terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O Fantasma Baterista de Tedworth


O Fantasma Baterista de Tedworth foi um caso de suspeita de atividade poltergeist. No início da década de 1660 John Mompesson, de Wiltshire, começou a ouvir barulhos estranhos em sua casa. Havia sons de batidas de tambor, bem como arranhões e ofegantes ruídos. Objetos pareciam se mover por conta própria na casa, e às vezes um cheiro sulfuroso estranho pairava no ar.

Mompesson acreditava que um homem que ele tinha ajudado a mandar para a cadeia, um baterista chamado William Drury, tinha, por alguma forma de feitiçaria, causado a invasão de um espírito malévolo em sua casa. O caso atraiu o interesse em toda a Inglaterra, e muitas pessoas vieram para testemunhar o espírito por si mesmos. No entanto, quando o rei enviou dois representantes para investigar o assombro, eles não encontraram nenhuma evidência de atividade sobrenatural.

Os céticos, dos quais havia muitos, rejeitaram a coisa toda. Eles sugeriram que o próprio Mompesson tivesse armado essa farsa, tanto para lucrar com aqueles que vieram para ver o espírito, ou para diminuir o valor da casa (que era alugada).

Outros possíveis culpados eram os servos de Mompesson, que pareciam bastante satisfeitos com as agruras de seu mestre, e que muitas vezes zombavam dele, apontando que ele nunca poderia demiti-los porque ninguém mais concordaria em trabalhar para ele em tais condições.


Fonte: The Ghostly Drummer of Tedworth

Os Fantasmas de Versalhes


Duas professoras em uma excursão a Paris e ao interior da França passaram por uma experiência digna de um filme de Steven Spielberg. No Palácio de Versalhes elas foram protagonistas de um fenômeno extraordinário de distorção temporal, um evento que mudou a vida das duas para sempre.

No feriado da Páscoa em 1901, duas professoras secundaristas de meia-idade, Anne Moberley e Eleanor Jourdain, juntaram-se a uma excursão a Paris e ao interior da França. Foi durante uma visita ao palácio de Versalhes que as duas mulheres passaram por uma experiência de que jamais se esqueceriam. Após conhecer as de­pendências principais do palácio e sua área externa, as senhoritas Moberley e Jourdain percorreram os mundialmente famosos jar­dins que levam ao Petit Trianon, a residência favorita de Maria Antonieta.

Anne Moberley
Entretanto, como não possuíam um mapa detalhado do local, as duas mulheres se perderam e, encontrando por acaso dois homens trajando vestes típicas do século XVIII, os quais elas pensaram ser moradores do local, pediram a eles informações sobre o país. Em vez de ajudar, os homens encararam-nas de forma estra­nha e cumprimentaram-nas precipitadamente. Mais adiante, passaram pelas inglesas uma mulher jovem e uma garota, também vestidas à moda antiga, embora suas roupas fossem de má qualidade. Todavia, as professoras não suspeitaram que algo de estranho estivesse acontecendo até que chegaram ao pavilhão do Temple D’Amour, ocupado por muitos outros indivíduos vestidos como antigamente e falando um dialeto do francês desconhecido para elas.

Eleanor Jourdain
Ao se aproximarem do Temple D’Amour, ficou claro para elas que algum detalhe de sua aparência chocava aquelas pessoas. Apesar disso, um dos homens mostrou-se cordial e, por meio de gestos, conduziu-as até o Petit Trianon. Chegaram lá depois de atravessar uma ponte de madeira cruzando uma pequena vala. Ainda que tivessem atingido finalmente seu destino, as duas mulheres deram pouca atenção à construção em si, concentrando-se na figura de uma pessoa que, sentada, desenhava um esboço do bosque próximo. Muito atraente, trajando uma peruca imponente característica e um vestido longo típico da aristocracia do século XVIII, a mulher parecia mais o motivo para um quadro do que uma artista.

Elas foram se aproximando da figura aristocrática até que ela se virou bruscamente para ambas. Elas saudaram-na com sorrisos, mas ela simplesmente encarou-as com uma expressão de temor e perplexidade. Foi então que as duas inglesas por fim perceberam que, de algum modo, regrediram no tempo. Recordando-se de suas sensações, a senhorita Moberley referiu-se ao ambiente em que estava como de certa forma sobrenatural. Escreveu posteriormente: “Até mesmo as árvores pareceram adquirir um aspecto bidimensional e sem vida. Não havia efeitos de luz e sombra... as árvores não farfalhavam ao vento. ” Então, como se elas tivessem despertado de um sonho, a misteriosa quietude cessou e a ambiência e as cores voltaram ao normal. Em um piscar de olhos, a artista aristocrata desaparecera e, em seu lugar, surgira um guia de turismo contemporâneo, acompanhado de muitas senhoras em uma excursão ao Petit Trianon.

