quarta-feira, 6 de abril de 2016

Fantasmas da Mente

Alexandra David-Néel, pseudônimo de Louise Eugénie Alexandrine Marie David (Paris, França, 24/10/1868 — Digne-les-Bains, 08/09/1969), escritora espiritualista, budista, anarquista, reformadora religiosa e exploradora.

Sabemos que a mente pode criar seus próprios fantasmas, mas o que sabemos sobre sua capacidade de projetar essas imagens no mundo exterior, além dos limites do cérebro? E o que acontece quando a projeção mental adquire vida própria?

A estranha experiência de madame Alexandra David-Neel responde, de certa forma, a essas questões. Ela, que viveu até a idade de 101 anos, foi uma das muitas mulheres do Império Britânico que viajaram sozinhas para o misterioso Oriente e deixaram relatos escritos das viagens.

Alexandra não só viajou por grande parte do primitivo Tibete do século 19, como também seguiu meticulosamente a religião e os ensinamentos dos lamas budistas com os quais conviveu. Seu ritual mais surpreendente envolveu a criação do que os tibetanos chamavam de tulpa, ou fantasma gerado pela mente. Os lamas a advertiram de que esses "filhos de nossa mente" podiam, algumas vezes, ficar perigosos e incontroláveis, porém ela persistiu na experiência.

Longe de todos, Alexandra se fechou e começou a se concentrar, após haver estabelecido como alvo de sua tulpa a imagem de um monge gordo e de baixa estatura.

- Um homem do tipo inocente e alegre - de acordo com suas próprias palavras.

Depois de conseguir um resultado surpreendente, ela começou a tratar o novo "companheiro" como qualquer pessoa humana em seu apartamento.

Quando madame Alexandra saía para cavalgar, o monge etéreo a acompanhava. Da sela, ela olhava por cima do ombro e via o tulpa.

- Ele se dedicava a várias ações comuns aos viajantes, que eu não ordenara.

Como resultado das experiências, outras pessoas que entravam em contato com Alexandra começaram a ver o monge, confundindo-o com um ser vivente. Nesse ponto, seu tulpa modificou-se completamente, e para pior. As feições dele tornaram-se malignas. No entanto, quando ela decidiu eliminar o monge da mente, a erradicação demonstrou ser quase tão difícil quanto a criação original.

Em seu livro "Magic and Mystery in Tibet" (Magia e Mistério no Tibete), Alexandra David-Neel relata os seis meses de luta árdua que se seguiram, antes que aquele monge, fruto de sua própria imaginação, pudesse finalmente desaparecer.

- Não há nada de estranho no fato de eu ter criado minha própria alucinação - concluiu Alexandra. - O mais interessante é que, nesses casos de materialização, outras pessoas conseguem ver os fantasmas da mente.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz
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