim foi. A sessão seguinte de canibalismo ocorreu com ele. Sua mãe cortou pedaços de seus braços. A partir deste momento, cada mês o sangrento ritual acontecia: as três subiam, Klara arrancava pedaços de carne de um dos meninos e as três devoravam ali mesmo.

Barbora teve uma ideia para controlar mais as crianças, uma ideia seria sua condenação. Katerina comprou em uma loja de aparelhos eletrônicos, uma câmera de vigilância sem fio, daquelas utilizadas para supervisionar bebês. Instalou no sótão. Através dela, podiam observar o que os meninos faziam e também assistir quando alguma delas torturava-os.

Mas algo aconteceu. Um homem se mudou, com sua esposa para a casa ao lado e instalou uma câmera igual para monitorar o quarto de seu bebê. Sua surpresa foi extrema quando, em vez de ver o quarto de seu filho, o que viu foi o ritual das três mulheres, torturando as crianças. Passaram dias até que se deu conta de que o sinal que esteva interceptando vinha da casa de suas vizinhas.

O homem gravou um vídeo com as imagens e fez a denúncia para a polícia. Em 10 de maio de 2007 os agentes arrombaram a casa. Klara e Katerina se colocaram ante a porta que conduzia ao sótão, tratando de impedir que os agentes entrassem. Os policiais as removeram e levaram a uma viatura. Quebraram os cadeados e entraram. O que encontraram ali lhes causou horror.

O fedor de sangue, urina e fezes era insuportável. O chão estava pegajoso e as paredes estavam cobertas de sangue sexo. Um dos meninos estava desmaiado; o outro estava em estado de choque. Ambos apresentavam feridas horríveis, com o corpo apodrecido e várias partes em carne viva.

Parada em frente à jaula estava uma menina segurando um ursinho de pelúcia. Ao ver os agentes, correu para seus braços. Disse-lhes que se chamava Anika, tinha 12 anos e que era filha adotiva de Klara. Os agentes a levaram dali rapidamente. Uma vez na rua, a suposta menina aproveitou que os policiais tratavam desesperadamente de abrir a jaula de ferro, para fugir: se tratava de Barbora.
O caso foi um escândalo. As crianças foram hospitalizadas e um deles não resistiu. O outro pode declarar em juízo contra sua mãe e sua tia, narrando os horrores vividos naquele sótão durante um ano. As duas mulheres responsabilizaram Barbora, mas quando a polícia emitiu ordem de prisão à mulher, não a localizaram.

Barbora havia fugido para a Noruega, onde assumiu outra identidade falsa: dizia ser um menino, chamar-se Adam e ter 13 anos. Um casal norueguês a adotou. Ela passou a frequentar a escola primaria.

Passou-se quase um ano até que a polícia conseguisse encontra-la. Foi presa na Noruega, ante o olhar surpreso de seus pais adotivos que não podiam compreender por que uma menina era capturada como uma criminosa. Quando lhes contaram que não era uma menina de 13 anos, mas sim uma mulher de 36, entraram em choque.

Barbora foi extraditada para a República Checa onde foi julgada junto com Klara e Katerina. Sua doença e sua estranha personalidade inspiraram um filme de terror: A Órfã, que conta a história de uma mulher que engana as pessoas se passando por uma criança e cometendo crimes terríveis.

Klara declarou em juízo: “Ocorreram coisas terríveis e só agora me dou conta disso. Não consigo entender como deixei que acontecessem”. As irmãs alegaram que Barbora havia feito uma "lavagem cerebral" nelas e que não tinham noção do que estavam fazendo quando torturavam os meninos.

Em março de 2009, o Tribunal Superior de Olomouc condenou Klara Mauerova a 9 anos de cárcere e 10 anos para sua irmã Katerina Mauerova. Sobre a condenação de Barbora não se tem informações exatas. O caso ficou conhecido como o pior caso de maltrato infantil da história do país.

