segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Regeneração Espontânea


Pierre de Rudder era um camponês belga que vivia em Jabbeke, perto da cidade de Bruges. A sua estranha história tem início em 1869, quando caiu de uma árvore e partiu uma perna. Os danos foram tão graves que a perna ficou irremediavelmente perdida e quando os fragmentos ósseos foram removidos, mais de 3 centímetros separavam a perna da coxa. Apenas os músculos e a pele mantinham a perna de Pierre.

De Rudder depois do milagre.
O médico sugeriu-lhe amputar o membro mas, apesar da dor, ele recusou terminantemente a sugestão. Sofreu dores horríveis durante oito anos, antes de decidir visitar a cidade de Oostacker, local de um santuário da nossa senhora de Lourdes.

A viagem causou sofrimento indescritível a De Rudder. Ele precisou ser colocado no comboio por três pessoas e a supuração na zona do ferimento era tão repelente que ele quase foi atirado para fora do vagão.

Não é preciso dizer que De Rudder estava com terrível mau humor, quando, finalmente, chegou ao santuário e pôs-se a rezar.

Foi nesse momento que um súbito êxtase o dominou e de acordo com as testemunhas, ele ficou em pé e caminhou, sem o auxílio das muletas.

De Rudder morreu em 1898 e o Dr. Van Hoestenbergh exumou-lhe o corpo dois anos depois, para poder examinar mais de perto as pernas e os ossos originais do seu ex-paciente.

“Fotos dos ossos mostraram claramente que um novo osso foi usado para regenerar a perna irreparavelmente partida”, revelou o médico.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

A Premonição de Mark Twain


Mark Twain, cujo nome verdadeiro era Samuel Langhorne Clemens, ainda é o escritor mais amado dos EUA. Nascido na pequena cidade de Flórida, Missouri, e criado na cidade vizinha de Hannibal, ele conseguiu passar para o papel toda a coleção de documentos literários, históricos e etnográficos que se referem à esfera cultural americana em livros, como As Aventuras de Huckleberry Finn.

Mas pouca gente sabe que, por trás do humor e do cinismo, Mark Twain era um sério estudioso dos fenômenos paranormais. Seu interesse pelo assunto surgiu de experiências pessoais, inclusive a de determinado dia, em 1858, quando previu a morte do irmão.

Nessa época, o escritor trabalhava como timoneiro em um paquete, que fazia o percurso entre Nova Orleans e St. Louis. Certa noite, enquanto passava alguns dias em terra firme, sonhou com o irmão Henry morto, deitado num caixão de metal e vestido com um dos ternos do próprio Twain. O caixão era sustentado por duas cadeiras, e havia um buquê de flores - com uma rosa vermelha no centro - sobre seu peito. O sonho parecia tão real que, quando acordou, Mark Twain não percebeu que estivera dormindo e pensou que voltara para casa.

O sonho teve trágico desenrolar, dois dias depois. Enquanto Twain continuava em Nova Orleans, o paquete continuou descendo o Mississipi. Seu irmão, que também trabalhava no barco, seguiu viagem rio abaixo, quando uma caldeira explodiu. Henry ficou seriamente ferido e foi levado para Memphis, onde morreu quando o médico, acidentalmente, aplicou-lhe uma dose excessiva de morfina.

Quando Henry estava pronto para ser enterrado, algumas senhoras bondosas levantaram dinheiro para a compra de um caixão de metal. Seu corpo foi vestido com um dos ternos de Mark Twain.

Enquanto o escritor chorava a morte do irmão, uma senhora entrou na sala e colocou um buquê de rosas brancas - com uma rosa vermelha no centro - sobre o peito do falecido. Depois, o esquife foi enviado para St. Louis, onde foi colocado no pavimento superior do sobrado de seu cunhado.

Quando Mark Twain foi visitar o corpo do irmão, viu que o caixão fora colocado sobre duas cadeiras, exatamente como sonhara.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

A Possuída


Giuseppe Verardi tinha 19 anos quando seu cadáver foi encontrado embaixo de uma ponte entre Siano e Catanzaro, duas pequenas cidades na Itália.  Estava vestido apenas com as roupas de baixo, pois o resto fora jogado perto dali.