Após pesquisarem intensivamente a história do palácio de Versalhes, as professoras chegaram bastante tempo depois à conclusão de que, de fato, se deslocaram ao passado através de uma espécie de distorção do tempo ou de um portal invisível interdimensional. Em sua opinião, o ano a que elas retornaram foi provavelmente o de 1789. Para as autoras, os jardineiros que não as compreenderam eram aparentemente os guardas suíços que notoriamente estiveram na corte de Luís XVI, e a mulher acompanhada de uma garota, ambas vestidas em farrapos, deviam ser camponesas que moravam nas cercanias dos jardins do palácio. A senhora aristocrática que fazia um esboço do bosque devia ser com certeza a própria Maria Antonieta.

Os Céticos

Os céticos — em grande número — ridicularizaram essa história e insistiram que as professoras a inventaram simplesmente para ganhar dinheiro. Tais críticos apontaram de imediato para o fato de que não havia na história detalhe algum que não pudesse ser pesquisado anteriormente. Além do mais, como não existe qualquer menção a uma suposta ponte de madeira cruzando uma pequena vala em nenhum dos registros que documentam o palácio no século XVIII, esse exato aspecto da história mostrava-se incoerente com os fatos conhecidos.

A Prova

Quanto a essa última objeção, contudo, logo depois emergiu uma prova crucial que conferiu credibilidade às significativas lembranças das professoras. Na década de 1920, uma cópia lacrada das plantas originais do palácio foi descoberta em uma chaminé de um prédio antigo em uma cidade vizinha.

Escondidas lá há muito tempo, possivelmente com a intenção de um arquivamento seguro, elas foram privadas da observação humana por mais de um século. Fato intrigante: as plantas do arquiteto faziam referência à ponte de madeira sobre uma vala que as mulheres afirmavam ter atravessado. Naturalmente, as autoras britânicas reclamaram o reconhecimento da autenticidade de sua história e, muito embora tal fato não constituísse uma prova irrefutável de que elas realmente houvessem voltado ao passado, tornou-se muito mais difícil desprezar o incidente.

A despeito de o fenômeno de Versalhes permanecer talvez como o mais famoso exemplo de uma pessoa do século XX que visita o passado, ele não é o único desse gênero.


Fontes: Viagem no Tempo - Versalhes; The Ghosts of Versailles

O Julgamento das Bruxas de Zugarramurdi


Na fronteira com a França, rodeada por um vasto pasto verde onde as vacas pastam calmamente, fica a aldeia de Zugarramurdi. Localizada na região de Navarra de Xareta esta pequena vila tem atualmente apenas 250 habitantes e, apesar de ser conhecida por seus magníficos pinheiros e castanheiras, bem como para a exploração de uma caverna impressionante esculpida pela água, Zugarramurdi deve a sua fama aos eventos tristes e escuros, em sua maioria concluídos pelos seus residentes, no século XVII.

Alguns desses eventos levaram o Tribunal da Inquisição a sentenciar punições para cinquenta pessoas por prática de bruxaria.

Em 1608 os senhores da Urtubi-Alzate e Sant Per pediram ajuda urgente ao rei Henrique IV da França devido a problemas com bruxas no país Labourd. Em seguida, uma mulher de Zugarramurdi disse que sonhou que alguns aldeões participaram de uma reunião na caverna local. Seu sonho fez com que o abade de Urdax fosse procurar auxílio junto ao Tribunal da Santa Inquisição em Logroño, de onde partiu o inquisidor Juan Alvarado Valle para realizar investigações na área.

O inquisidor, depois de ouvir vários comentários e reclamações, indiciou, inicialmente, mais de três centenas de pessoas. Os mais suspeitos, cerca de quarenta dos acusados, foram transferidos para a prisão de Logroño e mais tarde foram julgados no "Processo de Logroño" (um processo que alcançou fama internacional, cruzando as fronteiras espanholas e francesas). Em junho de 1610 o tribunal declarou 29 dos acusados culpados.

Bruxa vestindo um sambenito e chapéu
pontudo, ouvindo o veredicto do inquisidor
- Caprice No. 23 por Francisco de Goya.
No "Auto de Fé", realizada em Logroño, em 7 e 8 de novembro de 1610, dezoito pessoas foram perdoadas porque elas confessaram os seus pecados e um apelo à misericórdia do tribunal, seis outros resistiram e foram queimados vivos. Cinco estatuetas foram queimadas representando mais cinco pessoas, uma vez que já tinham morrido na prisão. Cerca de 30.000 pessoas participaram do Auto de Fé no domingo de 7 de novembro de 1610, muitos dos quais eram da França.