Fonte: http://medob.blogspot.com.br/2013/03/o-terrivel-caso-kurim-mae-canibal.html

Saint-Yves d’Alveydre

Saint-Yves d’Alveydre (Alexandre Saint-Yves d'Alveydre), ocultista e esoterista, nasceu em Paris, França, em 26 de março de 1842, e faleceu em Pau, Pirineus franceses, em 5 de fevereiro de 1909. É autor de obras como "O Arqueômetro", onde procuram estabelecer as relações entre as letras, as cores e os planetas, "A teogonia dos Patriarcas" e uma coleção de textos intitulados "As missões" em que cobre grandes períodos históricos.

Em 1877, conheceu Marie de Riznitch, a Condessa Keller, sobrinha da Condessa polonesa Rzewuska, amiga de Eliphas Lévi (Alphonse Louis Constant), que havia casado em segundas núpcias com Honoré de Balzac. O casamento de com a Condessa de Keller proporcionou a Saint-Yves a possibilidade de se dedidcar exclusivamente ao Esoterismo.

Em 1880, ela conseguiu junto ao Papa, para seu marido, o título de Marquês de Saint-Yves d'Alveydre.

Alguns consideram-o membro da Agartha budista da época. Um ano após sua morte, Papus (Gérard Anaclet Vincent Encausse) e alguns amigos fundaram a Sociedade Civil "Os Amigos de Saint Yves", para divulgar suas obras e promover conferências públicas.

Obras

Le Retour du Christ, 1874
Clefs de l'Orient, 1877
Testament lyrique, 1877
Le Mystère du Progrès, 1878
De l'utilité des algues marines, 1879
Mission des Souverains, 1882
Mission des Ouvriers, 1882
Mission des Juifs, 1884
Mission de l'Inde, 1886
Les funérailles de Victor Hugo, 1885
La France vraie ou la Mission des Français, 1887
Voeux du syndicat de la Presse économique, 1887
Les Etats-généraux du suffrage universel, 1888
Le centenaire de 1789 - Sa conclusion, 1889
L'ordre économique dans l'Electorat et dans l'Etat, 1889
Le poème de la Reine, 1889
Maternité royale et mariages royaux, 1889
L'Empereur Alexandre III épopée russe, 1889
Jeanne d'Arc victorieuse, 1890
Des brevets pour des applications de l'Archéomètre en 1903 et suivantes.
Théogonie des Patriarches, 1909, édition posthume.
L'Archéomètre - Clef de toutes les religions et de toutes les sciences de l'Antiquité - Réforme synthétique de tous les arts contemporains, 1910, édition posthume.

Fonte: Dicionário Mágico; Wikipédia

O endiabrado Mandim

No mundo marítimo existe um personagem endiabrado nas suas atitudes de reação. Quando ele quer uma coisa tem de se fazer o que ele quer, sob pena das hostilidades não demorarem muito. Mandim tem um domínio insuperável. As águas obedecem às suas ordens e os peixes se conduzem conforme os seus desejos de chefe. O pescador precisa andar muito direito porque do contrário sofrerá as consequências. 

Também o duende pede pouco. Não exige muita coisa, não. Ele mantém um luxo que não há meio de relaxar. Em todos os outros costuma ceder, mas num deles faz finca-pé, segura-se e não há meio de afrouxar. De modo que não permite a pescaria no dia dos mortos. E o jangadeiro que se der ao gosto de contrariar essa vontade, pode ficar certo de que sofrerá as consequências de um fracasso completo, nada conseguindo, voltando do mar com as mãos vazias, abanando. No samburá nem uma agulha quanto mais cavala.

Mandim considera-se proprietário único do oceano. Pelo menos do trecho que fica entre o Bessa e a Praia Formosa. A guarda que faz do dia de finados vem de um fato de significação bem humana. Teria naufragado um navio depois dos arrecifes que procedia das bandas da África carregado de negros para a lavoura paraibana. Vinha cheio, entupido mesmo, de coculo. Era tanta gente, que se deu uma catástrofe completa — e o único que poderia ter-se salvado foi exatamente o preto maioral, de nome Mandim. Mas renunciou ao propósito de defender a vida quando viu que os seus companheiros haviam sucumbido nos embates com as ondas traiçoeiras. E deixou-se morrer.