A data era 13 de fevereiro de 1936, e as autoridades municipais de Siano concluíram que Giuseppe se suicidara. Essa declaração foi recebida com ceticismo pelos amigos e familiares da vítima, que não podiam acreditar que a simples queda de uma altura de 9 metros pudesse explicar os ferimentos do rapaz.

Ninguém mais falava sobre a morte de Giuseppe no dia 5 de janeiro de 1939, quando estranho fenômeno aconteceu na cidade. A principal personagem da história foi Maria Talarico, garota de 17 anos que nunca vira nem Giuseppe nem ninguém de sua família.

Ela estava atravessando a ponte com a avó, quando entrou em estranho transe, caiu de joelhos e passou a delirar. Com a ajuda da avó e de um transeunte, Maria foi levada para casa. Mas, quando voltou a si, ela não era mais Maria.

Estranha voz masculina saía de sua boca, e a moça passou a afirmar ser Giuseppe Verardi, o rapaz que morrera na ponte. O incansável fantasma de Giuseppe assumiu controle total de Maria e até chegou a escrever uma carta para a mãe, com sua própria caligrafia.

Naquela mesma noite, a entidade forçou Maria a entregar-se a uma curiosa pantomima, em que "ele" reviveu a última noite em Siano. O espírito fingiu estar bebendo e jogando baralho, exatamente como Giuseppe fizera na noite em que morrera.

A entidade continuou tomando vinho, embora Maria jamais tivesse ingerido mais de um copo durante as refeições. Então, a entidade começou a simular uma briga com companheiros de jogo, o que, presumivelmente, aconteceu na ponte.

A mãe de Giuseppe foi visitar Maria no dia seguinte, e a entidade que a estava possuindo reconheceu-a imediatamente, descrevendo os ferimentos encontrados em seu corpo. Relatou os nomes dos assassinos, embora poucos deles ainda morassem em Siano. A sra. Verardi voltou para casa e rezou para que o espírito do filho deixasse Maria.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Maria caminhou até a fatídica ponte, ainda possuída pelo jovem assassinado. Ao chegar ali, tirou a roupa e deitou-se sob a ponte, na exata posição em que o corpo de Giuseppe fora encontrado.

Em poucos minutos, Maria voltou a si, e não conseguiu se lembrar de nada que acontecera.

O retorno mediúnico de Giuseppe Verardi recebeu ampla cobertura jornalística em 1939. Ernesto Bozzano, naquela ocasião provavelmente o principal pesquisador de fenômenos mediúnicos na Itália, estudou o caso e publicou um relato a respeito dele em 1940.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

As Enguias de Atlântida

Ilha de Atlântida, numa gravura de Athanasius Kircher’s Mundus Subterraneus (1664).

A memória instintiva dos animais faz com que eles se reúnam em bandos e atravessem milhares e milhares de quilômetros de terra e mar.  A migração de enguias até determinado ponto no oceano Atlântico é um exemplo interessante e muito curioso desse fenômeno.

Uma vez a cada dois anos as enguias dos lagos e rios da Europa nadam em direção ao oeste para o Atlântico onde, em grandes cardumes, cruzam o oceano rumo ao mar de Sargaços. Nesse local, elas se encontram com a grande massa de enguias do continente americano, que, por sua vez, seguem para o leste até aquele mesmo ponto.

Aristóteles, grande filósofo grego do século 4 a.C., notou a migração das enguias da Europa, porém não sabia nada a respeito da migração no sentido oeste-leste dos animais que vinham do ainda desconhecido continente americano. Acredita-se que a concentração de algas marinhas no mar de Sargaços seja o motivo pelo qual as duas populações de enguias fazem peregrinações até ali, pois a imensa quantidade de algas submersas tenderia a proteger seus ovos.