O cortejo começava com uma procissão composta de milhares de pessoas, incluindo: famílias dos acusados, comissários, notários da Inquisição e membros de várias ordens religiosas. Mais para trás na fila havia vinte penitentes carregando uma vela na mão, seis dos quais usavam uma corda em volta do pescoço, o que indicava que eles deviam ser açoitados. Após estes, o “perdoado” andava com um sambenito (uma peça de vestuário semelhante a um escapulário) e um grande chapéu pontudo.

Em seguida, cinco pessoas apareciam carregando as estátuas dos cinco presos que haviam morrido na prisão, acompanhados dos caixões correspondentes contendo seus restos mortais. Seguiam mais quatro mulheres e dois homens, também vestindo sambenito, mas de cor negra, que significava que eles seriam queimados vivos por sua heresia.

E completando a procissão vinham quatro secretários da Inquisição e três inquisidores da corte de Logroño montados em cavalos e um burro carregando o caixão que continha os veredictos.


Fonte: The Zugarramurdi Witch Trials: Welcome to the Spanish Salem

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Cadeia da Vida


A alma de Roberto vagava sem descanso na dimensão dos mortos. Não havia mais dor. A morte fora-lhe um alívio, pois a doença que o consumira durante anos tornara sua vida um verdadeiro inferno.

Roberto não alcançara, entretanto, a paz. Voltava aos lugares que conhecia, procurava os amigos, tentava se comunicar. Não havia como. Do outro lado, vê-se o mundo dos vivos, mas o inverso não ocorre, a não ser em situações muito especiais.

Observando as pessoas morrendo, via o instante do desligamento entre corpo e alma. Novos espíritos, a princípios cegos, juntavam-se a ele. Logo, enxergavam a nova dimensão. Muitos, rapidamente se afastavam, atraídos por uma força maior, outros ficavam perambulando pela vastidão sem fim, como que procurando uma porta de volta ao reino dos vivos. Era o caso de Roberto.

Olhando seus filhos crescerem na sua ausência, chorava com saudades. Sua filha casara-se e ele não a levara pela mão. Agora, ela esperava um filho, o neto que ele nunca teria no colo. Aquelas cenas, como se fosse um cinema contínuo, apesar de alegres, causavam nele melancolia, ao ver inacessíveis seus desejos mais simples.

De repente, Roberto sente dor, como nunca em vida sentira. Sente-se despedaçado e, em desespero, teme que exista morte também para o espírito. É puxado para um turbilhão cósmico e sugado para a escuridão.

Suas lembranças começam a se dissipar e o último som que ouve é um choro de criança, o seu choro. Roberto era agora seu próprio neto, seguindo a cadeia interminável da morte e da vida.


Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.

A Curva dos Neves


Chovia muito. A família Almeida seguia pela estrada, sinuosa e enlameada. Antônio guiava, preocupado; a mulher e os dois filhos procuravam ajudá-lo, olhando pelos vidros, procurando por alguma indicação. Lá fora a escuridão total, de uma via pouco cuidada, onde o mato cobria as poucas placas que ainda restavam.

Um carro veio buzinando pela outra mão, e fez com que Antônio parasse. Pelas janelas, as duas famílias conversavam. Os Neves, que vinham do outro lado, disseram que uma barreira havia caído, logo depois da curva próxima a eles. Aconselharam a Antônio que desse meia volta e rumasse com sua família até uma cidadezinha próxima, até que a tempestade passasse.

Antônio agradeceu e fez como lhe foi dito. Antes, porém, aproximou-se cautelosamente da curva e observou, apesar da dificuldade de visão, a enorme cratera aberta na pista. Realmente, na velocidade em que se encontrava antes do aviso, talvez não tivesse tido tempo de desviar-se. Poderia ter caído barranco abaixo. Aquela advertência havia salvo a sua vida, e a da sua família.

Ao chegar a cidadezinha sugerida, parou num pequeno hotel, logo na estrada, talvez o único daquele lugar. Encontrou mais duas famílias, esperando por hospedagem naquela noite. Coincidentemente, estavam ali nas mesmas circunstâncias: haviam sido avisados pelos Neves sobre a queda da barreira.

Antônio contou, então, o que vira na estrada, fazendo com que todos se conscientizassem da extensão do perigo que haviam se livrado graças ao aviso em tempo. Outro motorista disse que seguiu atrás do carro que o alertou até a entrada da cidade, perdendo-o de vista, então. Provavelmente aquela gente seria habitante do lugar.

Todos ficaram curiosos, e ao mesmo tempo desejosos de agradecer pessoalmente àquelas pessoas que haviam se dado ao trabalho de parar cada um daqueles carros, sob forte chuva, para alertá-los de um provável acidente.