Por uma coincidência, teria acontecido a tragédia exatamente no dia de finados. A autoridade do comandante se passou para outro plano: ficou dirigindo o fiel respeito a certas praxes num campo assinalado pelo sacrifício de tantas existências. Quem pescar naquele dia, se arrepende. Quando muito poderá contar a história.

Sabe-se de um mulato falastrão que teimou em ganhar o oceano contra as ordens do mito que são conhecidas através da tradição. Saiu com o tempo bom, soprando nordeste suave. Largou-se para o alto na esperança de pescar muita garajuba e muita cióba. Depressa a noite chegou, pegando o marinheiro quase de repente — foi coisa mesmo de supetão. Com pouco ele principiou a ver umas luzes ao longe. E as luzes aumentando de volume. Só podia ser um navio iluminado feericamente. E o negócio se aproximando, se aproximando, se aproximando. Era de uma extensão formidável,:mais que um transatlântico, parecia antes um mundo que corria veloz na direção do pescador. E que, sem dúvida, iria esmagar a sua jangada, como um inseto miserável de tão insignificante.

Não eram luzes de eletricidade. Tinham parentesco próximo com fogo-fátuo. O ruído que fazia aquilo que vinha vindo rapidamente era um ruído infernal. Gritos se confundindo com exclamações pavorosas; gemidos lancinantes que se tornavam medonhos dentro da noite. E os peixes saltando desadoradamente como se estivessem muito contentes. Se era o vento, soprava forte e grosso, mais parecendo querer levar tudo de cambalhota. Não havia outro recurso senão fazer o impossível para regressar à praia.

O pescador, então, não quis mais conversa, danou-se para trás, aproveitando a correnteza para mudar de situação. Descobriu a estrela-guia e no seu rumo segurou o leme. A carreira era vertiginosa e de vez em quando olhava a visão se aproximando nos seus lumes de todas as cores. Chegou um momento que sentiu a situação quase perdida. Na confusão ouvia vozes mansas cantando o seu mal-assombrado.

Mandim, mandão, mandá,
Todos morreram no mar,
Longe da terra, bá,
Marabá, má, marabá,
Morrer quis Mandim, mandá

O acompanhamento era num tom fúnebre de cortar coração. Mas que história triste? Para que fora se meter nesse embrulho? Duvidar para quê? Nunca mais haveria de contrariar nada.

Acreditaria em tudo que viesse com a marca do invisível. De em diante seria assim. E o estribilho sem cessar na voz do vento da tempestade.

A terra ficou atrás,
Mandim,
Nunca mais, nunca mais

A lição teria servido ao mulato que havia já viajado por outras terras. Ficou sabendo de uma vez por todas que o fantasma tem força. Tem querer. E quando determina, não admite providência em contrário. Pescar no dia de finados que outro fosse e não ele, que ficara ensinado para sempre. Sentia-se feliz em haver saído são e salvo do embrulho.

Mandim era realmente uma potência que não podia, como não pode, ser contrariado nos seus luxos de mando. Veio de longe, trouxe sua gente, naufragou, morreram todos. Quis sacrificar-se voluntariamente na companhia de sua gente. Em compensação requeria respeito e que se guardasse o dia do ano, ou da semana, a sexta-feira. Não admitia pesca. Os peixes que folgassem. E quem quisesse mexer consigo que se metesse com muita coragem para suportar o repuxo e perder.
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Vidal, Ademar. Lendas e superstições; contos populares brasileiros. Rio de Janeiro, Empresa Gráfica O Cruzeiro, 1950, p.39-41

Fiscal de quintais


Ouve-se no silêncio da madrugada um passo certeiro, meio surdo e que é por outro acompanhado, mas agora nítido, forte e como se quisesse furar o chão. De momento pára, nota-se um intervalo muito pequeno e, da maneira como parou instantâneo, prossegue o caminho de quem anda cem visita de fiscalização. Depois toma distância para se perder dos ouvidos. Sabe-se que não voltará mais naquela noite. Tem muito que fazer por outros sítios e não pode perder tempo com demoras longas. Noutras ocasiões o passo surdo é pressentido em forma e rapidez e numa como afobação de quem muito trabalha incansavelmente.