Depois da desova, as enguias adultas morrem e os filhotes de enguias americanas quando suficientemente desenvolvidos, retornam em direção ao oeste para as Américas, enquanto os filhotes europeus nadam rumo ao leste, para a Europa.  Ambas as espécies são auxiliadas pelas correntes do Atlântico, que fluem no sentido horário.

Por que há tanta alga marinha no mar de Sargaços? Seria possível que em certa época existisse ali um continente no meio do Atlântico?  Como a Atlântida, por exemplo?

Se for verdade que a Atlântida submergiu rapidamente, parte da vegetação que possuía pode ter se adaptado e se transformado em algas marinhas que ainda crescem naquele que agora é um continente submarino, ponto original de desova das enguias, que permanece vivo em sua memória ancestral e instintiva.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

Bateria Humana


De maneira ainda desconhecida, a eletricidade numa tomada na parede parece intimamente ligada ao sistema nervoso dos seres humanos, embora a Ciência pareça relutante em reconhecer o equivalente biológico. No entanto, existiram algumas pessoas cujas “baterias” eram de natureza incomum e sobrecarregadas, como as de Angelique Cottin (figura acima), uma mocinha francesa de 14 anos, cujas inexplicáveis propriedades eletromagnéticas foram objeto de estudos por parte da Academia de Ciências.

A partir do dia 15 de janeiro de 1846 e durante as dez semanas seguintes, Angelique deixou ponteiros de bússolas completamente malucos. Objetos e até mesmo móveis pesados, se afastavam ao seu toque e vibravam com a sua presença.

Quaisquer que fossem as suas estranhas forças, a Academia resolveu chamá-las de “eletromagnetismo”. A força parecia ter origem no lado esquerdo da jovem, conforme a opinião de especialistas, particularmente no cotovelo e no pulso. Além disso, os poderes da adolescente pareciam aumentar de intensidade à noite. Durante um ataque, Angelique costumava ter convulsões e a pulsação do coração chegava às 120 batidas por minuto.

Outro ser humano sobrecarregado foi a adolescente americana Jennie Morgan, de Sedalia, Missouri, que, supostamente, emitia faíscas de descarga elétrica entre ela e qualquer pessoa que se aproximasse, chegando, algumas vezes, a deixar inconscientes as pessoas. Os animais ficavam agressivos e fugiam à sua presença.

Uma jovem de Ontário chamada Caroline Clare demonstrou sintomas similares, logo após um mal não diagnosticado, durante o qual ela passou a descrever lugares que, na realidade, jamais visitara. A doença durou um ano e meio. Quando os sintomas desapareceram, a moça ficou de tal forma magnetizada que os talheres “colavam” ao seu corpo com tanta força que precisavam ser puxados por outra pessoa. Caroline também foi motivo de estudos, dessa vez realizados pela Associação Médica de Ontário.

A mais poderosa bateria humana deve ter sido Frank McKinstry, de Joplin, Missouri. Era tão carregado de energia que chegava a ficar colado ao solo. Se McKinstry parasse de caminhar, por exemplo, era incapaz de dar mais um passo, a menos que outras pessoas o levantassem do chão, interrompendo o circuito elétrico.


Fonte: Livro «O Livro dos Fenômenos Estranhos» de Charles Berlitz

Vampiros e a Idade das Trevas


Por toda a história a lenda do vampiro foi sendo usada para "explicar" outros fenômenos naturais que os povos primitivos sem conhecimentos científicos não conseguiam explicar de outra maneira. Possivelmente a mais espantosa lenda foi a associação dos vampiros com a Peste Negra na Idade Média na Europa.

A Peste Negra, como era conhecida, na verdade era a Peste Bubônica espalhada por ratos e pulgas. A Peste (que, diferentemente dos vampiros, vieram do Oeste) matou 1/3 da população europeia em 1300. O povo da época, porém, associou as mortes com os vampiros. De alguma maneira eles acreditavam que a morte "trabalhava" para os monstros; talvez os vampiros espalhassem a Peste, eles pensavam assim. Em alguns casos as pessoas acreditavam que um doente voltava da morte como vampiro e matava uma vítima (que morreria pela Peste). Alternadamente, acreditavam que um inimigo morto podia retornar e matar alguém, tornando-o um vampiro também. Muitas tumbas foram reabertas e os corpos "suspeitos" foram mutilados para "matar" os vampiros...