Como o dono do hotel chegara para atendê-los, perguntaram sobre a família Neves, descrevendo com alguns detalhes o carro em que estavam e a aparência das pessoas dentro dele.

O hoteleiro riu. Só poderiam estar brincando, ele disse. Os Neves realmente haviam morado ali, mas não existiam mais. A família havia morria 5 anos antes, soterrada num desbarrancamento, perto dali, numa noite de chuva como aquela.


Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.

O Político


Ele era um político de sucesso. Sua energia e disposição fizera com que, cargo a cargo, atingisse tal poder que decidia sobre destinos como se escolhesse a cor da camisa que usaria.

Na sua subida, corrompeu-se de tal forma que já não recusava qualquer trato. Desviava verbas, favorecia hipócritas e demagogos, cercava-se de abutres. O poder o cegava.

Afinal, havia chegado o dia de realizar o negócio de sua vida. Havia tanto envolvido, que sua força seria inigualável. Poderia comprar tudo e todos, nada mais o deteria. Chegaria ao topo, nada mais poderia detê-lo.

Havia escondido de todos aquele negócio. Não poderia confiar tamanho segredo a ninguém. Foi, então, sozinho, ao encontro decisivo. Estranho encontro aquele, à noite, num cemitério. Mas como ele mesmo dizia, as paredes tinham ouvidos. Seus parceiros tinham razão.

Não encontrou, porém, as pessoas que esperava.

Logo, corpos, cadáveres, zumbis, o rodeavam. E um deles falou, até onde permitia a boca, já carcomida pelos vermes.

Aquela gente havia morrido de fome, pela comida que não viera, morrido de frio, pelo agasalho trocado por ouro. Havia morrido por doenças que simples remédios curariam.

De todas aquelas mortes ele era acusado.

O político então notou, em cima de uma tumba, uma urna. Seria uma eleição onde os mortos votariam o seu destino. A última eleição.


Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O Compromisso


A paixão que existia entre Carla e Armando era tanta que os amantes não mais se contentavam em jurar amor apenas por toda vida. Prometiam fidelidade para além da morte. Se um deles morresse, viria buscar o outro, para ficarem juntos pela eternidade.

O destino quis que Armando se fosse primeiro. Uma doença rara, em poucos meses, acabara com sua vida.

A princípio, Carla pensou em suicídio, mas logo percebeu que seu amor pela vida era ainda maior que sua dedicação pelo marido.

A promessa feita, contudo, não a deixava em paz. Passou a ouvir ruídos, distinguir passos. Tinha pesadelos com o cadáver do ex-marido perseguindo-a, puxando-a para debaixo da terra.

Uma noite, despertou sentindo um hálito quente na nuca, uma língua áspera a lamber-lhe o rosto. Gritou o mais alto que seus pulmões permitiam. O gato, seu bichinho de estimação, pulou da cama, saindo correndo do quarto. Fora apenas um susto.

Carla percebeu então, que seus nervos estavam, realmente, em estado deplorável. Não poderia mais ficar sozinha naquela casa, em que cada objeto parecia lembrar-lhe as juras feitas. Arrumou rapidamente uma pequena mala, decidida a voltar, pelo menos por um tempo, para a casa dos pais.

Retirou o carro da garagem, acelerou fundo e partiu. Repentinamente, sentiu um forte puxão no seu braço. Não conseguiu mais controlar o carro, que se despedaçou contra uma árvore, numa curva que conhecia muito.

Morrendo percebeu que, sob aquela árvore, ela e Armando haviam trocado seu primeiro beijo.


Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.

O Engano


Cíntia andava rapidamente. Já ia entardecendo e não havia sinal de pessoas as quais pudesse pedir por socorro. Ouvia o barulho das folhas secas sendo pisadas, como se estivesse sendo seguida. Receosa, começa a correr, ao que os passos também se apressam. O pânico toma conta da moça, que corre desorientada.

À sua frente, surgindo de trás de uma árvore, um homem. Assemelhava-se a um zumbi, a pele escura e enrugada, os olhos sem vida, um verdadeiro cadáver ambulante. Ela retorna, em fuga, mas de todas as direções aquelas figuras vão aparecendo, cercando-a. Parecia um filme de terror, como dezenas que já havia assistido. Os mortos se levantavam e iriam levá-la.

Paralisada, Cíntia olha aqueles seres que se aproximam. As roupas em retalhos, lábios, orelhas e narizes meio comidos pelos vermes. Pedaços de carne pendurados àqueles corpos, imensas crateras nos rostos, eles a queriam.