Esse fantasma é Upiara. Homem incansável e avançado em idade, que veio ninguém sabe de onde: uns dizem que do interior paraibano, batido pelas necessidades da seca; outros que é cria do litoral, foi escravo e fez a guerra do Paraguai. A verdade é que existe para um fim determinado. Anda curvo — e de cabeça inteiramente branca. É cego. Não usa calçado e apresenta os calcanhares rachados de tanta caminhada por cima de paus e pedras. O seu passo mostra-se manso, enquanto o outro que o acompanha, a querer entrar na terra, provém de um cacete que carrega na mão direita. Cacete de cego, que presta serviço inestimável e que, por is:o mesmo, nunca pode ser abandonado. Upiara também conduz bornal imenso no tamanho e onde põe tudo que consegue arrecadar na sua incessante peregrinação.

Ele visita certo quintal. Visitou ontem à noite e no dia seguinte se pode fazer uma revista que faltará, alguma coisa. Propriamente o fantasma não furta. O que se acha abandonado lhe pertence de pleno direito. Um trapo, restos de comida, um objeto qualquer, tudo serve para ser metido no seu bornal de couro de boi — e que dizem haver conseguido quando servia como soldado nas amplas campinas gaúchas. Mas não passa tudo isso de meras suposições. Ninguém ainda viu Upiara com os olhos que a terra terá de comer. São conclusões que o povo tira por sua livre e espontânea vontade. Entretanto, diga-se, são considerações aceitáveis, ponderadas e justas. A longa existência do espectro oferce motivos para um estudo acertado. E daí toda gente admitir a possibilidade ou mesmo a convicção de que ele conta com todos os detalhes já apontados.

Não mexe com ninguém; muito pacato, muito sério e gosta de agir pela madrugada, favorecido pela escuridão. Chegou tempo de lua, anda sumido. Antigamente vinha das bandas de Cruz das Almas. Agora, porém, com as investidas do progresso material, mudou de rumo e tudo indica que procede das matas de Jaguaribe.

Há fundas razões para essa suposição. É que existe naquelas matas um bando enorme de guaribas que levam o dia silenciosas e sem dar de si o menor sinal de vida. São ágeis bichos pretos com barbas e bigodes que fazem uma zoada danada. São diferentes macacos que adivinham chuva. O guaribão da mata inicia o concerto quando a cidade começa a ouvir o ruído das ondas do Cabo Branco. E já observaram a coincidência, pois logo após se ouve a passada suave e, ao mesmo tempo, surda, acompanhada por outra estridente. Upiara anda no mundo, soltou-se. Começou o itinerário pelos quintais à procura de coisas abandonadas para meter no seu saco fabuloso. E volta às primeiras claridades cinzentas da manhã. Vive na companhia das guaribas — e tem no meio delas uma importância de chefe.

As crianças evidentemente não apreciam a hipótese de perdidas horas de insônia. Amedrontam-se com a presença do avejão na sua passagem pelo quintal. Os passos ficam-lhes fixados na memória por forma tamanha que obrigam os adultos a acompanhá-los em tácita confirmação. Estão ouvindo toda a marcha de Upiara. Depois ficam mais sossegadas porque têm a certeza de que ele não volta jamais naquela noite. Ficará para a outra seguinte. Assim conseguem retomar o fio do sono perturbado. E. logo que acordam para se levantar, vão ver o que ele fez, se carregou alguma coisa.

Os meninos costumam fazer as suas experiências próprias. Deixam objetos abandonados em baixo das árvores e vão procurá-los na manhã seguinte. Às vezes desaparecem por interferência de terceiros. A culpa, todavia, é atirada ao preto cego, que traz um cacete na mão direita. E se permanecem no mesmo lugar, houve esquecimento, coitado, ele nem viu, passou tão avexado.

Bicho danado
da cabeça
de escapole …

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Vidal, Ademar. Lendas e superstições; contos populares brasileiros. Rio de Janeiro, Empresa Gráfica O Cruzeiro, 1950, p.101-102
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