Alguns métodos da época beiravam o absurdo. Por exemplo, uma virgem era montada nua num cavalo, e o cavalo era obrigado a passear por entre um cemitério. Se o cavalo (que aparentemente, era mais inteligente que as pessoas) decidisse não passar por determinada tumba, eles assumiam que era uma tumba de vampiro. O corpo era imediatamente exumado e mutilado para "matar" o vampiro e, claro, também para parar a Peste que devastava a região.

Algumas das crenças mais idiotas envolviam métodos usados para matar vampiros ou parar a epidemia do vampirismo. É importante lembrar, porém, que essas crenças parecem idiotas hoje, mas, na idade da ignorância, pessoas desesperadas eram muito suscetíveis ao poder das superstições.

Os corpos às vezes eram enterrados de bruços. Se o corpo se transformasse em vampiro, ele tentaria escavar para sair do seu caixão, e iria escavar o chão abaixo, pois olhava para o lado errado... Estacas de madeira às vezes eram colocadas no chão acima do caixão, e o corpo que se levantasse se espetaria sozinho nas estacas... com um pouco de sorte elas atravessariam seu coração.

Os corpos também, às vezes, eram enrolados em panos e roupas, para dificultar sua saída do caixão. E as pernas e braços eram amarrados com uma corda.

Pedras enormes também eram colocadas em cima dos caixões, para prevenir o retorno do defunto (talvez isso explique a origem das modernas lápides?). E é importante notar que os antigos povos acreditavam que o vampiro era um tipo de fantasma, que transcendia o caixão. Qual a melhor maneira de se manter um fantasma no caixão, do que selá-lo em pedra?

O processo natural da decomposição às vezes convenciam as pessoas de que defuntos podiam se tornar vampiros: os cabelos e unhas continuavam a crescer( indicava a continuidade da vida); o cadáver inchava pela ocorrência natural de gases no corpo, (indicava que ele se alimentava dos vivos); sangue às vezes aparece nos cantos da boca como resultado da decadência do corpo (indicava que ele tinha bebido sangue); a aparência grotesca de um cadáver decomposto e de pele pálida (indicava uma fome vampírica por sangue).

O povo ignorante também usava das superstições para frustrar ataques vampíricos. Duas das mais conhecidas substâncias utilizadas para se afastar os vampiros são o acônito, e, claro, o alho. Uma teoria popular durante a Idade Média acreditava que o cheiro horrível da morte era relacionado com a causa da morte, especialmente durante a Peste Negra, e que a morte tinha relação com os vampiros. Por isso, utilizavam das ervas para contra-atacar o cheiro da morte, e consideravam o aroma potente do alho. Também, durante as eras, o alho era usado como erva medicinal pelos antigos romanos. Ironicamente, a ciência moderna também acredita que o alho pode ajudar as pessoas a se recuperarem, em alguns casos.

As pessoas desenvolviam métodos estranhos quando o assunto era vampirismo. Alguns acreditavam que se um gato preto ou cão pulasse por cima de um corpo, ele se tornaria um vampiro. Em contos bucovinianos, uma estaca de madeira devia ser enfiada no peito dos que se suicidavam; pois o suicídio era uma das causas do vampirismo. Em muitas culturas, incluindo a antiga Inglaterra, as pessoas que cometiam suicídio eram enterradas em encruzilhadas para prevenir que o defunto voltasse como um vampiro.

Vários povos tinham vários métodos para destruir vampiros. Em algumas nações eslavas, uma estaca de madeira, atravessada no peito, matava a criatura - esse era o método favorito de todos, uma estaca através do coração. Em outros lugares, porém, a madeira usada tinha que ser de determinadas árvores. Por exemplo, madeira de carvalho fazia o trabalho na Silésia... enquanto madeira de espinheiro branco era requerida na Sérvia.