Apontam para ela, mas, estranhamente, não pareciam inamistosos. Mantêm distância, como que respeitando seu pavor. Ela percebe, então, que eles têm algo a dizer.

Somente então ela percebe. Há sangue em sua roupa.

Tomada por repentina consciência, leva as mãos à cabeça: seu crânio, estourado, deixava escapar um líquido viscoso, que vazava do seu cérebro. Ela havia sofrido um acidente, seu carro caíra num barranco.

Aqueles cadáveres não iriam fazer-lhe mal. Ao contrário, davam-lhe as boas-vindas ao reino dos mortos.


Fonte: "Crônicas de terror de Zé do caixão" - Editora Associação Beneficiente e Cultural Zé do Caixão, SP, Brasil, 1993.

A Iniciação da Bruxa

Ensayos - Los Caprichos, 1799 - Goya
O antropólogo espanhol Carmelo Lisón Tolosana cita o caso das "Bruxas de Zugarramurdi" como um exemplo para explicar a iniciação à bruxaria, seguindo a relação do processo inquisitorial publicado em Logroño no início de 1611, poucos meses depois de se realizar o auto de fé em que seis bruxas e bruxos foram queimados vivos.

De acordo com esta relação, a iniciação à bruxaria começava cedo. As bruxas-mestras, à noite, retiravam de suas camas crianças com menos de cinco anos enquanto seus pais dormiam, e as levavam voando para o Sabbath. Se elas contassem aos pais ou a alguém desses passeios noturnos, seriam espancadas por essas "tias" malignas.

Uma das tarefas dessas crianças, entre outras, era cuidar dos sapos pelos quais as bruxas obtinham unguentos ou pomadas que as faziam voar. A princípio, não eram obrigadas a abjurar de sua fé, porque ainda pequenas eram simplesmente apresentadas ao demônio, mas quando completavam seis anos de idade as bruxas-mestras as convenciam a renunciar Cristo através de guloseimas e promessas de coisas fantásticas.

A cerimônia de apostasia começava duas horas antes do Sabbath, quando a bruxa-mestra despertava o novato (a) o untando com um líquido fedorento verde-escuro — obtido de sapos — mãos, plantas dos pés, seios, cada uma das partes laterais e da frente da cabeça, proeminências, orelhas e partes pudendas do corpo, transportando seu corpo pelo ar.

Depois desse ritual é conduzido à reunião, onde diabo já o aguarda sentado em seu trono com uma aparência entre homem e bode, olhos enormes e assustadores, mãos como garras de aves de rapina, coroa com chifres pequenos e um grande chifre que saí de sua frente iluminando a reunião de bruxos e bruxas — a quem a bruxa-mestra apresenta a seu discípulo com as palavras: "Senhor, este eu trago e apresento".

Em seguida, o menino ou a menina ajoelhada ainda repete a renúncia (abjuração) pronunciada pelo diabo. "Negar a Deus, a Virgem Maria, Todos os Santos, batismo e confirmação, de ambas as crismas, de seus padrinhos e pais, da fé e de todos os cristãos”.

Depois de aceitar como seu novo deus e mestre Satanás, — que lhe levará ao paraíso — a nova bruxa ou bruxo faz seu primeiro ato de adoração ritual, beijando-lhe a mão esquerda, depois sua boca, seios, sobre o coração e nas partes íntimas; então o diabo se volta para o seu lado esquerdo, levanta a sua cauda que é igual à dos asnos, descobrindo assim seu imundo traseiro e o oferece para o discípulo (a) beijar.

Ósculo infame de uma bruxa no diabo - Compendium maleficarum, 1608

Satisfeito por esse ósculo infame, o novo senhor faz uma marca com uma unha da mão esquerda em algum lugar do corpo da nova bruxa, um sinal durará para sempre e que irá causar dor pelo menos um mês. Também marca a menina dos olhos deixando impressa a figura de um sapo, um sinal de que lhe servirá para conhecer outros membros da seita. Em seguida, é enviado para se divertir e dançar com outros bruxos (as) jovens ao som de pandeiro e flauta.

Mas eles ainda não são totalmente bruxos ou bruxas. Com os novos poderes que ganharam são obrigados a executar o mal, liderados por suas bruxas-professoras. Só com o passar do tempo é que recebem a “dignidade” de poder fazer poções ou venenos mediantes à bênção com a mão esquerda que lhes faz o diabo na reunião em que participam.

Em seguida, ele lhes entrega os sapos vestidos que deu às suas professoras quando renegaram a Cristo e, a partir de então, já podem obter destes o líquido fedorento com que hão de se untar para poderem voar, produzir poções ou venenos para matar pessoas e animais, destruir culturas e frutas.