Além disso, as cabeças dos defuntos suspeitos de vampirismo eram decapitadas. Às vezes, os corpos também eram jogados dentro de poços d´água ou queimados.

Essas crenças foram baseadas na ignorância geral da população, mas uma das maiores tragédias da lenda dos vampiros, foi a real ascendência da crença e do mito vampiro, que pode ter sido ajudada pelos feitos (crimes) da religião organizada.

A Igreja na Europa durante a Idade Média chegou a reconhecer a existência de vampiros e os transformou de mitos pagãos em criaturas do demônio. O vampiro teve sua credibilidade reforçada pela existência das doutrinas cristãs como vida após a morte, a ressurreição do corpo e a "transubstanciação". Esse era um conceito baseado na Santa Ceia em que o "pão e vinho" durante a Comunhão que se transubstanciou no sangue e corpo do Cristo.

A Igreja durante a Idade Média deu credenciais para a crença nos vampiros, e concluiu também que podiam parar o vampirismo, reforçando essa opinião dois séculos depois, em 1489 como o livro "Malleus Maleficarum" Esse livro foi escrito para se lidar com bruxas, mas também podia ser aplicado contra vampiros malignos. Infelizmente, muitas pessoas inocentes caíram vítimas desse documento, e foram torturadas e executadas. Esse livro, conhecido como "O martelo contra as bruxas na Inglaterra" foi utilizado para identificar e perseguir pessoas que supostamente faziam pactos com o diabo.

Dois séculos depois disso, a evidência de que a Igreja ainda acreditava em vampiros foi encontrada nos escritos do teólogo Leo Allatius. Como estudioso da Igreja, ele estudou os Vrikolakas, os vampiros gregos. Em um documento de 1645 ele conclui que alguns vampiros são resultado da excomungação. A prova de vampirismo grego é a falta de decomposição do corpo, indicando que ele não pode deixar o plano terrestre. Um corpo inchado também era evidência de possível vampirismo. Como alguns corpos não se decompunham rapidamente, pela química do solo ou temperatura do ar, e também alguns inchavam pelo processo natural de produção de gases no organismo morto, muitos cadáveres foram erroneamente nomeados como vampiros. Em contra- partida, a incorruptibilidade - incapacidade do corpo de se decompor - era sinal de santidade do cadáver. A diferença era que o vampiro não apenas se decompunha, mas também ficava grotescamente pálido, enquanto que os "corpos sagrados" permaneciam perfeitamente intactos, como se ainda vivessem. E também, vampiros cheiravam muito mal, enquanto os corpos sagrados não.

Também existia uma crença comum entre os antigos cristãos gregos que um padre ou bispo que excomungasse um agente do mal preveniria o tal corpo da decomposição, uma vez que a alma não estava livre para ascender aos céus, e sim solta na terra para vagar até receber o perdão de seus pecados. Na Igreja do Ocidente essa crença também era seguida. Existiu o caso do Arcebispo de Brehme, no século X, Santo Libentinus. Ele havia dito que excomungou alguns piratas, e o corpo de um deles foi descoberto vários anos depois, sem sinais de decomposição. Aparentemente, é pedido o perdão dos pecados por um bispo antes que o corpo se dissolva em cinzas. Os clérigos eram capazes de fazerem ou matarem um vampiro através de absolvição e excomunhão.

Leo Allatius foi um dos primeiros estudiosos a declarar oficialmente que os vampiros eram crias do demônio e que eles rondavam as noites.

A prova de que a Igreja tinha poder sobre os vampiros (lembre-se de que vampiros fugiam de crucifixos e cruzes sagradas, se bem que os modernos vampiros são menos susceptíveis a esses símbolos) data desde a Inglaterra medieval. Um escritor chamado Willian de Newburgh discutiu o caso de um homem que morreu no séc. XII a.C. Supostamente, ele se reergueu da tumba para desespero de sua esposa. Após causar muita confusão com os moradores do vilarejo e com os clérigos, o bispo da região perdoou por escrito todos os pecados passados do cadáver. O caixão foi aberto, e o documento foi colocado em cima do corpo do "vampiro". As pessoas ficaram surpresas - ou nem tanto - em ver que o corpo estava sem nenhum sinal de decomposição, provando o vampirismo. Mas, para a felicidade geral, assim que o perdão foi colocado no caixão, o vampiro desapareceu. Note que esse método de exorcizar o vampiro com um documento oficial da Igreja é bem mais sutil que os métodos utilizados na época, como a decapitação, queimar o corpo, arrancar o coração ou mesmo atravessá-lo com uma estaca de madeira.

Por volta de 1700 a universidade Sorbonne de Paris se oporia formalmente à prática comum de se mutilar corpos mortos para evitar os vampiros. A Sorbonne (onde o renomado escritor Voltaire uma vez ficou chocado ao ver uma discussão sobre a legitimidade do vampiro mitológico) finalmente tomou uma atitude aparentemente radical alegando que a prática de se mutilar corpos mortos era baseada em superstições irracionais.

A crença em vampiros, contudo, não seguia sem críticas inteligentes. Dom Agostine Calmet, um monge beneditino francês, escreveu um livro em 1746 que desafiava a questão da existência dos vampiros, chamado comumente de "O Mundo Fantasma". Calmet desafiava as superstições da época e pedia provas antes da aceitação das lendas. Ele duvidava especialmente das proezas sobre-humanas dos vampiros, como voltar da morte. Ele também analisou e criticou as supostas "epidemias vampíricas" da Europa, questionando suas bases na realidade.

Então os séculos de ignorância e superstições deram a vez à Idade da Razão, e vieram os métodos científicos. Hoje a medicina pode provar que as pragas, como a Peste Negra, não foram espalhadas por demônios, nem vampiros metafísicos, mas de maneira bem física, diria microscópica, de maneira biológica.


Fontes: Song of the Dark; O Mito dos Vampiros

Os Vampiros de Londres


Highgate, ao norte de Londres, é um dos mais surpreendentes cemitérios da época vitoriana, com túmulos barrocos, colombário, pórticos egípcios, álea a perder de vista, os caixões pousados mesmo no solo dos jazigos subterrâneos. Um cenário digno dos filmes de terror da Hammer, lá no alto de uma das colinas Londres.

Em Highgate, as histórias de «não mortos» e de profanação de sepulturas fazem quase parte da tradição. Um dos profanadores mais conhecidos – amigo de Bram Stoker – é o pintor e poeta Gabriel Rossetti que (sem dúvida profundamente marcado pela morte de sua jovem mulher) acaba por se envolver sem o desejar em sortilégios de Highgate.

Lizzie Rossetti morreu em 1862, após uma overdose de láudano. Foi enterrada num dos jazigos subterrâneos de Highgate, mas, por mais estranho que nos pareça, Gabriel Rossetti recusou acreditar na sua morte.

Certas pessoas pensam que Stoker o tivesse influenciado, uma vez que este era um profundo conhecedor da vida noturna em Highgate, como veremos adiante.

Uma noite Rossetti saltou o muro do cemitério, do lado que dá para o lado de Swaine Lane, e arrombou o caixão da sua mulher. Como que dormindo, ali estava havia sete anos, intacta, espantosamente conservada com o parecer daqueles a quem ainda o sangue circula nas veias. Os louros cabelos, iluminados pela tocha de Rossetti, ficaram luminosos a tal ponto que esse corpo parecia ter estado a receber vida através de uma via secreta com acesso ao caixão.

Highgate, a verdadeira cidade-vampiro durante dois séculos! É esta a opinião que hoje tem Sean Manchester, o mágico inglês sempre na pegada dos vampiros. Manchester trabalhou durante os anos 70 para a sociedade funerária inglesa A. E. Bragg, na Mackenzie Road. As investigações que fez, levaram-no à seguinte conclusão: No século XVIlI foi sepultado um «vampiro» em Highgate.