A partir de agora eles não vão mais precisar de padrinhos ou professores, irão sozinhos às reuniões noturnas e poderão ser admitidos aos maiores segredos e maldades. Já são magos ou bruxas, membros de pleno direito da seita, desfrutando de interação direta, pessoal e mútua com seu deus e senhor.


Fonte: eanswers - Bruja

sábado, 12 de dezembro de 2015

As Catacumbas de Palermo


As Catacumbas de Palermo, Itália, construídas em 1621 e situadas na Piazza Capuccini, exploradas e de propriedade dos Padres Capuchinhos, são mundialmente conhecidas como «As Catacumbas dos Capuchinhos».

Nessas catacumbas estão depositados corpos de monges datados desde 1599.

Estes monges morreram e não foram enterrados, ou seja, você pode ver seus corpos através de diversas salas.


Por alguma explicação física (talvez a falta de humidade), os corpos não se decompuseram, e as roupas continuaram intactas.

Este cemitério tem uma lotação de 8.000 hóspedes, a maioria mumificados (por diversos métodos, como o do banho em arsênico ou banho em leite quente), alguns de pé (erguidos com arames) ou em caixões e pode-se ver ainda o que resta dos cabelos, as roupas intactas, etc.

As catacumbas são divididas por alas: Irmãos Capuchinhos, Homens, Mulheres, Homens de Profissão Liberal, Padres e Crianças.

As mulheres eram subdivididas e discriminadas em casadas, virgens e solteiras, estas últimas gentilmente assinaladas com uma coroa de metal.

Das várias crianças existentes, a relíquia emblemática é a pequena Rosália Lombardo (figura ao lado) que faleceu aos 2 anos e foi embalsamada pelo próprio pai, que por sua vez nunca revelou o segredo desta mumificação.

Existe música nas catacumbas com inspiração em 1777, de Ippolito Pindemonte no canto «I Seplocri», o que lhe valeu o nome afixado numa rua de Palermo.



Fonte: portugalparanormal.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Queen Mary e seus fantasmas



O transatlântico Queen Mary navegou o Oceano Atlântico Norte de 1936 à 1967 e em 2 de outubro de 1942, em plena Segunda Guerra, acidentalmente, afundou um de seus navios de escolta, cortando o casco do Cruzador HMS Curacoa ao largo da costa irlandesa com uma perda de 239 vidas.

O Queen Mary levava milhares de americanos para se juntarem as forças aliadas na Europa. Devido aos riscos de ataque de submarinos, estava sob as ordens de não parar em qualquer circunstância.

Em dezembro de 1942, transportava mais 16.000 soldados norte-americanos de Nova Iorque para a Grã-Bretanha. Durante esta viagem, foi subitamente atingido por uma onda gigantesca que pode ter atingido uma altura de 28 metros. Dr. Norval Carter, a bordo na época, escreveu que em dado ponto "o maldito virou ... em um momento, o deck estava no auge de costume, e em seguida, swoon! ". Calculou-se mais tarde que o navio rolou 52 graus, e se teria virado mais 3 graus.

Esse incidente inspirou Paul Gallico a escrever sua história, "The Poseidon Adventure", que mais tarde foi transformado em um filme com o mesmo nome, no qual o SS Poseidon é virado de cabeça para baixo e a história segue com os passageiros tentando escapar.

O Queen Mary foi adquirido pela cidade de Long Beach, Califórnia, em 1967, e transformado em um hotel. Aí começam as aparições.

A área mais assombrada do navio é a casa de máquinas, onde um marinheiro de 17 anos foi esmagado até a morte tentando escapar de um incêndio. Batidas e pancadas nos canos ao redor da porta já foram ouvidas e gravadas por várias pessoas. No que é conhecido como a área da recepção do hotel, visitantes têm visto o fantasma de uma “dama de branco”. Fantasmas de crianças são ditos que assombram a área ao redor da piscina.

Alguns visitantes recentes afirmam terem ouvido até mesmo o choque do navio, e gemidos dos espíritos inquietos. Os hóspedes ao saírem de suas cabines, escutaram gemidos e foram procurar de onde saia, então descobriram que não havia lugar para caminhar até o local de onde vinha o som. Outros hóspedes, de repente despertaram no meio da noite, e viram ao pé de suas camas, uma menina (descrita por vária pessoas como sendo a mesma) olhando eles dormirem e desaparecendo alguns segundos após.

Os visitantes têm observado várias vezes durante o mesmo dia, o mesmo personagem que aparece e desaparece em várias partes do barco. Há fatos, de ectoplasmas vestindo roupas do passado, blazers de Gatsby e de maravilhosos vestidos estilo Greta Garbo.

Uma mulher, visitante deste navio foi internada, após cair e se levantar como se fosse uma outra pessoa, durante alguns minutos, como se um espírito tivesse tomado posse dela. Sombras fugazes fantasmas, odores fortes de cigarros assombram quartos e corredores do navio, já tendo recebido visita de vários especialistas do paranormal.

Mais de uma dúzia de aparições já foram gravadas a bordo deste transatlântico de luxo.


Fontes: Sobrenatural.org; Wikipédia.

Destinos assustadores: Charles Bridge


Praga, República Checa

Dizem ser assombrada por dez senhores decapitados que perambulam a ponte à noite. A história da ponte é macabra: existem 27 estátuas ao longo da ponte, estátuas de líderes Checos, hoje santos. Elas foram construídas no local exato onde esses líderes foram executados brutalmente por Jan Mydlar: 24 decapitações e 3 enforcamentos.

Um dos locais mais famosos de Praga, Charles Bridge é normalmente a primeira parada para muitos visitantes. A ponte está alinhada com as estátuas de pedra dos santos, dando aos visitantes a sensação de que eles estão sendo observados enquanto fazem seu caminho para o outro lado. No entanto, a lenda que um desses santos não foi morto exatamente no momento em que foi transformada em uma estátua.

O conto diz que no século 14, São João Nepomuceno tinha acabado de tomar a confissão da rainha Joana, esposa do rei Venceslau IV. Quando o santo se recusou a dizer ao rei, precisamente o que foi confessado, o rei mandou o padre ser torturado antes de ser jogado fora da ponte e deixado para morrer. Seu fantasma andou a ponte por 300 anos, até o século 17, quando foi congelado e colocado em forma de estátua.

Se você tocar a estátua poderá manter qualquer segredo seguro e garantido que ele não será descoberto por ninguém. Apesar de São João já não assombrar a ponte, não é aconselhável para cruzar a área da meia-noite.

Isto é quando os fantasmas dos dez senhores, executados na Idade Média, aparecem cantando canções tristes, com a intenção de assustar alguém atravessando a ponte durante a hora das bruxas.

A lenda também diz que essa ponte jamais cairá, porque à sua argamassa foram incorporados ovos e vinho.


Fonte: Portugal paranormal; 10 destinos assustadores

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Destinos assustadores: Bram Castle



Brasov, Romênia.

Antiga casa de Vlad, o Empalador, que serviu de inspiração do Drácula de Bram Stoker.

Foi nesta cidade que Vlad Tepes – nascido na Transilvânia em 1431 e morto numa batalha contra os Turcos Otomanos em 1476 – cometeu algumas das maiores atrocidades já vistas pelo homem, inspirando o romance Drácula de Bram Stoker, escrito em 1877.

Vlad III herdou o apelido de seu pai, Vlad II: guerreiro da Ordem do Dragão, símbolo de seu principado e destinada à defender o cristianismo e o Império da ameaça dos Otomanos. Em romeno “drac” significa dragão e “ulea”, filho de; assim, Vlad II foi chamado de Vlad Drácula, ou seja, “o filho do Dragão”. A palavra “drac” também pode significar demônio.

Conta-se que em 1461, Mehmet II do Império Otomano, homem reputado por sua coragem, desistiu de invadir a Transilvânia diante da horrenda visão e fétido odor da floresta de 20.000 prisioneiros turcos empalados na entrada da cidade de Torgoviste. Mas este não foi seu recorde, no dia de São Bartolomeu de 1459, Vlad ordenara o empalamento de trinta mil pessoas.

Para efetuar o processo de empalamento, Vlad prendia as pernas da vítima em um cavalo enquanto uma estaca afiada era introduzida lentamente no corpo do torturado. A ponta da estaca era mergulhada em óleo, mas mantinha-se o cuidado especial de não a deixar excessivamente afiada para não causar a morte imediata da vítima. Normalmente a estaca era inserida no ânus até sair pela boca, entretanto, muitas vezes, as vítimas eram empaladas através de outros orifícios corporais, abdômen, peito...; mãe e filhos eram empalados em uma mesma estaca, incialmente atravessada pelo peito da mãe. Todos os corpos eram deixados no local para apodrecer a olhos nus.

O empalamento logicamente não era seu único método de tortura física, psicológica e política. Despelamento, mutilamento de membros e genitais tanto masculinos quanto femininos; estrangulamento, cortes, queimaduras, decepamento de narizes, orelhas, olhos.


Fontes: Wikipédia; 10 destinos assustadores

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Angéle de la Barthe


Angéle de la Barthe foi julgada por bruxaria e condenada à morte pela Inquisição em 1275. Ela tem sido popularmente retratada como a primeira pessoa a ser condenado à morte por feitiçaria herética durante as perseguições de bruxas medievais.