Jean Claude Asfour, que também investiga sobre vampiros de Highgate, na época em que este assunto tomou primeira página dos jornais londrinos, diz-nos: «No século XVIII, um caixão vindo da Turquia e trazendo no seu interior um vampiro teria sido colocado no cemitério de Highgate, desde então tornado o centro do vampirismo na Europa.»

Presentemente, seitas satânicas tentaram já, através dos rituais próprios, restituir à vida o «rei vampiro». Na opinião de outros, este misterioso caixão seria aquele a que se refere Bram Stoker, no seu livro Drácula, que desde então se tornou um romance verdadeiramente real. Contudo, no século XVIII, a censura religiosa não permitia que se falasse impunemente de histórias de vampiros.

Pode ler-se, no Drácula de Bram Stoker, acerca de «O horror de Hampstead: Acabamos de ser informados que outra criança desaparecida ontem à noite só voltou a aparecer esta manhã já um tanto tarde, numa junqueira de Shooter’s Hill, na parte mais isolada da charneca de Hampstead. O miúdo apareceu com as mesmas feridas das primeiras vítimas. Quando descoberto, o seu estado de fraqueza assim como a palidez era enorme. Logo que recuperou os sentidos, explicou ter sido arrastado pela ‘Dama de Sangue’». Bram Stoker, que afirmava ter encontrado vampyrs personnalities em Londres, no decorrer dos anos 1880, conhecia toda esta raça de «não mortos» como aliás fica provado através das suas descrições.

Também, e mais uma vez, não é por acaso que ele faz deslocar as mulheres-vampiro a Hampstead, e que instala o conde Drácula em Carfax, numa velha casa do norte de Londres, muito perto de Hampstead Hill, e coloca o cemitério onde repousa Lucie Westenra, vítima do príncipe dos vampiros, sobre esta mesma colina de Hampstaed. Jonathan Harker – o herói do livro – transporá clandestinamente o muro da cidade dos mortos e trespassará o coração dos adeptos do culto da noite.

Não existe nenhum cemitério em Hampstead. O mais próximo é em Highgate. Por muito estranho que possa parecer, nada mudou desde o século obscuro de Bram Stoker e das práticas mágicas de Golden Dawn.

Entre os muros do cemitério de Highgate habitará um Poder monstruoso que terrificou Stoker e que serviu de ponto de partida para a sua narração terrível. Desde há quase dois séculos que os habitantes da aldeia de Highgate vivem na obsessão do «vampiro» que ronda a parte norte do cemitério, perto do portal de Swaine Lane.

As últimas aparições ter-se-iam dado em Outubro de 1970. Várias pessoas dignas de crédito afirmam ter visto um vulto escuro e cuja altura andaria pelos sete pés (mais ou menos dois metros) pairando por entre túmulos. Uma noite, certa mulher entrou precipitadamente no posto da polícia de Highgate, com os olhos desvairados e muito perturbada.

Contou, titubeando, que se cruzara com a entidade monstruosa, descrevendo o olhar que a fulminou através do gradeamento do cemitério: «Uma forma escura com dois olhos que pareciam queimar.», terá ela dito.

Organizaram-se patrulhas de polícia à luz de projetores. Para a gente da beira-rio, foi «a grande noite de Highgate». Mas o cemitério nada revelou do seu mistério; homens e cães encontraram apenas veredas de emaranhada vegetação, túmulos silenciosos como se fosse um cenário de uma peça trágica, esvaziado repentinamente dos seus atores.

São muitos os testemunhos que atestam a existência de um «vampiro» em Highgate. Continuaram a acontecer de há um século a esta parte, embora com pequenos intervalos de silêncio, o que de certo modo ainda concede mais força ao poder do invisível noturno.

Um outro feiticeiro inglês, David Farrant, presidente da famosa British Psychic and Occult Societh, galgando a norte o muro do cemitério para fazer a invocação do vampiro teve de apresentar-se ao Supremo Tribunal de Londres. Foi algemado e condenado a cinco anos de prisão.


Fonte: Os Vampiros - Jean-Paul Bourre - Publicações Europa-América (1986)
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