Nascida por volta de 1230, uma nobre de Toulouse, França, Angéle era uma adepta do catarismo, uma seita gnóstica cristã considerada herética pela Igreja Católica. Ela teria sido acusada em 1275 pelo Inquisidor Hugo de Beniols de ter relações sexuais com o Diabo (ou com um incubus) e dar à luz a um monstro carnívoro com uma cabeça de lobo e cauda de serpente, cujo único alimento consistia em bebês e crianças pequenas.

De la Barthe foi acusada de ter sequestrado e assassinado estas crianças ou de ter retirado os corpos delas de suas sepulturas. Foi considerada também responsável pelo desaparecimento de muitas crianças ao longo dos dois anos anteriores. Sob tortura, ela confessou ter tido relações sexuais com Satanás e ter alimentado a criatura durante dois anos, antes que o próprio fugisse no meio da noite.

Considerada culpada, foi queimada viva na Praça Saint Stephen, em Toulouse.

Estudiosos contemporâneos têm dúvidas sobre a veracidade da história de Angéle de la Barthe, pois não há menção de seu julgamento nos registros de Toulouse da época. Além disso, em 1275, a bruxaria ainda não era considerada um crime. Em última análise, a crônica do século XV a partir do qual a história dela deriva é considerada ficcional.


Fontes: This is a Witch; Nas mãos da Lua; Wikipédia.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Agnes Sampson

Agnes Sampson e suas amigas bruxas dando bebês para o Diabo.

Agnes Sampson (? - 1591 D. C) foi uma senhora idosa, respeitada parteira e curandeira de North Berwik, Escócia, acusada de se reunir com "outras bruxas" na noite de Halloween em 1590 e lançar um feitiço sobre a "Mãe Natureza" que levou a uma tempestade que quase afundou o navio em que o rei James VI estava navegando.

Sampson foi levada até o rei James e um conselho de nobres. Ela negou todas as acusações, mas depois de ser torturada horrivelmente, finalmente confessou.

Ela estava presa à parede de sua cela por um freio de bruxa - um instrumento de ferro com pontas afiadas que forçava para dentro da boca, de modo que dois dentes pressionavam a língua, e os dois outros iam contra as bochechas.

Foi mantida sem dormir, lançada com uma corda em volta de sua cabeça, e só depois destas provações confessou cinquenta e três acusações contra ela, entre elas a de ser aliada de Satanás e de conspirar para afogar o rei.

Após sua confissão, foi estrangulada até a morte e depois queimada.

Ela foi a primeira de um número estimado de 70 bruxas de North Berwick a serem mortas no reinado do rei James. De acordo com TC Smout, entre 3.000 e 4.000 bruxas foram acusadas e executadas na Escócia nos anos 1560-1707.


Fontes: 10 ‘Witches’ Who Were Famously Killed For Their Alleged Crimes; Wikipédia.

O Retrato de Antonietta Gonsalvus


De autoria da pintora italiana Lavinia Fontana (1552-1614), esta tela é de 1577 e diz respeito a uma pessoa real quando tinha 12 anos. Antonietta Gonsalvus, eternizada como Tognina, tal como seu pai, Petrus Gonsalvus (figura abaixo), seu irmão e suas irmãs, sofria de uma doença rara, a hipertricose (hypertrichosis univerversalis congênita), também conhecida por síndrome do lobisomem.

O manuscrito que Antonietta segura com as duas mãos resume a sua história: “Don Pietro, homem selvagem descoberto nas Ilhas Canárias, foi conduzido a sua Alteza Sereníssima D. Henrique, rei da França, e de lá para sua Excelência o Duque de Parma. Dele descendo eu, Antonietta, e posso ser encontrada junto da corte da senhora Isabella Pallavicina, honorável Marquesa de Soragna”.

Muito se falou da doença rara de sua família. Desenhos dela estão em Praga porque o imperador de lá tinha um livro de curiosidades. Médicos e antropólogos a estudaram minuciosamente. A igreja, que considerava o rosto como a capela sagrada do corpo, não a entendia e aceitava. A sorte da família é que Francisco, já santo há mais de 100 anos, havia incluído o animal ao reino de Deus.

Outra curiosidade sobre esta obra (lembre-se, a tela tem 500 anos): foi pintada por uma mulher, filha do dono da oficina de pintura que atendia a casa nobre que fez a encomenda da tela. Acredite... Pintoras no século XVI eram tão raras quanto mulheres lobo. Ah... Tognina cresceu, casou e teve filhos... todos parecidos com ela.


Fontes: Rui Gonçalves Piranda; Monstros: Milagres da natureza ou pecado dos homens?.
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